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Fui conhecer o Rio Negro. E o Rio Negro é NEGRO MESMO como conta uma amiga que escreveu em um cartão postal para o seu marido. "Lógico que ele é negro mesmo, por que você acha que ele tem esse nome", foi a resposta. Mas na verdade ele ta mais pra um marrom escuro, feio, peludo e cheio de espinhas, do que propriamente preto. Não é como nadar em pixe, ta mais pra como nadar em chá mate. Mas a instituição chá mate é até simpática e um Rio Negro não merece uma associação simpática - por mais lindo que o rio seja. Então prefiro dizer que o Rio Negro é feito de chá de boldo. Chá de boldo, você conhece: é aquele que a sua mãe substituiu pelo Steinheger que ela tomava todos os dias. Fundamentalmente o chá de boldo é feito de lodo, de galhos mortos, de ossos humanos, de carrinhos Hot Wheels enferrujados e de agonia da vida moderna. As pessoas tomam chá de boldo para ajudar o estômago quando a digestão está complicada. Como em: hoje jantei três pneus de trator com pimenta. Acho que a pimenta me fez mal: vou tomar um chá de boldo! O Rio Negro parece com isto, mas não estou querendo, com isto, dizer que ele é feio. Muito pelo contrário: ele é realmente lindo.
Aí estamos com um grupinho estilo turistaiada. No caminho conheci uma socióloga que contou para mim sobre sua extensa vida acadêmica, sobre os dias de férias que estava passando em Manaus e sobre a falta que lhe fazia passar mais tempo com a família, por conta de seus inúmeros compromissos profissionais. Já eu prefiri contar para ela sobre o quanto eu como no café da manhã dos hotéis para economizar dinheiro no almoço. Chegando ao Rio Negro fiz a minha expressiva cara de sachê de chá de boldo e pulei no Rio. Junto de toda a turistaiada que estava lá. A água é uma delícia, do tipo que da vontade de fazer um aquário dela para poder dormir à noite. Fui o primeiro da turistaiada a sair da água:
- Vai sair, amigo?
- Vou sim... to com medo do sol!
- Ah, mas é bom pegar uma cor de vez em quando! Volta aí!
- É bom pegar uma cor quando a cor que você pega nestas ocasiôes não é ROSA.
Fiquei do lado de fora só olhando as pessoas nadando. Fazendo anotações mentais sobre as meninas de biquini e fingindo que no lugar de homens e das feias tinha mais Rio Negro. Ou mais meninas de biquini. Enfim. Aí ouço o filho da socióloga chamando sua mamãe de canto dizendo que queria fazer xixi. Em pleno Rio Negro. A mãe não deixou. Penso que esta idéia veio da tentativa de fazer seu "encontro das águas" particular. Rá rá rá, que engraçado!
Escrito por K. às
11h42
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Aí eu tava num vôo indo para algum lugar de dormir. Não sei qual, acho que Recife. Era uma destas tournês pelo Norte e Nordeste do país. Um destes lugares onde as as aeromoças chegam com seus sorrisos e carrinhos, cheios de mimos para os passageiros, e ao perguntarem o que aceitam para beber e eles respondem REFRIGERANTE. Assim, super específico. Como em: onde você mora? / no planeta Terra, logo ali na Via Lactea. E as meninas, tadinhas, fazem aquela cara de merda e perguntam QUAL refrigerante. Porque elas têm todos os refrigerantes possíveis ali: a Coca-Cola, o Guaraná, um chá verde esquisito com gás e acho que se alguém pedir algo que não tem, elas fabricam o refrigerante. Tem ripa-de-concreto-cola? / Espera um minutinho que eu vou ali preparar e já trago para o senhor. Então, assim, uma resposta específica não seria mal, mas esta resposta específica parece que não existe para aquele pessoal. E a mim só restou ficar ali olhando as meninas servirem os outros passageiros e fazer a minha cara de quem está assistindo a uma manada de cachorrinhos fofinhos serem jogados na máquina de lavar roupa - sem amaciante.
De repente um monte de passageiros se levanta e vai para o outro lado da aeronave. Primeiro achei que uma mulher devia estar parindo. Não, só um parto não atrairia tanta atenção: teria que ser uma mulher parindo uma cabra para valer tanto a pena. Depois achei que era um motim para derrubar o avião: todo mundo ia para o mesmo lado e ele se desequilibraria. Como naquela teoria de que se todos os chineses do mundo dessem um pulinho, a Terra sairia de sua órbita e o sistema solar estaria completamente fodido. Primeiro o comércio mundial de tecidos, depois a órbita do planeta Terra: os chineses seriam considerados culpados por absolutamente tudo de pior que já aconteceu neste mundo.
Depois de alguns minutos constatei que o avião não caiu. Voltei à hipótese da cabra, mas eu não ouvi nenhuma cabra gritando também. Então decidi que era hora de sucumbir à curiosidade: levantei e me uni à galerinha do outro lado do avião. E o caso é que sobrevoávamos os tais lençóis maranhenses. E aquela porra toda é linda mesmo. É como lá em casa, em Carapicuíba. Como quando a gente ta olhando pra Cohab. Igualzinho. Só que do contrário. E eu quis tirar fotos mas não dava porque ano passado o ladrão levou a minha máquina fotográfica embora. E eu nem sou mais o entusiasta da fotografia, perdi o hábito. Se fosse, estaria faltando salário agora pra comprar uma. Eu tirei uma foto tosca da vista do quarto onde fiquei, que também é A CARA da Cohab, mas eu não tenho o cabo de transferir fotos e porcarias do celular pro computador. E ele nem tem bluetooth: só tem Excel, Portal, Internet e Bloco de Notas. Fundamentalmente o que importa de verdade num computador.
Quando cheguei ao hotel, quis usar o note e precisei improvisar algo como mouse pad porque a mesa não estava funcionando. Tentei com um Velho Testamento que tinha ali, mas o mouse continuou não funcionando sobre o Velho Testamento. Tive que apelar para um caderno que eu tinha. Acho que Deus não gosta de tecnologia, não apóia o uso de mouses ópticos. Deus é um cara mais vintage: só se fosse mouse de bolinha.
Escrito por K. às
10h02
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Desde março do ano passado eu ouço sempre umas mesmas perguntas. Desde fevereiro deste ano então, vixe. E eu nem me importo de responder sempre estas mesmas perguntas, acho que entendo isso. Uma delas é a se eu não tenho medo de avião e eu nem tenho. Aliás, esta é a pergunta mais imbecil que se poderia fazer pra mim, porque se eu tivesse eu jamais me disporia a usá-lo tanto. Mas eu acredito no direito das pessoas de fazer perguntas imbecis de vez em quando. Até as inteligentes. Eu também tenho minhas perguntas imbecis, então acho que é mais ou menos humano fazê-las.
E ainda que aconteça algo comigo, bem, eu acho que a vida é feita pra ser morrida. Tem gente que morre com 90 anos e tem gente que morre com 20. Teve quem morreu com 15, gente que morreu com 5 e teve gente que nem nasceu e se confundiu com a ordem das coisas. As coisas são assim, gostando ou não. É aquela coisa do oh, eu não vou beber para viver mais. Acho que fígado é feito pra gastar mesmo, o corpo todo é e se você ficar economizando ele pra sempre, nunca vai entender tudo o que ele é capaz de fazer. Nada contra viver uma vida saudável, eu mesmo ando pensando em maneirar em certas coisas. Mas faça isto sem fazer aquela cara de nojinho quando eu estiver tomando meu álcool Zulu com Tang sabor laranja com acerola. Ou aquele comentário escroto em dia de velório: "também: fumava 3 maços por dia e fazia sauna com o escapamento do carro... deu nisso". Meio comentário de tia velha.
Enfim! Existe uma outra coisa que é o que eu sempre falo: aviões são muito mais seguros do que a gente pensa. Nada acontece por pouca coisa, é sempre uma seqüência de procedimentos que deram errado. O acidente da Gol com o Legacy é o melhor exemplo disto: a cagada fundamental foi o tiozinho ter esquecido o famoso transponder desligado. Mas olha quanta coisa teve que falhar além disto, o lance dos controladores de vôo, a troca de turno, a informação mal repassada tanto entre os controladores quanto entre o CINDACTA e as aeronaves: existia muita coisa para tentar assegurar a possibilidade do transponder de uma das aeronaves estar desligado. Mas quando acontece um acidente destes, ninguém nem tenta entender isto, o funcionamento do acidente. A gente gosta mais é de ver família chorando e dizendo que o Brasil é um país de merda. A gente se dói com estas coisas, o sensacionalismo e o Cesar Tralli subindo meteoricamente no jornalismo da Globo. Não desconsiderando a dor das famílias, de forma alguma. E muito menos querendo tirar a responsabilidade e a necessidade de fazer os responsáveis arcarem com a justiça. Mas, olha, eu garanto que os pilotos do Legacy não acordaram de manhã dizendo um para o outro ei, tive uma idéia: que tal a gente derrubar um boeing no meio do mato hoje? ninguém vai nem notar, um madereiro ou outro no máximo. O acidente da Tam, a mesma coisa, mas não da pra falar muito sobre ele porque não existe ainda nada 100% conclusivo: a aeronave entendeu que uma das manetes estava em posição de aceleração, mas eu duvido que pilotos com milhares de horas de vôo tivessem simplesmente acelerado um dos motores para pousar.
O que me irrita mesmo nestas coisas é o sensacionalismo. Sempre tão exagerado. Claro que é tudo muito trágico e o impacto de tanta gente morrer numa tacada só é enorme, comove a gente, inclusive eu, posso garantir. Mas medo eu não tenho não. Como disse um amigo meu outro dia, é tão raro acontecer algo assim que, quando acontece, vira capa de jornal na hora. Além do mais, na hora de atravessar uma rua, um caminhão com pneu careca e sem freio pode estar vindo ladeira abaixo. "Ou até, quem sabe, Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio".
Escrito por K. às
13h34
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Vamos lá, deixa eu fazer um pouco de justiça. Só pra variar um pouquinho. Que eu fico sacaneando que a mulher que aluga o quartinho aqui é a crente louca, mas na verdade ela é muito legal comigo. Ela é muito legal e eu fico por aí insistindo: crente louca. Toda vez que eu a encontro, ela fica toda preocupada comigo. A cada cinco minutos ela repete coisas do tipo se você estiver incomodado com qualquer coisa, você fala, tá? E acha que tudo vai incomodar e pergunta de novo e de novo e de novo. Quando cansa, entra em outro loop: no do é pra você ficar bem à vontade aí.
- Dona Crente Louca, eu to usando aquela geladeira desligada como dispensa pra guardar as minhas coisas, tá?
- Ah, claro, FICA À VONTADE.
Ela gosta mesmo de mim. Ainda que eu seja um infiel que tem um blog sobre seu sonho de comer todas as mulheres da face da Terra. E que use o mesmo para chamá-la secretamente de crente louca.
Ontem teve a tal reunião semanal*. Eu assustei um pouco porque achei que seria sexta e, de repente. abriram a porta. Era ela e sua tropa crente. Bate-papo de lá, de cá, como ta a vida, o trabalho, e quando é que eu vou pagar ela, e acho que é amanhã, passa aqui às duas para receber, essas coisas. E ela pergunta:
- Quer participar da reunião?
- Não, obrigado, dona Crente Louca! Eu vou ficar lá no meu quarto lendo meu livro.
Pura mentira: eu subi aqui e fiquei praticando minha falta de fé. Roubando wi-fi do vizinho pra conversar com a Cris, aquela, que é do Rio, mas que não é a Xianey, tirando sarro que a crente louca é muito louca e, conseqüentemente, pavimentando minha estrada para o inferno. Pura maldade minha: ela me trata bem e não tentou me converter. Ainda. Não com convicção. Enfim: o caso pe que ela me trata muito bem e eu fico de maldades com ela. Coisa de gente que sentiu prazer pisando em formiga quando criança, eu penso. E aí eu não sei por que é que eu tenho que ter o coração tão preto e peludo: deixa ela citar Deus a cada meio minuto, mesmo enquanto dorme, se é assim que ela é feliz e acha que sua vida faz sentido. O que é que eu tenho a ver com isso?
A verdade é que ter preconceito contra evangélico é tão feio quanto ter preconceito contra negros e gays. E aí tem aquela galera que acha cool andar entre gays e entre negros, mas ninguém acha muito cool andar com evangélico. Cool é sacanear evangélico. Ninguém aguenta eles falando de Deus a cada meio minuto, ou eu pelo menos não aguento. Mas 90% das militâncias praticadas no mundo eu acho irritantes, então é melhor deixar tudo meio pra lá. Os negros tem uma vantagem: o papo é o da injustiça social, mas nenhum deles tenta te tornar negro. E olha que um cara tão branquelo quanto eu se tornar negro seria a maior vitória do movimento deles. Gays também não, em geral, mas eu tenho o meu histórico dos que quiseram muito mesmo que eu me tornasse. Fé em Deus ninguém realmente tentou que eu tivesse, até onde me lembro. Talvez porque, sempre que falam de Deus comigo, eu faço a minha já consagrada cara de quem não sabe como algumas pessoas colocam miniaturas de navios dentro de garradas.
* - Era duas vezes por semana. Passou a ser só uma, toda quinta-feira.
Escrito por K. às
16h37
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O meu emprego tem disso: algumas pessoas ficam um pouco encantadas de saber que estão conhecendo uma pessoa que faz uma coisa dessas. Acho que acontecem duas coisas: a primeira é aquele lance do sonho de criança. Todo mundo quis ser bombeiro, astronauta e essas coisas quando é criança. Na adolescência a gente quer ser dono de puteiro, então não da pra associar meu emprego com adolescência. Aí nego fica numas de que existe uma aura mágica em torno de você e isso é bem engraçado e lisonjeiro ao mesmo tempo: eu mesmo decidi fazer isso meio na cagada, nunca tinha SONHADO com esse troço. A segunda coisa tem uma referência mais de vida adulta mesmo: como eu nunca paro na minha casa e to sempre viajando, eu sou um ser super descolado, modernoso e pra frentex. Desde o começo do ano eu estou colecionando uma série de "seu emprego é mais legal que o meu" e de gente que acha que eu ganho para fazer turismo. Não quero minimizar os benefícios que, sim, existem. Mas eu tento continuar explicando que é só um emprego. Um que estou adorando, ao contrário do que pensa a turma do "seu emprego é mais legal que o meu" a respeito do seu próprio trabalho. Tem o lado da coragem também: nego me acha muito corajoso por ter jogado tudo pro alto pra arriscar isso. Mas a verdade é que eu nem tava jogando tanta coisa assim pro alto, só descartei umas planilhas que eu mesmo colori. Mas a verdade é que eu não sou um cara tão descolado assim. Eu sou só um cagalhão mesmo. Não no sentido de que eu sou pior que você aí: nós dois somos cagalhões, é o que eu penso. Eu, por exemplo, sou o cagalhão que hoje de tarde estava no mercado tentando comprar um único tomate e não conseguia achar nenhum com uma cara razoável. Aí tinha uma tia velha do meu lado. Aquele tipo de tia velha que pega fila pra exame de prostata só para puxar conversa com as pessoas da fila. Aí ela comentando de uma criança que estava chorando: "essa molecada fica de algazarra, se perde da mãe no mercado e depois fica chorando. Quer saber? BEM FEITO PRA ELA". Respondi que não diria nada pois, naquela idade, eu também me perdia da mãe no mercado e chorava. Hoje eu não choro, sei ir embora do mercado sozinho. Mas continuo sendo só mais um cagalhão, do tipo que não consegue escolher um único tomate com uma cara razoável sem a ajuda da mãe.
Escrito por K. às
19h56
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Pra voltar a responder os comentários, eu tenho que me dispor a colocar de volta o sistema original de comentários do Zip.net. Mas e a preguiça? Do tipo que hoje eu prefiri almoçar miojo a me comover o suficiente para arranjar um almoço decente. (Ontem foram 2 esfihas de queijo e 2 esfihas de carne, notem...). Preciso dar 30 paus pro borracheiro, que fica na esquina, mas to achando tão bom ficar em casa. Tenho que fazer exame de sangue, mas todas as manhãs eu tomo café e, só depois, lembro que tinha que estar jejuando. Estou viciado em jogar Portal, porque agora com meu computador novo eu volto a pensar em joguinhos. A vida segue assim, nesse estilo vidinha mesmo. Aí eu atualizo qualquer coisa pra ninguém encomendar meu enterro e tal.
Escrito por K. às
14h38
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29
Meu aniversário? Foi bem obrigado. Desconsiderando a galera do scrap com "vou ter desejar um feliz aniversário adiantado porque amanhã estarei ocupado escovando meu pônei", a primeira ligação foi de uma menina com quem há uns meses atrás eu tive um tipo de troço. Por tipo de troço estou querendo dizer uma história que foi mais teórica do que prática.
- Oi como você tá?
- To bem, e você?
- Também... não te liguei esse tempo todo porque tenho voltado para Curitiba* todos os fins de semana!
- Ah, então quando você estiver por aí, me liga então. Aí de repente a gente toma um chopp.
- Legal... vou lá então. Beijo pra você. Não deixa nenhuma outra mulher te enrolar, tá? Só eu posso!
- Ok, beijo!
Desliguei o telefone pensando que faltou o ritual do parabéns, quantos anos mesmo?, bla bla bla. Bem, ela simplesmente não sabia.
Os festejos seguiram com a feijoada de mamãe. À noite, festinha no karaokê com toalha de mesa estilo restaurante de caminhoneiro. Presenças ilustres inusitadas. Destaque para o representante da elite carioca da categoria melhores amigos. A outra inusitada foi a paixonite que eu peguei umas vezes no ano passado amiga acompanhada de carinha bulinando sua coxa.
- Como assim ela não fala contigo desde a última vez que vocês saíram e apareceu hoje trazendo outro cara? Se eu fosse você, comia ela. Aí batia muito na bunda dela, comia o cu dela e enchia o cabelo alisado dela de porra. Aí é só não ligar no dia seguinte que ela volta querendo casar contigo!
É pra dar esse tipo de conselho que servem os melhores amigos, é o que penso. Mas acho que faltou ele recomendar que eu roubasse a carteira dela, furasse os 4 pneus do carro dela e seqüestrasse seu cachorro.
De qualquer forma, o que me importa mesmo é que eu tive um fim de semana fantástico, cheio de pessoas preferidas. E estou todo emotivo, mas isto não encaixa nesta classificação de coisas que me importam. Na hora de ir embora, paixonite que eu peguei umas vezes no ano passado amiga acompanhada de carinha bulinando sua coxa fez qualquer comentário de duplo sentido que não lembro no meu ouvido.
- Isso é uma proposta? - perguntei.
- Hmmm... não vou te dizer o que pensei!
- Tá bom, mas depois você vai ter que me contar!
Como vocês podem ver, estou levando muito a sério aquela proposta de não deixar outras mulheres me enrolarem.
* - Essa aí é casada. O marido e ela moram em Curitiba. Foi uma coisa "e aí, quer ser o outro?" Bem, eu topei, não to apaixonado e nem tenho escovado meu próprio pônei mesmo... mas nada nunca passou de uns amassos em um único dia desta encarnação.
Escrito por K. às
15h19
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(O Haloscan ta me sacaneando. Não sei se é um problema sendo resolvido ou se eles realmente tiraram a opção de editar comentários. O que significa não responder os comentários. Então não se ofendam, estamos passando por problemas técnicos, bla bla bla).
Escrito por K. às
11h01
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@SLZ
Se você for o tipo de pessoa que gosta de se sentir sufocada, esqueça o Rio de Janeiro: a nova onda é São Luis do Maranhão. A umidade do ar é altíssima: se o planeta Terra tem 75% de água, São Luís é um lugar com uns 98%. (Dizem que Manaus tem 117%, não sei, vou descubrir muito em breve). O que me leva a crer que todas as pessoas que vi enquanto estive lá eram, na verdade, medusas que abusaram do bronseador.
Sempre achei que o que mais me chocaria ao chegar a São Luís seria encontrar a Roseana Sarney no aeroporto. Não foi. Ela não fica lá recebendo os turistas, diferentemente do que sempre gostei de pensar. O que mais me chocou foi descobrir que lá (e provavelmente em outros lugares que não conheço também), o primeiro bloco do Globo Esporte é local. Cheio de notícias sobre a disputa da terceira divisão do Brasileirão. Depois tem um intervalo comercial e, na volta, simplesmente aparecem outros apresentadores como se nada tivesse acontecido. À queima roupa, sem aviso prévio, pé na bunda por WO. Tipo a novela Carrossel: quem não se lembra que, de repente, o Firmino passou a ser interpretado por outro ator?
Outras coisas me perturbaram em São Luís: os semáforos que tem acabamento de azuleijos me deixaram uns 5 minutos pensando se andei tomando banho no lugar certo. Um número relativamente alto de pessoas andando de calça jeans nas ruas é um desafio às leis da biologia que exigem que um corpo transpire em temperaturas tipo 83 graus C. Até eu, loiro e gatucho, deixei me render à falta de elegância que é usar uma bermuda, vagando pela rua e cumprindo meu papel de ponto reluzente que cega seres humanos por ser capaz de refletir tanta luz.
Um dia depois de escrever este post, fui a Manaus. E definitivamente a temperatura era - ou pelo menos estava - mais agradável que São Luiz.
Meu notebook chegou. Tentei levar ele na viagem e tive bastante tempo livre, mas não achei uma rede para usar em nenhum lugar que fiquei. Pelo menos não que fosse de graça...
Escrito por K. às
12h54
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E as mamãezisses da mamãe, uma graça só. Aquela coisa de um planeta todo feito de mimos e palavras no diminutivo. Com uma cereja no topo, pra dar o toque de classe. Ontem e hoje estão sendo meus dias de folga e eu resolvi passá-los aqui na casa da mamãe, onde tem internet, máquina de lavar roupa e, claro mamãe, papai e Laika, a cadela gente fina.
Cheguei quarta de noite e sentei no chão da sala, mamãe sentada à mesa de jantar e Laika, a cadela gente fina, entre a gente. Com a bunda virada pra mim para eu coçar suas costas enquanto converso com mamãe. E aí é novidade pra cá, novidade pra lá, etc, filho fora de casa, morando em quarto alugado significa história pra contar. E aí eu digo tudo isso pra ela, que eu vou passar um dia e no máximo dois, talvez só um, e que no dia seguinte ia lavar minhas roupas. E que nesse dia seguinte mesmo eu talvez já voltasse para o meu quarto alugado. Ela pergunta se vou almoçar em casa no dia seguinte e eu digo que sim. Tem feijão no freezer. Tá, deixa descongelando do lado e fora que amanhã eu preparo para mim. Como em: não se incomode, mãe.
No dia seguinte tem pronto para comer: feijão, arroz, peito de peru, farofa, salada de pepino e toda a solução para a fome dos municípios pobres do nordeste. De brinde, um bilhete:
"Como tu disseste* que iria lavar as tuas roupas hoje, eu pediria que aguardasses eu voltar eu voltar para casa com o sabão. O que tem na área de serviço contém muita soda"
Bem, semana passada não parecia ter problema lavar a roupa com muita soda. Como em: to dando uma desculpa esdrúxula para te amarrar em casa mais um dia, usando sabão em pó e uma montanha de comida. Bem ao estilo de mamãe. No final do bilhete um estou feliz com a sua visita. Em outra época da minha vida, eu ia correndo contar tudo pra dra Regina, a psicóloga. Como eu fugi da dra. Regina, escrevo no blog mesmo.
Não entendam como quem está meramente zombando. É tudo muito bonitinho sim. Conforme o previsto, mamãe ta sofrendo com isto. Também conforme o previsto, nem eu estou achando tão fácil assim. (Eu nunca disse que ia achar fácil, só que queria e faria isto custasse o que fosse!) Eu ficaria os dois dias aqui de qualquer jeito. Mas ir para o quartinho é o que tem que ser feito, bla bla bla.
* - Sim, mamãe é gaúcha.
Escrito por K. às
16h45
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 Studio L'Oreal
Comecei a ler 'Manuelzão e Miguilim' do João Guimarães Rosa. Guimarães Rosa, vocês sabem, um destes escritores que consolidaram suas carreiras produzindo livros de cair em vestibular. Pouca coisa poderia parecer mais inapropriada pra alguém como eu, que não é exatamente alguém com dom para a leitura. Mas aparentemente eu já tenho a capacidade de entender a graça de um texto desse tipo. O caipira, o mineiro, em forma de texto: as frases não seguem exatamente um português e metade das palavras são inventadas. Mas para minha própria surpresa, estou gostando mesmo do livro: só comecei a ler ele porque queria qualquer coisa para ler e foi o único que achei aqui que eu não tinha lido ainda.
Mas não consigo deixar de achar absurdo em uma coisa dessas cair em vestibular. Você precisa evoluir pra entender um texto destes. No sentido de que você tem que ter um repertório prévio para entender essa graça que é toda baseada em construção. Porque a história mesmo, grandes merdas: por enquanto é só um pirralho ficando velho. Se você não entende uma construção simples, não pode entender porque naquela frase o sujeito veio depois do predicado. Então no vestibular devia cair, sei lá, Nick Hornby. Talvez Douglas Adams. Paulo Coelho, se quiser literatura brasileira. Para ver se a gente é capaz de entender um texto normal e tirar alguma coisa dele: é o que um médico, um administrador e a maioria das outras profissões usam: a base. O que vai além da base devia ser explorado dentro das faculdades, conforme a necessidade. E, na boa: não acho que até os 17 ou 18 anos a gente efetivamente desenvolve esse tipo de coisa. E acho que nem é importante: nem todo mundo quer ou precisa desenvolver esse tipo de coisa. E pode ser alguém útil pra sociedade de qualquer jeito. Mais que muita gente que entende Guimarães Rosa, Saramago e esses caras que dão trabalho de ler.
É assim com qualquer coisa. Se você quer saber o porquê de Mondrian ou Picasso serem legais, você tem que saber o que eles queriam com aquilo. E por que aquilo soma ao que um Michelangelo fez. Quer saber o porquê de Ramones e Yes serem legais, tem que saber qual é a proposta deles e o que eles queriam com aquilo. E por que aquilo soma ao que os Beatles fizeram. (Isso aí é respectivamente, na minha cabeça: Mondrian é Ramones e Picasso é Yes). Não da pra gostar de Metallica sem entender Black Sabbath. E assim por diante.
Quer dizer, você até pode gostar, mas não vai entender como aquilo foi feito, onde estava a novidade da coisa: nem tudo o que a gente gosta é porque contém novidade. Nem tudo que tem novidade a gente gosta também. É questão de acumular repertório: parece que eu tenho o suficiente para ler Guimarães Rosa, mas não tenho o suficiente para ouvir Jazz moderno e nem música clássica. Também não gosto de Yes. E Mondrian deu no saco, apesar de eu achar genial.
Escrito por K. às
16h09
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Eu adorei a minha nova instrutora lá no trabalho. (No mínimo, por enquanto: ela não fez nenhum movimento brusco, não praticou atos de vaquisse, etc). Ela é extremamente paciente, explica as coisas com calma e veio com toda uma proposta de cumplicidade e jogo limpo. É extremamente peituda também. Aí quando eu falo com as pessoas que eu encontro, eu digo: "ela é a minha psora". Mas quando é ela quem encontra as pessoas, ela diz "esse aqui é meu filho". Perigoso, né? Porque neném pode querer mamar. Mas eu não devo dar em cima dela: apesar de ser encantadora (e peituda), ela é casada e tem até filho. E bem, vocês sabem que, se tem uma coisa com a qual não me meto, é mulher de algum alguém. (Eu nunca fiz isto, em especial, neste primeiro semestre de 2008).
Piadinhas à parte, ela é realmente muito legal. Como pessoa, estou falando. Acho que dei muita sorte: um dos meus grandes medos era pegar uma instrutora pentelha e acho que não está sendo o caso.
Escrito por K. às
01h34
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ICQ Bizarro
Eu digo: Sim, é questão de estilo. Não tem certo e errado pra essas coisas. Como a carioca que eu saí e tava te contando. Ela é bonita, é agradável, é até ruiva, mas não é meu estilo.
Ela diz: Pois é... e veja eu, que tô saindo e estou bem com um cara que não tem nada a ver comigo. nada. mas ele me faz bem e eu gosto dele. A vida é engraçada e interesses idem.
Eu digo: É... às vezes a gente sai com gente nada a ver e fica UAU também. Acho que a gente não sabe de verade do que gosta. A gente simplesmente gosta.
Escrito por K. às
16h49
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ICQ Bizarro
Ela diz: Sonhei q vc era um matador de aluguel. Pra variar, eu e meus sonhos estranhos uauahuha envolvendo pessoas conhecidas
Eu digo: Jura? Mas que eu te matei ou que você se sentiu seduzida pela virilidade de um matador?
Ela diz: auhauhauhhaua eu achava esquisito... vc saía matando as pessoas, meio estranho.
Eu digo: É meio estranho porque nem é uma coisa que eu faço. Ou pelo menos não fiz na sua frente. Tipo tirar ranho do nariz. É mais ou menos a mesma coisa.
Ela diz: Hahahahahaha! Vc ja matou pessoas por dinheiro?
Eu digo: Que nada! Por que você acha que eu sou pobre?
Ela diz: Hahahahahahahahah!! É verdade... já estaria nadando em dinheiro se fizesse.
Eu digo: Aí eu casaria com alguma mulher super elegante, culta e artista plástica, daquele tipo que faz quadros horríveis que ninguém compra. Daria pra ela uma mansão com piscina, carro importado, essas porras... e ela ia perguntar "mas de onde vem tanto dinheiro, com o que você trabalhar?" e eu responderia "trabalho com gestão de pessoas"... Pensando assim, eu gostei do seu sonho!
Talvez o mais esquisito desta conversa é que ela não foi com a Xris.
Escrito por K. às
12h51
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Olha, não é que eu não amo mais vocês. Eu amo mesmo. Muito. No meu caso, amar vocês significa querer sexo com todas as mulheres e o dinheiro de todos os homens, vejam que estou avisando. Mas enfim: o caso é que minha carteira de trabalhar no circo já chegou, faz uns dias, e por conta disto estou morando no quarto da crente louca. Não sei se vocês estão cientes de que não há internet lá. Acho que internet não é de Deus. Com toda esta putaria, pedofilia, sites nazistas e blogs pessoais, a internet não pode ser chamada de algo de Deus, então é por isto que não tenho atualizado isto aqui.
A vida no quarto da crente louca é um porre. Quando da uma animação venho aqui Lan House. O resto do tempo eu fico vendo televisão ou lendo um livro que nem estou gostando muito, mas é o único que tem lá comigo. Isto se a gente não considerar a Bíblia, é claro. Às vezes pra tentar deixar o ambiente menos abençoado por Deus e lembrar mais das minhas origens, fico desfilando de cueca pela casa*. Não deve ser de Deus andar de cueca pela casa. Eu escolho as que estão mais sujas, para ser menos de Deus ainda.
* - Eu não sei se vocês sabem, mas o caso é que é uma casa cuja proprietária é a crente louca, mas ela não mora lá. Eu moro sozinho na casa. Não to muito feliz não, mas to sempre mais ou menos de olho para ver se aparece algo melhor em termos de moradia.
Na minha escala do Circo Garcia saiu que sábado de manhã eu vou para Caldas Novas fazer magias. Às 7 horas da manhã. O que leva pessoas quererem me ver fazer magias às 7 horas da manhã de um sábado em uma cidade que eu nem sabia que existia até googlá-la? Não é uma reclamação, é só uma pergunta mesmo.
Escrito por K. às
14h16
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