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Escrito por Klein às 20h32 [ ] [ envie esta mensagem ]



Pornografia cabeça


Shazam!!! / BRINKS!

Playboy da Fernanda Young né? Vamos falar disto agora que o assunto não está mais na moda. Mantendo minha tradição de chegar atrasado nos lugares. Conto pra vocês uma coisa: eu já comi melhores. E também conto pra vocês mais outra coisa: também já comi piores. Que eu já comi piores vocês acreditam, né? Inclusive vocês acreditam que este agrupamento que carinhosamente denominei de PIORES deve representar uns 99% das mulheres com que já saí. E que este 1% não representa sequer uma mulher inteira. "Tinha aquela lá que eu vi com o Klein uma vez, ela tinha o antebraço esquerdo muito bonito... já não se podia dizer o mesmo do direito". Não condeno vocês: não é meramente mais fácil, é também mais DIVERTIDO dar credito para os descréditos das pessoas.

Também, o que é que eu poderia reclamar, né? Eu já saí com umas meninas tão ruins que, sozinhas, derrubavam o valor de 3 das melhores mulheres com quem eu já tinha saído. Tipo aquela lá que me chamava de KLEINZITOS. Mas não foi isto que eu guardei como o pior dela. O que eu guardei como o pior dela foi o fato dela ser ÁSPERA. Não, não me refiro a um desvio de personalidade: lembro bem de beijar a barriga dela e pensar "cara, esta menina é ÁSPERA". Não encontrei na literatura científica menção a outras pessoas que fossem ásperas. Vai ver que ela era filha de um jacaré com uma lixa de unha, sei lá. Aí depois de uma noite pensando que lamber a calçada devia ser muito parecido, nós tivemos a suspeita de um acidente* e eu comprei uma pílula do dia seguinte para ela quando deixamos o motel. Depois de uns dias nós brigamos por causa de alguma coisa besta e, a partir daí, ela ficou um tempo me apavorando que ainda não tinha menstruado. E eu fiquei com muito medo de que meu filho nascesse um ouriço do mar. Mas, resumindo: ninguém duvida que eu já comi piores que Fernanda Young**.

Só o que eu acho é que Fernanda Young tinha toda aquela coisa de mulher independente, bem sucedida, escritora, bem resolvida na vida, exemplo de como uma mulher deveria ser, queimem os sutiãs e comam homens na porrada, faz um monte de tatuagem pra parecer um mangá, é bem resolvida e da pra quem quiser, etc. E aí alguém fala que ela vai sair na Playboy e ela fala que vai mesmo. E automaticamente começa a se explicar, dando a entender que ela está se rendendo a algo chulo (?), mas com o objetivo de salvar este algo (???). Tipo uma heroína mesmo. E, desculpa, uma pessoa que É não precisa se justificar tanto. Precisa menos ainda repetir tantas vezes que ela é muito melhor que ex-BBB (tudo bem, eu sei que é mais fácil dar crédito para os descréditos das pessoas... mas... como e quem define o que é descrédito, afinal?). Que até onde eu sei, tem duas coxas, dois peitos e tudo mais que ela também tem. E que é o objeto dos ensaios da revista Playboy.

No fundo, se você parar pra pensar, um dos princípios dos ensaios nus da Playboy acaba sendo este: o de trazer pessoas a um denominador comum. Tem atriz de novela, tem passista de escola de samba, tem socialite e tem protagonista de escândalo político. Tem jogadora de basquete, jogadora de vôlei e gente que nem joga nada, mas que pode ter decidido algo sobre a Copa do Mundo de 1990. Daqui a muita lipoaspiração e cirurgia plástica, vai ter ex-aluna de faculdade. E, aí, desculpa, mas tem ex-BBB e tem Fernanda Young. Não adianta tentar se colocar como outra coisa porque você é a mesma coisa que todos. Não existe um jeito de intelectualizar um ensaio nu dentro do conceito desta revista. Nem escrevendo você mesmo o texto de seu ensaio porque nem um poema barroco faria uma Playboy parecer algo intelectualizado. Ela não deve ser algo intelectualizado. Fala que foi por dinheiro ou por vaidade, são coisas que eu acho dignas se assumidas. Para fazer algo realmente diferente, tente sair nu na revista sendo um homem, sei lá.


* - o que aconteceu foi que a menina lubrificou litros. Devia ter aquele negócio lá até no teto. Mas ela me jurou que aquilo nunca tinha acontecido com ela - e ela falou, de um jeito sutil, que era uma menina um pouco frígida e bla bla bla. A camisinha não parecia mesmo estourada, mas decidimos que, na dúvida, não se arrisca.

** - Ou ela é uma mulher com uma pele relativamente lisa, ou o photoshop ajuda. O importante é acreditar.

Se você aí for uma daquelas meninas que acham a Fernanda Young um grande exemplo de mulher a ser seguida, você devia ter vergonha de frequentar a sociedade de um modo geral. Porque ela é só fanfarrona e arrogante mesmo, mais nada. Mas gosto do pouco que já li dela, isto eu admito. Eu tenho preguiça de quem acha ela incrível porque ela provou que não é.



Escrito por Klein às 18h55 [ ] [ envie esta mensagem ]



A próxima meta é gravar um disquinho de rock. Vou explicar para vocês a crise existencial em torno disto. Que este meu emprego novo-que-é novo-faz-quase-dois-anos faz isto com a gente: traz aquela sensação de total desconexão com o mundo. Parece que você está perdendo os amigos, a família, esquece as coisas que sabe fazer ou quantos dentes tem na boca. Não se parece com a maioria das coisas que você aí já fez, eu te garanto. To longe daquele nível de quem está procurando outr carreira profissional, porque eu to satisfeito com isto. Fazer 174 copos de suco continua parecendo mais louvável que pintar planilhas de excel. Eu prefiro tentar achar alternativas de me manter conectado às coisas. E aí eu acho que ninguém sabe o QUANTO eu gosto de tocar música. E eu não sou muito bom, mas eu tenho um talento ou outro dentro disto. Difícil é montar uma banda, ninguém quer tocar com alguém que tem dias contados para ensaiar ou fazer shows. Eu mesmo não quero tocar com este cara. Mas as maravilhas da informática, né? Que eu posso fazer umas musiquinhas e gravar sozinho no meu quarto. Tudo sozinho. Não da pra tocar uma bateria no meu quarto, mas da para digitar a partitura e fazer o som sair. Fica fake mas, e daí, né? O resto eu posso tocar, cantar, interpretar, sugerir, expirar, etc. Não se trata de fazer nada muito legal não. Trata-se de ter um hobby, e isto ta fazendo aquela falta. Já que eu pareço tão incapaz de escrever algo bom que volto aqui pra fazer esta coisa diarinho sobre lamúrias. O blog tinha mais ou menos esta função, um hobby arte. Hoje eu mantenho ele por puro apego e uma vez por semestre eu escrevo algum texto que eu mesmo acho bom. Aí o lance é fazer uma demo com 4 musiquinhas. Mostrar pra um punhadinho pequeno de gente e se este punhadinho pequeno de gente gostar eu mostro pra um punhadinho maior depois. Tudo para preservar a minha auto estima, eu não sou meramente gato pra caralho, eu sou orgulhoso também. Vamos ver no que vai dar... a minha demo, este meu diarinho sobre lamúrias, etc. Vou me ater à filosofia de que se ficar uma merda, pelo menos eu me diverti fazendo...


... mas é claro que estou sonhando com glória, fortuna, mulheres arrancando minha roupa no palco e casa de show virando casa de swing. Um homem tem o direito de sonhar, não?

Na verdade eu estou retomando este blog mesmo que seja para ser um diarinho estúpido como uma resistência ao baixo conteúdo do Twitter. Não que eu não goste dele. Mas, né? E todo o saudosismo que o aniversário de 13 anos do ICQ me trouxe. Os tempos áureos da internet... como os tempos áureos em que eu tinha bandinhas... enfim...



Escrito por Klein às 00h55 [ ] [ envie esta mensagem ]



Laika, a cadela gente fina


eu sei que a foto é estourada e não está muito boa. a escolha é pelo que ela ilustra.

Não tenho certeza da idade dela. Eu costumava pensar que encontrei ela (portanto, que ela nasceu) aos meus 12 anos de idade, então dizia que ela estava com 18 anos de idade.Mas eu não tenho muita certeza disto. Eu esperava que a qualquer momento eu fosse acordar e dar falta dela e do meu carro na garagem porque é o que as pessoas de 18 anos fazem. Não deu tempo dela fazer isto. Mas o importante é que sei que ela viu o impeachment do Collor e o fusquinha do Itamar. Viu o Brasil ser tetra. Viu eu comprar uma bicicleta no lugar de um baixo, me arrepender e ainda ter a bicicleta roubada. Viu eu aprender a tocar guitarra, viu eu entrar na faculdade e sair dela. Viu eu entrar e sair de depressão. Viu todas as minhas namoradas. A Laika, a cadela gente fina, viu tudo.

A Laika, a cadela gente fina, eu encontrei na rua. Perto da casa em que eu morava na época tinha uma agência do Bradesco com um tipo de jardinzinho na lateral. Foi ali que um dia eu passava na frente e tinha uma mendigaiada esparramada pelas plantas. Azar das plantas, sorte dos mendigos, vocês sabem como funciona a nossa dominação e abuso sobre reino vegetal. E a mendigaiada grita pra mim MENINO! MENINO!. Eu era mesmo um menino, aspirando uma puberdade perturbada como a de todo adolescente, então atendi ao chamado. Eles tinham esta cachorra marrom (ou amarela como a gente preferia dizer) e disseram tê-la encontrado por aí, perguntaram se eu sabia quem era o dono. E eu sabia. Era a Fifi, a cadelinha da vizinha que não gostava de mim porque achava que eu ia fazer sexo com a filha dela porque uns anos antes eu pulava o muro pra brincar de Jaspion com ela (não me condenem: era uma família de japoneses!). Peguei a cadelinha e levei até a casa da vizinha. Quando toquei a campainha, saíram para me atender a vizinha e a Fifi.

Ué, mas a Fifi não está aqui nos meus braços?

Não, o universo não entrou em colapso criando ilógicas de espaço tempo. Quando voltei para devovê-la para a mendigaiada, eles já tinham abandonado a graminha do Bradesco*. E aí foi o clássico: não soube o que fazer, fiquei com dó da cachorrinha, levei ela pra minha casa pra dar comida, minha mãe ficou puta, prometi procurar por donos, procurei porra nenhuma, "mãe, deixa eu ficar com ela?", não, "mãe, deixa eu ficar com ela?" de novo, "ta bom, mas ela dorme fora de casa", eu dormindo no chão para a Laika, a cadela gente fina, dormir na minha cama escondido da minha mãe, eu dormindo no chão para a Laika, a cadela gente fina, dormir na minha cama com o consentimento da minha mãe e, afinal, todos dormindo no chão. Azar dos mendigos, sorte da família Klein, vocês sabem como funciona a dominação e abuso sobre a classe E da sociedade.

A Laika era esse tipo de cachorro sem noção. No sentido da pureza mesmo. Armava estas cenas esquisitas como a da foto e fazia esta cara aí de isso aqui é normal, você que não é, não sei do que você ta rindo. Ou sentar numa escada com a bunda num degrau e as patas da frente no nível do piso. Ou deitar na sua cama toda atravessada de um jeito que você mesmo não caberia nem se esforçasse muito. Vocês entenderam. Mas acho que, de tudo, o que a gente mais gostava da Laika, a cadela gente fina, era o rabo dela. Cada vez que ela balançava o rabinho para os lados, a gente balançava inteiro. Nós já tínhamos outra cachorra, mas ela tinha o rabinho cortado. A Laika era assim, com rabo. Se eu pudesse pensar em alguma coisa para chamar de alegria que contagia, com certeza esta coisa seria o rabinho da Laika.

Eu já tive diversos outros bichos. Antes da Laika, a cadela gente fina, já tive tartaruga, peixinho, gatos e uma outra cadela. Ainda tenho outros no estoque lá em casa. Mas desse pessoal todo, ninguém eu gostei tanto quanto ela. Eu sempre soube que ficaria muito triste quando ela se fosse, mas é o tipo de coisa que a gente nunca sabe o suficiente até acontecer. De vez em quando chego em casa e ainda olho pros cantinhos onde ela costumava ficar mais depois que ficou velhinha. O céu dos cachorros está em festa. Sorte do céu, azar da família Klein, vocês sabem como funcionam os ciclos. E você aí não pode me condenar em pensar num céu de cachorros como uma criança faria: é o meu cachorro de infância, desde os meus 12 anos de idade. A Laika, a cadela gente fina, viu tudo.


* - todo mundo que tem bicho fica com aquela viadagem de dizer "é a minha filhinha". Minha mãe gostava de dizer que ela era a mãe da Laika e que eu era o pai. Eu nunca disse isso, vejam. Mas o meu ponto é que, legal mesmo, era quando a gente dizia que a Laika era filha do Bradesco.



Escrito por Klein às 11h04 [ ] [ envie esta mensagem ]



José Sarney, o primeiro presidente de que me lembro


Dois joinhas pra você também, seu Zé!

Aí é isso aí, eu to em São Luis. Aquela, capital do Maranhão. Terra dos lençóis maranhenses, da invasão holandesa, terra da balaiada. Deu ao Brasil a cantora Alcione e Zeca Baleiro. São Luis é a dos semáforos com acabamento de azulejo e daquela lagoa ali atrás do hotel que eu morro de medo. Acho que é em São Luís mesmo que os Sarney moram, ainda que aquele maior de todos seja senador pelo Amapá. Não ligo muito pro Sarney, não sei por que é que as pessoas ficaram tão putas com ele ali. Ele fez um monte de merda e voltou, aí fez outro monte de merda e a gente vai trazer ele de volta se houver oportunidade. Porque ele é um literário e a prerrogativa de ser um literário é ter habilidades em administração pública. Ou o contrário. O Sarney é protagonista de uma das piadas que eu mais contei durante minha infância: não lembro bem como ela era, só lembro que eram vários caras de vários países discutindo heróis nacionais, algo como "no meu país, fulano perdeu uma perna na guerra e se tornou um grande defensor do desarmamentismo". E quando chegava na vez do brasileiro falar, ele dizia "no meu país, um homem foi decaptado, implantaram um coco no lugar da cabeça, colocaram um bigode e ele se tornou presidente da república". Não é porque eu achava isso realmente engraçado, é mais porque era a única piada que eu sabia contar. Outro dia eu estava com uma amiga na rua e uma criança, com uns 11 anos de idade, no máximo, me parou tentando me vender uma faixa escrito FORA SARNEY. Respondi que eu não queria não. Expliquei que, na verdade, eu adorava o Sarney. Não cheguei a dizer, mas acho que me referia ao escritor. Minha amiga sugeriu perguntar para a criança sabia quem era o José Sarney. Prefiri deixar pra lá, se fosse para discutir algo com ela, que fosse o Bob Esponja. Já que José Sarney é um assunto da minha infância. Sinto saudade daquilo lá: o cruzeiro, o cruzado, o cruzeiro novo, o cruzado novo, a volta do cruzeiro velho, nem sei a ordem das coisas. A hiperinflação, o overnight e toda essa alegria: caos nos supermercados e os carros a álcool que não pegavam no frio nem com reza brava. Depois veio o Collor e a abertura pro mercado externo. Aí veio o Itamar, com ele o FHC e a estabilidade da moeda: logo as pessoas perceberiam o valor real do dinheiro e dos produtos. Então o Lego deixaria de ser um brinquedo financeiramente acessível para minha família, forçando minha desistência da infância e entrada forçada na adolescência. Eu teria passado mais uns anos montando Lego ao invés de correr atrás das menininhas se aquele sociólogo metido a economista dos infernos assim tivesse permitido.


Eu tenho idade suficiente para lembrar do Figueiredo, na verdade, mas eu não lembro dele. Não aconteceu na minha vida o momento Klein, este é João Baptista Figueiredo, presidente da república. Então eu certamente ignoro isso. Eu tinha 5 anos quando Tancredo Neves foi eleito.



Escrito por Klein às 19h38 [ ] [ envie esta mensagem ]



Mimimi


Eu estou tão cansado que acho que não tenho muita disposição para dissertar sobre o cansaço. Sinto meu corpo inteiro com aquilo que eu chamo de "dorzinha do cansaço". Aquela, que vocês só chamam de cansaço, porque vocês ainda tem capacidade física de chamar as coisas pelos nomes corretos. Eu tinha pensado em pedir para amputar braços e pernas, assim meu corpo teria menos superfícies sensíveis ao cansaço. Mas aí lembrei que algumas coisas ficam muito importantes ficam difíceis de fazer sem braços e pernas. Tipo escrever um blog. Isto porque há um mês que eu acordo entre 03:00h e 05:00h da manhã. É sério. Não estou falando isto para ninguém ter pena de mim. Não estou pedindo um abraço. Mas aceito um pouco de dinheiro, talvez algum sexo. As pessoas perguntavam para mim que horas eu ia acordar e eu nunca sabia. Primeiro que horários entre 03:00h e 05:00h são difíceis de classificar: não sei se isto é "amanhã cedo" ou se "tarde desta noite". Segundo que eu ando sentindo minhas capacidades irem embora: não raciocino mais direito, esqueço coisas, ando irritado e falo palavras erradas. Uma dislexia só: estou deixando de ter um disturbio para ser um distúrbio. Ou estou entendendo o que é tensão pré menstrual. Ando carente, chato, irritado, emotivo e tenho comido mais chocolate do que costumo normalmente. Talvez eu finalmente esteja perto de entender alguma coisa sobre as mulheres.

Mas, pelo menos por 15 dias, parece que eu vou poder acordar nuns horários mais decentes. Ou, no mínimo, trabalhar madrugadas todas, mas quando chegar em casa dormir o quanto eu quiser. Enfim, eu só penso nisso: dormir.


Então desculpa pelo sumiço... vocês já nem perguntam mais por onde eu ando, mas acho tão chato não conseguir manter uma constância mínima que seja aqui. Enfim, essa frase foi a prova definitiva de que eu quero sim um abraço. Minha dignidade indo para a casa do caralho, como de costume.



Escrito por Klein às 10h25 [ ] [ envie esta mensagem ]



Quer dizer, eu estou ali, tomando minha cerveja com esta figura que pode-se dizer que trabalha comigo, à noite naquele bar que eu gosto mais de dia, aquele, o da melhor coxinha do universo. E ela começa a tagalerar e choramingar sobre pessoas que tem oportunidades INCRÍVEIS no trabalho porque são puxa sacos dos patrões. E eu sinto a cerveja sair do sabor amargo e delicioso, passar pelo pelo carismático mas não ideal sabor azedo e chegar ao tenebroso sabor calcinha cor de pele. Porque choramingar sobre puxa sacos é algo tão 2006.

E não da para entender porque é que alguém efetivamente reclama das tais oportunidades. Não são oportunidades incríveis de verdade. Não existe pulo no plano de carreira e não existe aumento salarial em jogo. Apenas prestígio. Lá, prestígio te ajuda a não ser mandado pra rua quando rola facão, ou te ajuda a arrumar um cargo burocrático. Mas quem quer um cargo burocrático é porque já tem um dispositivo puxador de saco escondido dentro de si. Em algum lugar entre o intestino grosso e a uretra, provavelmente. Mas o caso é que onde eu trabalho, a não ser em casos extremos, fazer o seu trabalho bem feito é o suficiente para se manter com dignidade. Diferente de quando eu trabalhava na fábrica ou em outros empregos anteriores...

- Sabe, não é justo que a fulana seja convidada para fazer apresentações especiais no Faustão enquanto a gente fica fazendo acrobacia com pinos flamejantes na esquina da Rebouças com a Brasil e disputando trocados com os alejados. NÃO-É-JUS-TO-!

(Já tinha contado para vocês que eu sou circense, certo?)

- Bem, sabe, o mundo não é mesmo justo, tentei explicar.

Ela disse qualquer coisa que queria dizer que ela se recusava a acreditar que o mundo podia ser assim. E eu continuei na dúvida, sobre quem estava sendo niilista e quem estava sendo ingênuo. Depois de alguns milhões após uma hecatombe nuclear, algum ET arqueólogo talvez estude isto e decida, eu mesmo não vou gastar minha vida pensando nisso. Quem está sendo idealista, no entanto, eu acho que sei.

Quando eu trabalhava na fábrica, isto era um problema. Eu chorava, eu me descabelava, eu enfiava a cabeça na privada pra ver se encontrava um mundo belo e florido do outro lado. Aí eu apurava resultados de campanhas de vendas e os resultados diziam que a campanha era um fracasso. "Chefe, sua campanha, é um FRACASSO". Não sei o que eu esperava com isso, talvez que ele fechasse o departamento por descobrirmos que ele não presta pra nada e eu ser mandado embora por não ter mais um departamento para eu trabalhar. Ou talvez fechar a fábrica toda por causa disso, até a matriz na Espanha. E ele respondia: "veja por este lado, veja por este outro, aí olhe este terceiro lado porque é uma campanha de três lados, o terceiro ta escondidinho aqui... faça um novo relatório e um novo Power Point com estes lados porque a nossa campanha é um SUCESSO".

O que mais me emputecia não era ele maquiar os dados para ter algo dito bonito e usar esta coisa dita bonita para puxar o saco do pessoal grande. O que me deixava realmente fodido era que ele agia como quem acreditava nos números que ele mesmo maquiou. Se ele fechasse a porta e sussurrasse que era para a gente mentir e que eu não podia contar isto para ninguém, talvez eu não ficasse tão puto.

Mas, bem, uma das grandes lições da fábrica foi essa mesmo: a de aceitar o sistema. Não achar ruim fazer algo que você não acredite plenamente porque a maioria das pessoas não vai acreditar nas mesmas coisas que você. Então você chega num acordo. Ninguém ganha a vida trabalhando por ideologia. E eu não sou hippie o bastante pra preferir ser pobre e fodido só porque carregar uma bandeira vermelha parece mais importante. Pra mim ela não é tão importante assim e eu juro que não estou falando isso com mágoa.

Sem mágoa porque alguém me explicou uma vez que isso é capitalismo, não pela relação trabalho em troca de dinheiro, existia uma explicação que realmente fazia sentido, só que eu não lembro. Esta parte vocês vão ter que acreditar quando eu digo porque não lembro mais o raciocínio. Só queria chegar à conclusão de que, de um jeito ou de outro, resolvi aceitar o sistema porque o capitalismo é mesmo sedutor. Eu gosto de e quero Coca-Cola, Nike, Nintendo, etc. Não se trata de desilusão, trata-se de vender a alma ao diabo porque ele tem umas coisas bacanas pra oferecer mesmo.



Escrito por Klein às 18h04 [ ] [ envie esta mensagem ]



Não é que eu tenha vergonha do meu trabalho. Isto eu definitivamente não tenho. Também não é meramente uma questão de ter problemas com ser visitado no trabalho. Em outros empregos que eu tive, aqueles ditos normais, das 09:00 às 18:00, camisa social, catraca na entrada, recepcionista com cara de puta pobre, cafeína de cinco em cinco minutos para trabalhar menos e ouvir as fofocas da empresa, nestes aí eu já recebi visitas e era tranquilo. "Olha, essa aqui é minha mesa, nela tem o meu computador e nele você pode ver este monte de post-its colados onde em alguns anoto coisas que não posso esquecer de fazer hoje e em outros escrevo frases célebres de Inri Cristo". Nestes empregos normais a gente também compõe um personagem, mas é até um certo ponto, você ainda é você mesmo de alguma maneira. Quando eu trabalhava na fábrica, por exemplo, eu não escondia a minha cara de pau duro toda vez que a ruivona passava.

Mas neste tem algo diferente, esta coisa de montar um personagem é levada a níveis mais extremos. Por motivos bem óbvios: eu trabalho diretamente com o público e a firma espera de mim uma atitude formal para com os clientes. Não é um lugar onde eu comento que a recepcionista tem cara de puta pobre. "Puta" não faz parte do nosso vocabulário e, lá, "pobre" é "economicamente desfavorecido" ou merda do gênero. O fato de eu trabalhar de uniforme ajuda muito também porque ele vira uma chave de liga e desliga: você se sente outra pessoa, se condiciona a mudar a sua atitude assim que veste esse negócio. Você passa automaticamente para o módulo coxinha-educadinho-e-sexualmente-inativo e vira aquele doce de pessoa.

E acho que eu sou até mais ou menos bom nisso. Quer dizer, já fui elogiado por algumas pessoas, clientes e chefes. Na última semana elogiaram duas vezes a minha postura. "Parabéns pela postura". Usaram esta palavra, postura. Não se referem àquela postura que eu comumente tenho, a de exalar cheiro desagradável, grunhir ao invés de falar e de roer ossos em público, é a postura coxinha-educadinho-e-sexualmente-inativo. Uma coisa totalmente quem diria?* eu acho. Eu não queria ser astro do rock? Então, de certa forma, consegui minha banda, meu público e meu palco, vivo de fazer imagem.

Aí quando alguém me visita no trabalho, e isto aconteceu 3 vezes, eu me sinto desmascarado. Porque geralmente é alguém sabe que eu não sou este tipo de pessoa agradável. Me desoncentro um bocado, não sei o que fazer. Geralmente coloco a mão no bolso, onde deixo um osso de galinha que roí recentemente para não me esquecer de quem realmente sou, e aí uma lágrima emocionada escorre pelo meu rosto. Não quer dizer que eu não me divirta com isso. Me divirto pacas. Mas me desconcentro.

Este post é dedicado à Mulher Casada, em cuja casa já roí muitos ossos e que me desmascarou nesta última 5a feira.


* - não é para tanto: eu sempre soube fazer bem o papel de educadinho bonzinho e etc. Bem neste tipo de situação, vivência rápida sem intimidade ou expectativa de laços com pessoas. Uma coisa bom moço de ser, minha cara ajuda muito. Em geral, eu sou um hit entre mães de amigos. "Aquele menino, tão bonzinho, tão educado, como é que ele chama mesmo?", esse tipo de gente.



Escrito por Klein às 20h22 [ ] [ envie esta mensagem ]



Acho que o que eu podia fazer era refazer esse layout. Dar uma outra cara. Pra ver se volto a me empolgar com esse negócio aqui. Na verdade eu preciso de um blog temático sobre a crise dos 30. Que não necessáriamente veio com 30 anos, já expliquei isso pra vocês. Mas agora eu to com 30 então vocês vão me dar moral para reclamar de chegar aos 30 cheio de bobagens na cabeça. Quando eu tinha 29, as bobagens eram as mesmas, mas eu precisava da idade, vocês sabem. Bom, não vem ao caso, não faz muito tempo que eu falei de crise dos 30 aqui e vocês vão achar que estou sendo repetitivo: o ponto é que eu cansei desse homem bexiga aí em cima e eu queria mesmo me motivar a voltar a escrever. Vou parar de falar de falar de meninas de biquini também, porque isso a gente fala quando a gente tem 15 anos. Quando a gente chega aos 30, conclui que ta fazendo papel de bobo ao falar tanto sobre usa paixão por meninas de biquini (mas ninguém pode me repreender por continuar pensando muito no assunto, eu tenho o direito de continuar tendo 15 anos de idade mental). 



Escrito por Klein às 00h20 [ ] [ envie esta mensagem ]



Vamos lá, a tese de hoje é a de que o maluco sou eu. Porque, não importa muito como isto aconteceu, mas alguém finalmente conseguiu me fazer enxergar a perspectiva do avesso. Olha que a Gata já me contou isto umas 500 vezes. E eu já concordei com ela. Mas, vocês sabem, que a gente tem o hábito de enxergar os próprios defeitos mas não de se incomodar de verdade com eles. "Oh, você tem razão, sou um escroto, preciso melhorar, mas vamos fazer isto depois que eu tiver entendido coisas realmente importantes como as causas da obcessão de adultos pelos brinquedos que vêm no McLanche Feliz". A gente efetivamente percebe, mas não sofre as coisas. Um dia acontece alguma coisa ou a gente simplesmente acorda idiota e passa a pensar pra valer nestas coisas. Geralmente é a hora que a gente pensa que fazer terapia seria legal.

Vou dar um exemplo não recente, mas que ilustra bem. Eu estava traçando saindo com a fulana. Era uma coisa bem casual a princípio. Ela era um tanto carente e eu percebia isto. E não gostava. O problema não era propriamente com a carência em si, mas em eu ser o cara que tinha que resolver isto. E toda aquela densidade psicologica que tinha que ser convertida em mensagens de SMS, MSN, Orkut, por terra, por ar, pelo mar. A Cris diz que o problema é que as mulheres assistem Sex & The City e acham que tem a capacidade de fazer sexo casual quando só conseguem pensar na perspectiva de ter alguém para xingar por esquecer a tampa da privada levantada. Então tem que ter algum clima de romance. Não pode ser uma amizade com foda: é um clima leve de romance. Não sou eu quem to dizendo isto, ok? Foi outra mulher que disse e eu nunca fui mulher para ter certeza de se é isso aí. Enfim: eu não precisava elaborar tudo isto, basta saber que ela era uma pessoa carente (e, oh, nenhum problema com isto: na verdade meio carente todos nós somos, não to chamando ela de aberração - a tese é de que o maluco sou eu) e que existia um mini clima de romance. E que eu não gostava disto porque eu me sentia cobrado... ou culpado... to antecipando o final do texto...

Aí um dia ligo pra ela de tarde dizendo que queria ver ela. Entenda-se: trepar*. E ela responde que à noite tem uma festa, mas que eu poderia ir junto. E eu digo que não, que em festa de gente que eu nunca vi na vida eu não tava a fim de ir. Ela respondeu que então não iria à festa porque prefiria me ver. Fiquei puto da cara. Como assim ela muda a vida dela por minha causa se eu não tenho nada com ela. QUAL É O PRÓXIMO PASSO? LARGAR TUDO PRA VIVER COMIGO NUMA COMUNIDADE HIPPIE, NÃO TRABALHAR E SE ALIMENTAR DE AMOR? Eu não pensei isto não, mas devo ter me sentido como quem pensou.

No caso desta história aí foi a Gata, precursora na tarefa de me dizer que o maluco sou eu, que disse algo como Klein, para de viadagem, se ela quer deixar de ir a uma festa pra ver você, o problema é dela, então sai logo com ela. E a gente saiu mesmo e ela não foi na festa. Que aposto que nem tinha gente pelada, então ela saiu no lucro. Mas a questão é que, antes disto, eu fiquei super indignado de ver alguém se desdobrar um mínimo que seja por minha causa. Me ofende imaginar que eu tenha que ter qualquer influência sobre a vida de alguém com quem eu esteja saindo. Mas, ei, não é isto o que se espera de quando duas pessoas saem? É o que eu diria para qualquer pessoa que estivesse me explicando isto aí. Em casa de ferreiro o espeto é de pau, bla bla bla. Mas por estes dias aconteceu algo mais ou menos nesta linha aí e, outra vez, fiquei meio surtado.

Parece que eu sou desse jeito. Não compro a prestação: junto dinheiro e pago a vista. Porque não gosto de pensar no compromisso de pagar prestações. Quando passei do celular pré para o pós, odiei ser "fidelizado" por 1 ano, achei um abuso. Acho que ando tratando meus relacionamentos assim, como um plano de fidelização mal quisto. Com o adicional de que eu não me importo com a Vivo, mas efetivamente me importo com as meninas com quem eu saio. Até com as malucas: porque o fato de eu estar aceitando de que o maluco sou eu não faz de algumas-muitas delas menos malucas. Eu também tenho esta outra coisa, a de querer que as pessoas pensem que eu sou um cara legal, ainda que meio canalha de vez em quando.

Mas, ei, eu não namorei umas meninas aí uns anos atrás? Teve até quem dissesse que fui sim um bom namorado...


* - em minha defesa gostaria de dizer que também não é uma questão em que eu enxergo as mulheres com quem eu saio como máquinas que podem me satisfazer e que suas idéias, pensamentos e vontades são um defeito de software. Eu não saio com pessoas com quem não consigo sentir algum tipo de atração mínima e não me refiro apenas atração física. Eu tenho que me sentir minimamente à vontade, o que quer dizer que tenho que achar esta pessoa bacana e instigante em alguma coisa que seja. Resumindo: já passei da idade de sair com qualquer piranha e desejar que meu orgasmo a transforme em pizza, como diria aquela nossa conhecida piadinha entre hominhos.

Que saudade da dra. Fátima por estes dias. Vejam, eu até escrevi um texto enorme...



Escrito por Klein às 23h11 [ ] [ envie esta mensagem ]




A crise dos 29

Eu não penso nisto como a crise dos 30. É um pouco ridículo dizer que você está reavaliando toda a sua vida porque você atingiu uma marca de idade. E ainda adotar um decimal exato, o 30, como se o 29 fosse pior ou como se o 31 fosse resolver os problemas do mundo. Se alguém me pergunta eu não falo "é que estou com 30 anos e tendo uma sensação de que estou estagnado em certos pontos sem saber o que fazer para progredir neles". Não penso no 30, só penso que já vivi uma quantidade de anos suficientes pra largar mão de certas babaquices. Mas não da para negar que completei 30 anos de idade e estou repensando na vida. Sabe como somos nós, pessoas que andam na contramão das micaretas: a gente não gosta de se render aos clichês. Eu não gosto e não me rendi, como todos aqui podem perceber. Ou mesmo como o dia dos namorados, que foi justamente numa época em que eu pensava que gostaria de estar namorando. Vejam, não tem qualquer relação com o dia dos namorados. Porque querer namorar no dia dos namorados é coisa de gente babaca. E estou afirmando que não foi isto que aconteceu, notem. Não sou este tipo de gente, eu acho

Tanto faz se é a dificuldade dos projetos de vida, dos pequenos cansaços do dia a dia, da dificuldade extrema que se instalou no quesito sustentar amizades e no crescimento exponencial da minha preguiça de conhecer pessoas e fazer concessões que ferem os meus princípios egoístas, aqueles, que eu sempre cultivei com tanto carinho. Enfim, acho que é uma agonia de proporções moderadas pós aniversário. Pelo menos disto eu escapei: as pessoas gostam de falar de um tal de inferno astral que viria antes do aniversário, não depois.


No mais, estou ensaiando escrever aqui sobre a mulher casada com quem saí duas vezes por estes dias e já estou tentando achar um jeito de fazer sumir da minha vida. Pode me dar bronca e dizer que sair com mulher casada não ajuda a vida de ninguém. Mas é que eu não tenho nada contra mesmo. O que eu tenho contra é ela ser casada e querer criar clima de romance. E eu ainda pagar roaming para ouvir clima de romance com mulher casada. Trate-me como uma mera foda, é o que eu acho. Diz a Cris que mulher nenhuma quer só uma foda. Não sei, eu não sou mulher alguma, o que dirá nenhuma. O que eu acho é que eu ando totalmente nessas de que quem não quer só uma foda sou eu, com a diferença de que eu não perderia meu tempo tentando convencer alguém a querer mais se está evidente que a pessoa não quer. Ou não tem condições práticas para isto (como em "eu tenho um marido").



Escrito por Klein às 14h36 [ ] [ envie esta mensagem ]



Quando como no Burguer King, costumo pensar que ele foi inventado pelo Larry Flint. Quer dizer, você tinha um mundo com a revista Playboy e o McDonald's. Aí veio o Larry Flint e eu penso que as coisas aconteceram exatamente como foi retratado no O Povo Contra Larry Flint: ele olhou a Playboy e disse "mas não é isto que as pessoas querem comer: elas querem carne de verdade". Depois disto alguém levou a frase dele mais ao pé da letra e criou o Burguer King, onde se come carne de mentira, mas com sabor artificial de carne de verdade.

Particularmente eu gosto do Burguer King. Não ligo para a Hustler. Nem para a Playboy, exceto por aquela curiosidade que leva a gente a querer ver do que se trata a celebridade X. Aí a gente ve que se trata de Photoshop e silicone. Carne de verdade, mas com sabor artificial de carne de mentira. Acho que era mais interessante na era pré silicone e photoshop: eles colocavam a Betty Faria, a Hortência e a Lucélia Santos. Daí você podia pensar que não era carne, era só tofu mesmo. Nunca vi peitos de silicone pessoalmente, mas vocês sabem que eu até queria, com aquela menina que se eu encontrar em algum desses hotéis por onde eu ando, as coisas acontecem. (O atrativo não é o silicone, no entanto, são as habilidades dela: tenho meus motivos para acreditar que ela as tem).

Esqueci onde queria chegar com este texto. Não era sobre silicone e photoshop, era sobre Burguer King mesmo porque foi lá que eu comi hoje. Não no puteiro.



Escrito por Klein às 13h33 [ ] [ envie esta mensagem ]



Quando comecei a brincar de blog, achava que ninguém jamais leria aquelas coisas. Então eu realmente falava qualquer coisa. Contava os foras que levava das meninas, contava sobre o quanto odiava seres humanos, contava sobre as angústias de ganhar pouco em um empreguinho fedido e uma vez por semana postava quanto o meu pau media, só para ter certeza de que ele não era mesmo como o nariz ou as orelhas que crescem com a idade. Eu tinha 22 anos, pouca estima pela minha vida e orelhas e narizes menores do que tenho hoje com a idade de 29 anos e uns 20 dias para ter 30. Tinha um grupo de amigos que lia estas minhas tralhas de gente que tem nariz e orelha pequenos e admiravam a minha coragem de me expor. Consideravam que eu era uma pessoa realmente muito transparente e verdadeira. Era a galera desta menina que eu conheci por causa de blog, todo mundo ali achava isso, exceto a menina propriamente. Ela dizia que eu fazia papel de ridículo e que induzia as pessoas a torcer pela minha desgraça. Ficava me desincentivando, de certa forma, a brincar de blog. Eu costumava pensar que ela só tinha inveja porque o blog dela era bom, mas os amigos dela comentavam para ela a respeito do meu, e não do dela. Não acho que eu tinha uma qualidade superior de texto, temas ou qualquer coisa assim: mesmo mesmo acho que eles estavam mais curiosos para saber quem era essa pessoa nova escrevendo, enquanto ela era a mesma que eles já conheciam há uns anos. Ou seja, eu não acreditava que estava me fazendo de coitado, pescando vibrações pessimistas para alimentar ainda mais o meu então pessimismo ou coisa assim: só achava que ela tinha mesmo algo entre o ciúme dos amigos e a inveja. (Inveja de mim, ciúme dos amigos, neste caso era exatamente a mesma coisa). Nunca achei isto. Mas uma coisa é: naquele tempo eu não conhecia a cara e não convivia com ninguém que lia isto daqui, então não tinha vergonha. Acho que ando com isso aí, um misto de vergonha e preguiça de escrever. Mais o primeiro que o segundo. Então nada parece mesmo um assunto, mas eu gosto desse espaço, então to escrevendo isso aqui, que eu carinhosamente estou apelidando de "qualquer coisa" a fim de tentar quebrar um pouco do gelo. Não sei se vai funcionar. Eu poderia falar sobre meus novos planos profissionais, poderia falar sobre a minha recente vontade de namorar e poderia falar sobre como a minha vida adulta anda fazendo tudo parecer tão inviável. Tudo isto é um assunto. No entanto parece que eu não consigo mais elaborar as coisas. Não sei o que acontece. Bloqueio de artista, alguma putaria do gênero, sei lá.



Escrito por Klein às 00h16 [ ] [ envie esta mensagem ]



Meu primeiro autógrafo


Quando eu era criança, lembro que gostei de ler A Droga da Obediência. Do Pedro Bandeira. Aí lembro que tinha até continuação este livro, acho que chamava Pântano de Sangue e depois tinha um Anjo sei lá do que, acho que da Morte. Sei que eu comprei estas continuações em algum evento tipo feira do livro na escola. Eu fui, não sei porque se eu não gostava muito de ler, na verdade. E feira do livro de escola é um evento muito primitivo. Não lembra em nada a feira do automóvel. Você não tinha gostosudas nos estandes para desequilibrar sua testosterona até você querer comprar um livro. Bem, livros são muito diferentes de carros: nunca soube de um homem com complexo de pau pequeno que tentasse compensar isto exibindo sua coleção de livros. Você pode achar que alguém que tem um Jaguar não precisa de centímetros genitais, mas ninguém pensa o mesmo de alguém que tem toda a coleção da Larousse. O que eu sei é que o Pedro Bandeira estava nesta feira e eu achei que seria uma idéia incrível se ele autografasse o meu livro. Não tinha idéia de como era um livro autografado e com dedicatória, achei que ia ter algo especial, falando de como cada leitor é tão especial e que eu tinha mudado a vida dele apenas por ter comprado o livro. Uma semana depois ele me ligaria para agradecer novamente, alegando que não expressou suficientemente o quanto sua vida passou a ser outra muito melhor porque eu tinha comprado os livros. Entreguei o livro na mão dele todo orgulhoso dessa importância toda que eu tinha. Eí ele escreveu Klein, um forte abraço, Pedro Bandeira. Quer dizer, ele podia pelo menos ter se levantado e dado o abraço. Estaria feliz até sem a parte do forte. Só me restou ler o meu abraço e ir embora desse jeito. A droga da obediência. Depois disto, o único autografo que peguei na vida foi do Bruce Dickinson para o encarte do meu Somewhere in Time. Ele também não me deu um abraço.



Escrito por Klein às 02h33 [ ] [ envie esta mensagem ]



Tem essa entrevista nas páginas amarelas da Veja desta semana com esse maluquinho que eu não lembro o nome. A revista não está aqui e não sei mais onde está. Não sei o nome dele, por isto vou me resumir a chamá-lo de este maluquinho mesmo. E ele fala sobre a crise de identidade do homem depois que os sutiãs queimadas mas as cuecas continuaram sujas e cheias de feadas. Porque depois de queimados os sutiãs, não sobrou ninguém para limpar as nossas cuecas e todo mundo descobriu que somos mesmo um bando de cagalhões. Mas enfim, o caso é que ele bate muito na tecla de que o homem precisa viver a fantasia de que é um aventureiro e até um super herói, e que precisa despirocar e perder a noção da realidade. Tão pertinente achar isto da gente, porque eu acho que é por aí mesmo. Quer dizer, super herói pode ter um sentido muito amplo mesmo, você pode ser o herói que venceu na vida, que quebrou o recorde dos 100m rasos, que conseguiu muito dinheiro na vida e pode comprar um carro com um capô comprido e inversamente proporcional ao tamanho do seu pau. (Ou, claro, você pode ser o tipo de herói que salvou Tóquio de um lagarto gigante que soltava raios pelos olhos, já vi muitas pessoas que trabalham dia e noite para ser este tipo de herói... acho que são conhecidos como cosplayers). As mulheres também adoram a figura do herói, claro. Até a do herói que é herói porque ta cheio da grana: você pode achar machista falar que mulher só gosta de dinheiro, eu tambám acho, mas que tem mulher que só gosta de dinheiro, isso tem. Não condeno, definitivamente. Porque eu adoro dinheiro. Eu gosto de dinheiro e de mulher. Mulheres que gostam só de dinheiro têm mais foco do que eu, portanto. Mas tem todo o sentido porque mulher quer se sentir protegida, e nada melhor que ser protegida pelo super herói. (Pode apostar que o cara que empalhou o lagarto gigante e está usando ele para decorar a sala do apartamento come mulher pra caralho). A parte de ser aventureiro é mais difícil pra uma mulher entender porque isto requer não ter os pés no chão. As mulheres não costumam ter os pés no chão quando o assunto é romance. Os homens não têm pé no chão no restante dos assuntos do mundo. Romance a gente simplesmente não entende o suficiente para poder inventar moda a respeito. Acho que eu nunca fui muito bem um super herói, fui mais o aventureiro. Uma vez eu me aventurei a virar astro do rock (rá rá rá - gosto de me defender disto alegando o uso de antidepressivos... o que não é muito heróico). Outra eu me aventurei a largar tudo o que fazia, tudo o que me dava segurança, para trabalhar na aviação e dormir cada dia em um lugar diferente. Teve uma que eu fui corretor de seguros, trabalhava de camisa e gravata das 9:00 às 18:00 e me aventurei a usar um bigode e um cavanhaque que não continham qualquer traço de dignidade: foi com certeza a época mais audaciosa, corajosa e arrojada da minha vida. Uma vez eu contei pra uma namorada que eu já tinha saltado de para-quedas. Ela respondeu que eu era muito corajoso. Fiquei orgulhoso de mim. Ela me deu um pé na bunda umas duas semanas mais tarde.


Na entrevista ele fala disso e explica que o homem procura apoio na hora de viajar na maionese. Concordo com isso também, eu achava lindo toda vez que uma namorada ou qquer menina com quem eu estivesse de conversa mole falasse algo como "dou o maior apoio à sua idéia de viajar para o espaço sideral em busca de novas formas de vida". Pensava que isso é que era mulher de verdade. Na alegria, na tristeza e nos níveis extremos de burrice. Mas assim, não bastasse menstruar uma vez por mês, ainda tem que apoiar esse tipo de coisa. Definitivamente estou feliz por ter nascido homem.



Escrito por Klein às 17h42 [ ] [ envie esta mensagem ]




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Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe germânico. Blá blá blá. Todo mundo já está de saco cheio deste papo de príncipe germânico, vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão. O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos de chocolate para vender na vizinhança.

Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.

De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim, se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!

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