Quando como no Burguer King, costumo pensar que ele foi inventado pelo Larry Flint. Quer dizer, você tinha um mundo com a revista Playboy e o McDonald's. Aí veio o Larry Flint e eu penso que as coisas aconteceram exatamente como foi retratado no O Povo Contra Larry Flint: ele olhou a Playboy e disse "mas não é isto que as pessoas querem comer: elas querem carne de verdade". Depois disto alguém levou a frase dele mais ao pé da letra e criou o Burguer King, onde se come carne de mentira, mas com sabor artificial de carne de verdade.

Particularmente eu gosto do Burguer King. Não ligo para a Hustler. Nem para a Playboy, exceto por aquela curiosidade que leva a gente a querer ver do que se trata a celebridade X. Aí a gente ve que se trata de Photoshop e silicone. Carne de verdade, mas com sabor artificial de carne de mentira. Acho que era mais interessante na era pré silicone e photoshop: eles colocavam a Betty Faria, a Hortência e a Lucélia Santos. Daí você podia pensar que não era carne, era só tofu mesmo. Nunca vi peitos de silicone pessoalmente, mas vocês sabem que eu até queria, com aquela menina que se eu encontrar em algum desses hotéis por onde eu ando, as coisas acontecem. (O atrativo não é o silicone, no entanto, são as habilidades dela: tenho meus motivos para acreditar que ela as tem).

Esqueci onde queria chegar com este texto. Não era sobre silicone e photoshop, era sobre Burguer King mesmo porque foi lá que eu comi hoje. Não no puteiro.



Escrito por Klein às 13h33 [ ] [ envie esta mensagem ]



Quando comecei a brincar de blog, achava que ninguém jamais leria aquelas coisas. Então eu realmente falava qualquer coisa. Contava os foras que levava das meninas, contava sobre o quanto odiava seres humanos, contava sobre as angústias de ganhar pouco em um empreguinho fedido e uma vez por semana postava quanto o meu pau media, só para ter certeza de que ele não era mesmo como o nariz ou as orelhas que crescem com a idade. Eu tinha 22 anos, pouca estima pela minha vida e orelhas e narizes menores do que tenho hoje com a idade de 29 anos e uns 20 dias para ter 30. Tinha um grupo de amigos que lia estas minhas tralhas de gente que tem nariz e orelha pequenos e admiravam a minha coragem de me expor. Consideravam que eu era uma pessoa realmente muito transparente e verdadeira. Era a galera desta menina que eu conheci por causa de blog, todo mundo ali achava isso, exceto a menina propriamente. Ela dizia que eu fazia papel de ridículo e que induzia as pessoas a torcer pela minha desgraça. Ficava me desincentivando, de certa forma, a brincar de blog. Eu costumava pensar que ela só tinha inveja porque o blog dela era bom, mas os amigos dela comentavam para ela a respeito do meu, e não do dela. Não acho que eu tinha uma qualidade superior de texto, temas ou qualquer coisa assim: mesmo mesmo acho que eles estavam mais curiosos para saber quem era essa pessoa nova escrevendo, enquanto ela era a mesma que eles já conheciam há uns anos. Ou seja, eu não acreditava que estava me fazendo de coitado, pescando vibrações pessimistas para alimentar ainda mais o meu então pessimismo ou coisa assim: só achava que ela tinha mesmo algo entre o ciúme dos amigos e a inveja. (Inveja de mim, ciúme dos amigos, neste caso era exatamente a mesma coisa). Nunca achei isto. Mas uma coisa é: naquele tempo eu não conhecia a cara e não convivia com ninguém que lia isto daqui, então não tinha vergonha. Acho que ando com isso aí, um misto de vergonha e preguiça de escrever. Mais o primeiro que o segundo. Então nada parece mesmo um assunto, mas eu gosto desse espaço, então to escrevendo isso aqui, que eu carinhosamente estou apelidando de "qualquer coisa" a fim de tentar quebrar um pouco do gelo. Não sei se vai funcionar. Eu poderia falar sobre meus novos planos profissionais, poderia falar sobre a minha recente vontade de namorar e poderia falar sobre como a minha vida adulta anda fazendo tudo parecer tão inviável. Tudo isto é um assunto. No entanto parece que eu não consigo mais elaborar as coisas. Não sei o que acontece. Bloqueio de artista, alguma putaria do gênero, sei lá.



Escrito por Klein às 00h16 [ ] [ envie esta mensagem ]



Meu primeiro autógrafo


Quando eu era criança, lembro que gostei de ler A Droga da Obediência. Do Pedro Bandeira. Aí lembro que tinha até continuação este livro, acho que chamava Pântano de Sangue e depois tinha um Anjo sei lá do que, acho que da Morte. Sei que eu comprei estas continuações em algum evento tipo feira do livro na escola. Eu fui, não sei porque se eu não gostava muito de ler, na verdade. E feira do livro de escola é um evento muito primitivo. Não lembra em nada a feira do automóvel. Você não tinha gostosudas nos estandes para desequilibrar sua testosterona até você querer comprar um livro. Bem, livros são muito diferentes de carros: nunca soube de um homem com complexo de pau pequeno que tentasse compensar isto exibindo sua coleção de livros. Você pode achar que alguém que tem um Jaguar não precisa de centímetros genitais, mas ninguém pensa o mesmo de alguém que tem toda a coleção da Larousse. O que eu sei é que o Pedro Bandeira estava nesta feira e eu achei que seria uma idéia incrível se ele autografasse o meu livro. Não tinha idéia de como era um livro autografado e com dedicatória, achei que ia ter algo especial, falando de como cada leitor é tão especial e que eu tinha mudado a vida dele apenas por ter comprado o livro. Uma semana depois ele me ligaria para agradecer novamente, alegando que não expressou suficientemente o quanto sua vida passou a ser outra muito melhor porque eu tinha comprado os livros. Entreguei o livro na mão dele todo orgulhoso dessa importância toda que eu tinha. Eí ele escreveu Klein, um forte abraço, Pedro Bandeira. Quer dizer, ele podia pelo menos ter se levantado e dado o abraço. Estaria feliz até sem a parte do forte. Só me restou ler o meu abraço e ir embora desse jeito. A droga da obediência. Depois disto, o único autografo que peguei na vida foi do Bruce Dickinson para o encarte do meu Somewhere in Time. Ele também não me deu um abraço.



Escrito por Klein às 02h33 [ ] [ envie esta mensagem ]



Tem essa entrevista nas páginas amarelas da Veja desta semana com esse maluquinho que eu não lembro o nome. A revista não está aqui e não sei mais onde está. Não sei o nome dele, por isto vou me resumir a chamá-lo de este maluquinho mesmo. E ele fala sobre a crise de identidade do homem depois que os sutiãs queimadas mas as cuecas continuaram sujas e cheias de feadas. Porque depois de queimados os sutiãs, não sobrou ninguém para limpar as nossas cuecas e todo mundo descobriu que somos mesmo um bando de cagalhões. Mas enfim, o caso é que ele bate muito na tecla de que o homem precisa viver a fantasia de que é um aventureiro e até um super herói, e que precisa despirocar e perder a noção da realidade. Tão pertinente achar isto da gente, porque eu acho que é por aí mesmo. Quer dizer, super herói pode ter um sentido muito amplo mesmo, você pode ser o herói que venceu na vida, que quebrou o recorde dos 100m rasos, que conseguiu muito dinheiro na vida e pode comprar um carro com um capô comprido e inversamente proporcional ao tamanho do seu pau. (Ou, claro, você pode ser o tipo de herói que salvou Tóquio de um lagarto gigante que soltava raios pelos olhos, já vi muitas pessoas que trabalham dia e noite para ser este tipo de herói... acho que são conhecidos como cosplayers). As mulheres também adoram a figura do herói, claro. Até a do herói que é herói porque ta cheio da grana: você pode achar machista falar que mulher só gosta de dinheiro, eu tambám acho, mas que tem mulher que só gosta de dinheiro, isso tem. Não condeno, definitivamente. Porque eu adoro dinheiro. Eu gosto de dinheiro e de mulher. Mulheres que gostam só de dinheiro têm mais foco do que eu, portanto. Mas tem todo o sentido porque mulher quer se sentir protegida, e nada melhor que ser protegida pelo super herói. (Pode apostar que o cara que empalhou o lagarto gigante e está usando ele para decorar a sala do apartamento come mulher pra caralho). A parte de ser aventureiro é mais difícil pra uma mulher entender porque isto requer não ter os pés no chão. As mulheres não costumam ter os pés no chão quando o assunto é romance. Os homens não têm pé no chão no restante dos assuntos do mundo. Romance a gente simplesmente não entende o suficiente para poder inventar moda a respeito. Acho que eu nunca fui muito bem um super herói, fui mais o aventureiro. Uma vez eu me aventurei a virar astro do rock (rá rá rá - gosto de me defender disto alegando o uso de antidepressivos... o que não é muito heróico). Outra eu me aventurei a largar tudo o que fazia, tudo o que me dava segurança, para trabalhar na aviação e dormir cada dia em um lugar diferente. Teve uma que eu fui corretor de seguros, trabalhava de camisa e gravata das 9:00 às 18:00 e me aventurei a usar um bigode e um cavanhaque que não continham qualquer traço de dignidade: foi com certeza a época mais audaciosa, corajosa e arrojada da minha vida. Uma vez eu contei pra uma namorada que eu já tinha saltado de para-quedas. Ela respondeu que eu era muito corajoso. Fiquei orgulhoso de mim. Ela me deu um pé na bunda umas duas semanas mais tarde.


Na entrevista ele fala disso e explica que o homem procura apoio na hora de viajar na maionese. Concordo com isso também, eu achava lindo toda vez que uma namorada ou qquer menina com quem eu estivesse de conversa mole falasse algo como "dou o maior apoio à sua idéia de viajar para o espaço sideral em busca de novas formas de vida". Pensava que isso é que era mulher de verdade. Na alegria, na tristeza e nos níveis extremos de burrice. Mas assim, não bastasse menstruar uma vez por mês, ainda tem que apoiar esse tipo de coisa. Definitivamente estou feliz por ter nascido homem.



Escrito por Klein às 17h42 [ ] [ envie esta mensagem ]



Tipo essa menina. Inteligente, culta, sabe conversar, agradável e carismática. Aí quando eu suspeitei que ela tivesse todas estas qualidades, mas ainda duvidava, encontrei ela depois do expediente sem o uniforme e confirmei que era tudo verdade porque, segundo meus critérios, quem tem tudo aquilo pra mostrar em um decote é merecedora destes adjetivos. Sem ironias. Aí ela comenta que assistiu ao Pânico e fala sobre uma aparição da Ana Maria Braga e eu continuo jurando pra você aí que não estou sendo irônico. Acho que a cena era algo do tipo a Ana Maria Braga chegando em qualquer lugar, dirigindo um Porsche e fazendo merda com o carro. No assento do passageiro um tal de marido da Ana Maria Braga e aí o comentário era algo do tipo "nossa, coitado desse cara, ninguém nem sabe o nome dele!".

- Sorte a dele se ninguém sabe!

Porque eu penso que se você é namorado da Ana Maria Braga e você tem algum desejo de ficar famoso, ter sua cara na capa da Caras e seu nome anunciado na liquidação do assougue, não é muito difícil. Esse cara só pode estar a fim de permanecer anônimo. Tinha aquele marido da Suzana Vieira, todo mundo sabe o nome do cara, que ele traiu ela com uma mulher com cara de pistoleira mas bem gostosa e que depois morreu de tanto cheirar. Ok, eu não lembro o nome dele, mas eu lembro da pistoleira gostosa, já é muito mérito. Enfim, em última instância, sobre o cara lá, da pra assumir, pelo menos, que ele não quer ficar famoso por ser marido da Ana Maria Braga.

A menina argumentou, com outras palavras, que se ninguém sabia o nome dele, é porque ele é um bosta. Bom, o da Suzana Vieira então não devia ser um bosta.

Depois ela ainda dissertou sobre o quanto é feio que seja a Ana Maria Braga quem dirige o tal do Porsche, dando a entender que é feio mulher dirigir carro com marido ou similares no banco do passageiro. Afirmando isso daquele jeito, inteligente, culta, sabendo conversar, agradável, carismática. Peituda. E eu pensando em quantos sutiãs foram queimados em vão. Ela não queimou o dela, aparentemente. Até porque precisava de algo para sustentar aquele adorno todo. Pensei em queimar a minha cueca também, mas é incômodo andar sem cueca. Se você é mulher, eu te conto, que aquela coisa toda balançando é estranha. E não achei uma causa paupável para simbolizar o ato de atear fogo na minha cueca. Nem nas velhas, furadas, freadas, etc.

- Eu não ligaria de chegar em um lugar com a minha namorada dirigindo o carro.

- Ah, eu acho estranho... bom, mas se for porque o carro é meu... de repente, mas não sempre... até vai... mas sei lá, é estranho...

- É... se fosse na televisão, eu não faria.


Não juro mais que não estou sendo irônico.

No mais ela passou outros dias dissertando sobre coisas como o namorado da amiga que é sossegado demais. "Nunca demonstra nenhum ciúme. Deixa ela ir pra balada sozinha porque prefere ficar em casa dormindo". Pra mim pareceu um belo acordo. Não com essa menina, evidentemente, que eu já acho que nem é mais tão peituda assim.


Mentira que eu perdi o interesse nela depois disso aí tudo. Eu perdi o interesse mesmo foi quando ela me mostrou fotos de uma viagem dela com o ex noivo.



Escrito por Klein às 19h14 [ ] [ envie esta mensagem ]



Sansão e seus cabelos


Não é verdade que na vida toda eu tive 3 namoradas. Na verdade eu tive 5 namoradas. O caso é que as duas pimeiras duraram algo tipo um mês. As seguintes duraram bem mais: 6 meses a primeira, 9 a segunda e outros 6 a terceira. E aí você pode falar que um cara que não consegue estabelecer um relacionamento duradouro não pode ser uma boa muito suportável.

Em minha defesa... em minha defesa eu não tenho nada a declarar. No entanto eu posso fazer a coisa parecer pior: eu conto, por exemplo, 6 meses, incluindo aquele tempo que as pessoas saem e ainda não chamam de namoro, não é oficial, você não disse "quer namorar comigo e coçar minhas frieiras nas noites de sábado" e ela não respondeu "claro, eu adoro frieira". Mas eu tenho tenho todo o direito de contar esse tempo como parte integrante dos meus namoros: os casinhos que prescederam estes namoros já tinham cara de namoro desde cedo, muito antes de toda essa coisa de frieira. Em no máximo duas semanas eu já estava conhecendo os pais maniaco depressivos, as mães estelionatárias e os irmãos interceptadores de mercadoria roubada e fazendo programas tipo assistir filme ruim estirado no sofá da sala da casa delas.

Mas voltando ao assunto das 5 namoradas, o mais impressionante mesmo não é eu ter tido tantos (sic) namoros nesta vida. O impressionante mesmo é que eu já dei um pé na bunda de uma namorada. Na primeira, ainda por cima. O que é bem coerente considerando que foi um namoro insólito: conheci ela no colegial, logo que mudei para a escola de formação de japoneses (um erro na minha vida: nunca consegui me tornar um japonês... dizem que você precisa nascer no japão para conseguir isto). Aí eu conheci essa menina, que nem vou entrar no mérito de descrever, mas é o tipo de pessoa que quis namorar comigo naquela época

Por naquela época vocês devem entender duas coisas. A primeira é que eu tinha cara de criança, era tão pálido quanto sou hoje, aquela cara de nada. A segunda é que eu tinha cabelo comprido. O cabelo comprido era para ser metaleiro, para parecer o tipo de pessoa que mata um bode com os próprios dentes todos os dias na hora do jantar, mas como eu tinha a cara de criança, na verdade eu parecia mesmo uma menina. E uma menina nada metaleira, visto que nunca usei camisetas de banda. Aí vocês pensam que eu namorava com uma menina que namorava um cara que parecia uma menina. E quem deu o fora, ainda assim, fui eu.

Não lembro por que exatamente eu dei o fora nela. Também não lembro por que eu namorei ela em primeiro lugar. Acho que eu não queria ter que ficar até mais tarde na escola para namorar. Ficava preocupado com o trânsito ou simplesmente com preguiça de não estar em casa dormindo no meu quarto. Depois disso eu precisei parar de parecer uma menina para namorar de novo: cortar o cabelo foi a melhor coisa que 4 anos de faculdade de propaganda e marketing me proporcionaram. Mas depois disso eu sempre levei pé na bunda, então continuo não entendendo a relação entre as coisas na minha busca incansável pela fórmula do relacionamento afetivo perfeito.


Eu parecia uma menina. Eu sabia disso. Uma vez, neste curto namoro, eu tava dando uns beijos na minha namorada e eu ouvi algo como "olha, duas meninas se beijando". Ela não se importava mesmo com isso, o que me leva a afirmar assertivamente que ninguém jamais me amou como essa menina.



Escrito por Klein às 21h14 [ ] [ envie esta mensagem ]



Pequenas doses para dores diárias


Não é a primeira vez que eu tenho texto publicado em algum livro, na verdade: uma vez eu tava na escola, 7a, 8a série, qualquer coisa do gênero, e a gente tinha que entregar um poema. Lição de casa. A professora pediu para a gente passar a limpo e entregar para ela. Perguntei o que aconteceria com quem não entregasse e ela disse que tiraria zero. Caralho, pra nota ainda por cima, né? Então escrevi um punhado dos versos mais cafonas que eu pude e entreguei. Na outra semana ela entregou tudo corrigido - porque eu estudei nesse tipo de escola, que corrige poemas - e anunciou para todos que eu tirei um milagroso 10. Depois disso ela escolheu o meu poema para entrar numa antologia de textos da escola: tinha escrito o pior poema de todos os tempos e, ainda assim, ele estava entre os 40 ou 50 melhores poemas escritos pelos alunos da 8a série naquele ano, o que me leva a crer que só eu e outro 39 ou 49 idiotas achamos que realmente seria importante não tirar zero num poema.

Esse aí foi legal, fez parte daquele site, o Morfina, que não existe mais. Um grupo entusiasmado de gente que gostava de escrever e, de repente, não estava mais tão entusiasmado assim. O site morreu. Mas antes dele morrer, um dos colaboradores, que é produtor cultural, sugeriu que entrássemos em uma concorrência pública de projetos literários. Passamos e aí está o fruto desta brincadeira. Tem dois textos meus neste livro (eu sugeri uns 5 e escolheram 2 que acharam melhor), ambos no capítolo "amor". Ironico pra quem considera que não entende mais absolutamente nada sobre o assunto e que meio que nem liga. São todos textos que já passaram por aqui. Achei que ia entrar aquele texto sobre como eu e a Bia começamos a namorar, fez muito sucesso na época porque eu falava qualquer coisa sobre o cupido enfiar dedo no cu de quem se apaixona. Todo mundo adora texto que menciona sexo anal. Não entrou. Entrou um sobre minha sobrinha metida e um sobre o que estou achando que é o meu devaneio mais homem heterossexual que já coloquei na forma de um texto nessa vida. Fala sobre peitos, bundas e a vontade de comer todo mundo, em resumo.

Quando o projeto tava pra rolar, esse carinha produtor cultural, me chamou de canto durante um churrasco para conversar. Ele queria que eu entrasse em paralelo com algo que seria um livro só meu. Era um churrasco e ele queria me convencer a ser escritor. Enquanto eu acreditava que churrasco era uma ocasião para comer carne e beber cerveja. Aí eu mandei uns textos lá e eu quase passei na mesma concorrência. Ainda bem que não deu certo, não sou escritor. Eu tenho um blog, é bem diferente. E até que escrevo direitinho, gosto do meu jeito de escrever, mas longe de ser objeto de um livro, o que seria um esforço menos divertido que comer carne e beber cerveja. E eu não me pareço com um escritor: escritores tem vidas interessantes, são perturbados, não entendem o mundo e eventualmente se suicidam em algum momento da vida. Eu não, eu sou certinho. Eu durmo de meias porque tenho frio nos pés. E tenho um emprego com carteira de trabalho assinada, aquela azulzinha: um escritor de verdade jamais saberia a cor de uma carteira de trabalho, ele passaria muito tempo de sua vida ocupado fazendo algo do tipo beber até morrer por um amor não correspondido, o que não lhe daria tempo de pensar em algo do tipo "qual a cor da carteira de trabalho".

Ainda assim, entreguei meus textos para o cara. Ele não me deixaria comer carne e beber cerveja se eu não dissesse que daria. Acabou não dando em nada, evidentemente.


A pergunta vai ser sempre a mesma: se agora que eu sou um blogueiro que tem textos publicados em um livro de verdade, eu vou começar a ser chamado para aquelas festas de gente de internet que são cheias de comida e de mulher gostosa. Tipo o Campus Party, onde deve rolar muita droga e venda ilegal de armas também. Acho que não, eu não tenho esse tipo de prestígio, o que é bem merecido.

O capítulo - não bem um capítulo, uma seção, vai! - "Amor" é o maior do livro, o que mais tem textos. Ou está em segundo lugar: disputa pau a pau com o capítulo "non sense". Vejam que adequado.

O Morfina, o site, nasceu de um blog homônimo. É um dos meus blogs favoritos de todos os tempos, não to falando isso porque a Vanessa, a autora, é minha amiga. Ele era foda mesmo.



Escrito por Klein às 12h19 [ ] [ envie esta mensagem ]



Pandemia de caxumba do porco.


Eu sempre fico meio puto quando existem estas situações de pânico e histeria coletiva. Claro que essa tal de gripe do porco deve ser séria e tal. Eu não sei, não to muito preocupado. Porque eu não tenho um porco. Gripe eu não tenho mais, mas já tive duas este ano. Só que as que eu tive eram de gente mesmo, não de porco. Depois disto, tem isso agora: ocorreu toda uma situação que ia virar um post com o tema Klein vs Hospital Rubem Berta, mas achei que to com preguiça de contar essa história. Mas o caso é que eu estou doente e fiquei alguns dias sem saber o que é que eu tinha. Porque ninguém sabia. Quer dizer, eu e algumas pessoas pareciamos saber: tenho febres e tenho um gânglio do lado direito do meu pescoço. Esquerdo para você que está me vendo. Enfim, eu sabia o que era, você sabe o que é e a vovó Donalda com sua colher de pau fazendo o almoço de domingo pra família também sabem. Dois idiotas lá do Rubem Berta, no entanto, estudaram uns, sei lá, 8 anos de medicina para se tornarem especialistas em otorrinolaringologia e nem desconfiaram que o que eu tenho se chama cachumba.

Aliás, o que é uma pessoa que tem cachumba com quase 30 anos de idade? Eu acordo de manhã, olho pro espelho e penso: ta aí um cara que não da para respeitar. Não tem moral com ninguém alguém que tem caxumba aos 30, é algo terrível. É como se alguém montasse um palco no meio da Paulista e você subisse nele e lá em cima estivessem a Salma Hayek, a Halle Berry e a Penelope Cruz, e, de repente, você se ve combinando uma tremenda suruba com elas, você e as três, e as pessoas da Paulista param para assistir a isso de tão incrível que você é por conseguir, elas assobiam, gritam, já tem até gente com faixa com seu nome mas, de repente, um pivete com uns 6 anos de idade entra correndo no palco. E puxa suas calças para baixo. E você está com uma cueca bege. Tenho certeza de que é a mesma sensação. Aposto que se alguém passasse por isto, pensaria "putz, é como ter caxumba com 30 anos de idade".

Voltando às pessoas alarmadas. Aí eu contei nesse tempo em que não tinha um diagnóstico que estava com isso aí e todo mundo (menos os dois imbecis diplomados ou diplomados imbecis do Rubem Berta, como já disse) falou que devia ser caxumba, que ela ia descer pro meu saco e eu ia virar eunuco, essas coisas. Mas algumas pessoas vieram cogitar seriamente que eu visse se não estava com a tal gripe do porco. E puta merda, né? "Mas Klein, você esteve em NY há pouco tempo". Oi, amanhã completam 4 semanas que voltei de lá. E gripe do porco não da gânglio. Eu também queria dizer que conheço o cara que importou a gripe do porco para o Brasil, gente, mas eu não posso me passar por este cara. 

Quer dizer, as pessoas ficam tão tomadas com essa coisa de pânico e histeria que só pensam que a doença vai chegar e que todo mundo vai morrer. Eu vejo o tempo todo matérias no jornal de gente reclamando de desinformação, mas acho que ninguém realmente foi atrás dessa tal informação. E aquela coisa de como nego gosta mesmo é de reclamar, não de ver as coisas dando certo, porque se pra dar certo depende de você ter que ir atrás de saber, você não vai e a culpa é da falta de informação. O mesmo telejornal que todo dia mostra esse povo reclamando, repete os sintomas da gripe do porco. O que você quer? Que o ministro da saúde ligue pessoalmente pra sua casa e te explique? E até lá você vai ficar enchendo o meu saco dizendo que posso estar com a gripe do porco e que isso não é uma piada?

Acho que essa merda acaba chegando aqui. Mas que não vai ser pandemônio estilo o que está no México porque as fronteiras já estão muito monitoradas. Quer dizer, vão chegar pessoas com esse troço, mas todos estarão de olho nelas e vão conter o quanto podem. Difícil sair de controle, sério. E aqui no Brasil é mais provável que vire uma coisa meio Bug do Milênio. Lembro de histórias de pessoas que fizeram provisões de alimentos em casa com medo do bug do milênio. Aqui nego vai começar a fazer a maior farra recheando armário de casa com resfenol e máscara cirurgica pra, no fim, não dar nada. To apostando nisso! Bando de gente histérica!


Também que eu não tenho muita paciência com essa coisa de problema de saúde. Acho que se um dia alguém enfiar um machado no meu cérebro eu vou dizer "ah, eu já tive pior, vamos tomar uma cerveja que eu resolvo isso mais tarde". Sei lá. Acho que eu penso assim porque eu nunca morri.



Escrito por Klein às 01h12 [ ] [ envie esta mensagem ]



NY - a minha viagem muito louca de verão pt.2


Comparar é inevitável, claro. A Mary foi quem disse a coisa que eu repito para todo mundo sobre esse tema, mas, no caso, o assunto era Buenos Aires. Comentei com ela como o Maradona era mesmo um ídolo por lá e, em outras proporções, existiam outros heróis nacionais sendo exaltados. (Eu comprei um imã de geladeira lá: Fangio, una vita, una legenda). Mas o Maradona é o cara na Argentina (depois do Homer Simpson, claro). E ela respondeu que, se no Brasil, você tiver um poster do Pelé na parede do seu quarto, alguém vai dizer que você é cafona. A gente tem uma vergonha engraçada das nossas coisas porque a gente sempre acha que tudo o que a gente faz é pior.

Aí a gente fica resmungando que gringo pensa da gente que o Brasil tem 4 quarteirões. No primeiro tem a floresta amazônica, no segundo tem o pão de açucar, no terceiro tem os traficantes (sem contar os que supostamente moram no morro do Pão de Açucar) e, no quarto, você tem um conjunto habitacional onde só moram mulatas de bunda grande. Uma das avenidas destes 4 quarteirões seria, evidentemente, a Sapucaí.

Mas a minha conclusão é de que a gente tem mais prestígio do que se pensa. E a gente sequer sabe das coisas bacanas que a gente deixou por aí. Eu não sabia que o prédio da ONU tinha dedo do Niemeyer. Muito menos que tinha um painel do Portinari lá dentro. A japinha que guiou a visita pediu pra gente ajudar a falar o nome dele quando chegasse a hora certa. Aí, na hora de ir embora, eu tava sentado num banco arrumando minha mochila quando um senhor perguntou de onde eu era. Falamos amenidades sobre o Brasil e ele disse "I think mr. da Silva has been doing a great job"

E eu fiz q.

Não, eu estava nos EUA, então eu fiz w.

Ele explicou de quem tava falando e expliquei que não tinha entendido porque ninguém aqui chama ele de senhor da Silva, mas de Lula. E falei que concordava com ele, porque eu concordo mesmo, e que ele era uma figura polêmica porque tinha uma orientação um pouco mais social e muita gente não gostava disso. Eu tive que sair dos EUA pra poder falar para alguém essa opinião: todos os dias eu trabalho com pessoas que odeiam o Lula. Falam que ele é um mau presidente porque fala errado ou porque tem um dedo a menos. Outro dia eu cortei o dedo e não consegui tomar nenhuma decisão boa para o meu dia, imagina então se eu perdesse o dedo todo, né? E que o Lula é culpado pela crise: eu trabalho com gente que ganha quase R$ 10.000,00 de salário, com carteira de trabalho assinada, e está reclamando de crise. Perguntaram pro Morrissey como ele ia resolver a crise, lá no Carnegie Hall, e ele disse que não acredita na crise. Morrissey deve ser brasileiro. E eu não sei onde a gente coloca o mr. da Silva nessa história: na amazônia, no morro, no pão de açucar ou dormindo no meio das mulatas.


No Madame Tussaud Museum, o museu dos bonecos de cêra, tem uma estátua do Ayrton Senna e outra do Pelé. Pra gente eles são, respectivamente, nome de rodovia e garoto propaganda do Viagra. Não que a gente não se orgulhe deles, mas é um orgulho tímido. Não é inflamado como o orgulho do argentino ou do americano dos seus heróis. Eles colocam toda a máquina da propaganda deles para manter isso funcionando. E esse orgulho tem tanta importância, se você parar para pensar... movimenta dinheiro, inclusive. Mas enfim, meu ponto é: na terra em que o basquete e a fórmula Indy são populares porque eles são ruins demais para jogar futebol ou correr na F1, tem dos nossos lá. É uma forma de reconhecer e de se curvar.

Ah, não da pra não comentar: tem o Ayrton Senna... mas não parece nem um pouco com ele. Acho que é o Ayrton Senna depois da Tamburelo, só pode ser isso.



Escrito por Klein às 13h35 [ ] [ envie esta mensagem ]



Vamos combinar o seguinte então: a partir de agora eu não converso mais com as pessoas sobre assuntos polêmicos. Falo se elas se comprometerem a serem amordaçadas. As pessoas se irritam, tudo vira pessoal, é um saco. Não falo mais de futebol, que eu já falava pouco antes. Não falo mais sobre política, religião, visão política, ideologia, certo e errado. Não falo mais de Big Brother, nem ano que vem eu falo mais disso. Não falo mais sobre banda ruim. De repente eu até paro de falar sobre meninas de biquini, acho que até isso deixou de ser uma unanimidade nesse mundo. A partir de agora, eu só falo sobre coisas exatas. Meu assunto prefirido agora são os números. Você me chama para tomar cerveja e eu vou falar sobre raiz quadrada. Não vou discutir nem qual a cerveja que se deve tomar para falar sobre raiz quadrada. O que se sabe de novo sobre os números ímpares? Descobriram algum novo? Não se sabe nada, não é uma discussão. Tudo o que a gente conversa que não são números podem abalar relações interpessoais.

(E nem tenta me enganar querendo falar sobre estatística: estatística não é número, é dado coletado. 106,83% da população mundial aprecia meninas de biquini. Eu acredito numa pesquisa dessas porque acredito que algumas pessoas fazem mitose, meiose, sei lá, para virarem duas ou três porque, tudo o que elas gostam de meninas de biquini, não cabe em uma pessoa só. Mas você aí é capaz de falar que não acredita num número tipo 106,83% numa pesquisa. A minha resposta vai ser bem, 106,83% é um número que existe, vem logo depois do 106,82%).



Escrito por Klein às 21h05 [ ] [ envie esta mensagem ]



Nova Iorque - a minha viagem muito louca de verão

Dessas viagens pra onde tudo é realmente diferente - e olha que NY nem é TÃO diferente assim... porque é um lugar muito multicultural, muito mesmo, ainda mais do que eu imaginava - a gente fica meio cheio de dedos pras coisas do dia a dia. Eu tava ali escrevendo exatamente isto para a Annix, que bem me encheu de dicas antes de viajar. Uma das dicas dela foi "se você for comer em algum lugar onde você efetivamente se senta para isto, você não deve esquecer de dar gorjeta, eles levam isto a sério". Tipo, qualquer lugar que não seja McDonald's, Burguer King, Starbucks ou o podrão da esquina. Porque lá, estes são os podrões de esquina mesmo.

Então no meu primeiro dia... bem, no meu terceiro dia: eu bem fui ao Starbucks nos dois primeiros... nesse meu terceiro dia, então, eu sentei num daqueles restaurantes bem típicos, dos que a gente ve na televisão. Não sei explicar, mas vocês sabem: eles são bonitinhos e têm mesinhas com bancos de dois lugares de um lado e outros dois do outro, para que dois e dois se sentem um em frente ao outro. Iguais àqueles que tem nos Jardins e que pra pagar você precisa vender seus órgãos. E tem o balcão mesmo, que é onde as pessoas que estão sozinhas podem se sentar e, eventualmente, bater um papo com quem o atende. Você até pode sentar sozinho nos outros lugares, mas o balcão está lá. Não teve uma única vez que eu não sentei neste balcão. Simplesmente porque É A COISA MAIS LEGAL DO UNIVERSO. Algo que nós tínhamos que aprender com eles como se faz, não é como quando a gente senta num bar e um cara vestido com uma roupa feita de saco de batata e que tem um papagaio no ombro pergunta se você vai querer uma Jurubeba ou um Fogo Paulista.

Aí eu tomei meu café da manhã. Pedi um omelete. Ele vem com batatas*, vem com torradas e com manteiga. O café é tão merda quanto tudo o que é uma merda mas os americanos ignoram por não estar dentro da américa, e o leite muitas vezes é servido em uns copinhos descartáveis inexplicáveis, pequenas porções, em potinhos que você abre como se fosse a manteiga ou a geléia. E eu comi aquele negócio todo, menos as batatas, porque mal gosto tem limite (mas depois de mais um dia eu já estava comendo as batatas também), e ao final, de barriga cheia, eu só pensava na Annix. E na pergunta: mas COMO se entrega a gorjeta?

Pensei em chamar o carinha do balcão e simplesmente perguntar qual era a mecânica da coisa. Fiquei com vergonha e acho que ia ser a gorjeta mais brochante da vida do cara se eu fizesse isto. Como eu expliquei agora há pouco: existe um ritual para isto e ele deve ser seguido. É mais que dinheiro, é uma tradição. Então pedir pro cara me explicar o que fazer seria equivalente a contar uma piada e explicá-la depois. Mesmo que as pessoas já tenham demonstrado entender a piada.

Minha técnica foi esperar um cara ao meu lado acabar o café da manhã dele. E aí só fiquei de olho na carteira dele, pra saber qual era o movimento. Esse brasileiro aí vem da favela, ele deve ter pensado. E a coisa é muito simples: ele simplesmente jogou um dólar no balcão e foi para o caixa pagar a conta. Simples assim. Pensei que algum trombadinha fosse aparecer do nada, ia sair do esgoto e correr pra dentro do restaurante ou então viria direto do ralo da pia mesmo, e ia pegar o dólar antes do garçom. Mas não apareceu porque o mais perto de um trombadinha que tinha naquele lugar era eu.

Fiz igual, joguei meu dólar ali em cima e fui pro caixa pagar. Não olhei pra trás pra ver o garçom pegá-lo. Também não vi se o tal trombadinha aparecia: de repente por eu ser brasileiro e estar acostumado, aí ele realmente viesse. Sendo o terceiro dia, acho que foi quando eu peguei o metrô e fui conhecer a Estátua o Pigmeu da Liberdade.



* - No fim de semana eu efetivamente gritei com a Gata porque ela quis defender que "em alguns países, é normal comer batatas no café da manhã". Não aceito esta afirmação: batatas e café da manhã são conceitos antagônicos. Não aceito a diversidade cultural em certos assuntos. Um deles é o assunto batatas. Mas peço desculpas, mais uma vez, agora publicamente, à Gata por ter gritado, é claro.



Escrito por Klein às 12h08 [ ] [ envie esta mensagem ]



Eu odeio comprar roupas. Muito mesmo. Eu até gosto da idéia de estar bem vestido, mas o esforço que são as horas procurando roupas que te façam parecer gatoso e estilão não compensa. Nunca. E roupa, é aquela coisa, é algo que inventaram pra você tirar. Pra tomar banho e para trepar, claro que é dessas coisas que estou falando. Para trepar durante o banho, eventualmente. Aí eu vou na numa loja C&A procurando pelo honesto, rápido e barato. Posso ajudá-lo? Claro, me ache roupas o mais rápido possível. Mas antes de achar roupas, ela quer que eu faça um cartão e a cara de cachorro que passaram o dia inteiro mijando na cara e agora só te pede uma mordida da sua coxinha, sem mijo desta vez, faz você ter pena e abrir aquela concessão.


- É rápido?

- É rápido sim, 15 minutinhos.



E beleza mas eu esqueci que ela era mulher. E que 15 minutos-mulher dentro de uma loja de roupas equivalem a 90 minutos-homem dentro de uma loja de roupas. Porque ela acha que em quinze minutos consegue me fazer responder todas as perguntas já catalogadas pelo ser humano. Qual o seu nome? Seu endereço? Seu CPF? Seu telefone? Seu endereço de novo? Qual seu prato de comida preferido? Qual o nome do 3o filho do rei Luis XV? Qual é o segredo do universo, com 5 exemplos de aplicação prática? E eu ficando puto porque acho que eles aprenderam com a ditadura militar ou merda do gênero, enquanto as minhas células morriam, meu cabelo caía e meu espírito descolava do corpo rumo à luz - será que precisa comprar roupas no além? Bom, eu tentei responder tudo. Menti o quanto pude, por puro ódio ou compulsão. Pediram telefones de referência. Tem que ser número fixo. Ninguém tem telefone fixo hoje em dia. Quem tem, não passa para você: telefone fixo é um brinde que vem com TV a cabo ou internet, mas que a gente não sabe pra que serve esse brinde. Tipo comprar uma Mercedez que vem com um chaveiro "I love my Mercedes". A gente sabe bem que quem tem Mercedez não usa chaveiro da Mercedez - ou não deveria - e que quem tem TV a cabo não usa telefone fixo. Menti dando números errados.

Depois que preenchi o cadastro, ela removeu os eletrodos de eletro-choque do meu corpo e me liberou para fazer minhas compras. Aí bora comprar roupas de inverno rigoroso. Claro que não há roupas de inverno rigoroso na cidade. Eu já sabia que não ia encontrar isto. Mas, vejam, vou para Nova Iorque (sic) e a história é de que está fazendo um frio de encolher o pau e as bolas até o tamanho de prótons e elétrons, então vamos encontrar pelo menos algo digno, em várias unidades, para vestir em formato de camadas. Só que o conceito de moda digna da C&A me pegou de surpresa. Vocês não tem idéia da quantidade de blusas com estampas escrito NEW YORK é maior que a quantidade de perguntas do formulário seja nosso amigo em troca de parcelamentos e um cartão cafona que eu estava preenchendo. Acho que se eu vou para Nova Iorque, eu deveria comprar isto , e não na C&A. Achei umas blusas para vender. Eu gostei de duas. Eram importadas. Uma não tinha do meu tamanho. Elas eram importadas, talvez dos Estados Unidos, e não tinham nada de mais escrito. Se fossem "importadas" da C&A, teriam escrito "New York". Esta é a lógica.

Fui pagar minha blusa e minha calça e passei no caixa. Oh, você é um cliente-cartão-cafona-que-parcela, passe ali. "Ali" tinha alguma fila e ninguém atendendo. Minha vez chegou depois de todas as velhas, grávidas, aleijados, leprosos e fãs do Fresno passarem na minha frente. Tivemos um problema com seu cadastro: não encontramos a pessoa de referência que o senhor indicou neste telefone.


- Bem, é o telefone que eu tenho.

- Você não pode indicar outra pessoa.

- Não eu não posso.

- É que não podemos concluir o seu cadastro assim... além do mais...

- Olha, eu não quero mais esse cartão. Eu quero é pagar e ir embora. Que tal?

- Não, pera, a gente vai dar um jeito!



Por que não deu antes, então?

Tá aqui, desculpa pela demora, moço. Se eu não pegar um monte de mulher com as roupas que eu comprei com você, eu volto pra passar esse cartão na fenda da sua bunda sem parar até você fazer um barulho de máquina registradora bem convincente.


Ela ainda questionou o fato de eu ter dito que o endereço do lugar que eu trabalhava era o aeroporto. Isso não é bem uma verdade também, mas foi o mais perto que eu cheguei de um lugar que tivesse algum fundo de verdade e não fosse o endereço do meu empregador. Que eu evidentemente não sei. "Olha, mas onde fica este aeroporto?". Juro. Respondi com minha cara de "onde fica o lugar que VOCÊ trabalha?".

Mais tarde passei em outra loja de roupas. Uma Hering. Perguntaram se eu queria fazer um cartão. Respondi que estava traumatizado. "Só quinze minutinhos". Fiquei só dizendo não, não quero até ele desistir, sem dar mais motivos. Porque o motivo era "você é outro mentiroso dum caralho" e eu não queria contar para ele que era isso.

Fora que, e o desperdício que é comprar roupas de frio, né? Época de aquecimento global. Vou usar essa merda onde depois? Tinha que economizar o dinheiro para comprar protetor solar e roupa de banho para quando as calotas polares acabarem de derreter.



Escrito por Klein às 18h12 [ ] [ envie esta mensagem ]



Vira e mexe aparecem umas abelhas aqui em casa. Uma vez a cozinha amanheceu cheia delas. Sendo que a minha cozinha amanhece às 11:00 ou ao meio dia, não considero que coisas aconteceram antes disto como, por exemplo, as abelhas terem entrado gradativamente ali dentro. Às vezes aparecem também umas formigas na minha mesa do meu quarto. Juro que não tem comida aqui, não sei por que elas aparecem. Tinha uma cara de pau andando entre as teclas do meu teclado. Não acho um programa aceitável para o domingo passear entre as teclas T e Y, mas ela achou. E eu odeio esses bichinhos, odeio bicho. Não odeio cachorro, não odeio gato, eu odeio BICHO mesmo. Aí eu mato todos, principalmente as abelhas. As formigas eu perdôo porque eu provavelmente esqueci um torrão de açucar para elas estarem ali. Me sinto mais invadido pelas abelhas. Aí eu mato. Porque abelhas e formigas vivem em bandos com as outras formigas e abelhas. Se estão em algum lugar (como a cozinha ou a minha mesa) é porque a abelha/formiga chefe designou uma missão. Aí é importante que ela não cumpra a missão. Que ela nem volte. Para que as outras abelhas/formigas saibam que a minha casa é um lugar perigoso. De verdade eu queria era abandonar um Maverick velho na frente da colméia/formigueiro com as chaves do porta-malas bem fáceis, para que alguém fosse lá abrir e encontrasse uma abelha/formiga morta e enrolada em um tapete. Não dinheiro para tantos mavericks e tantos tapetes. Também queria, ao invés de matar, só arrancar umas pernas, e deixar elas voltarem vivas para contar a todas as suas colegas sobre o quanto as pessoas desta casa são cruéis e que ninguém deveria voltar ali, é muito perigoso. Mas eu também não sei fazer isto com bichinhos tão pequenos. Enfim: era isto ou um post sobre o quanta água eu tomo antes de dormir para não ter ressaca em dias seguintes.



Escrito por Klein às 14h16 [ ] [ envie esta mensagem ]



Não lembro quem foi, nem se foi uma namorada ou se foi uma dessas meninas que me acharam na rua e pegaram para criar. Eu sei que alguém alguma vez riu da minha cara por eu não conseguir abrir o sutiã. Realmente é uma cena ridícula você se comportar diante de um sutiã como um canhoto diante de um abridor de latas convencional. Todos nós apenas queremos leite condensado. Sei que perguntei então, com toda a humildade que Deus me deu. Ensina aí, moça. Não tem mesmo muito segredo, acho que deve ter menos ainda para quem os usa. Ou pelo menos para quem os tira de alguém com regularidade, não tem sido meu caso. Não quer dizer que SEMPRE da certo: alguns aí ainda parecem ter travas similares às que colocam nas portas dos carros para crianças não conseguirem abrir. De qualquer forma eu tenho a minha porcentagem de acertos, sendo que acertar é abrir de primeira e com uma mão só. Tem mulher que repara e faz qualquer piada do tipo "hmmm... profissional, hein?". Um jeito lisonjeiro, carinhoso e elegante de dizer sou só mais uma que você ta comendo, né?. Não é tudo isso não, quisera eu ser o maior comedor da face da terra, é o sonho de todo homem. Mas eu faço que é tudo isso sim, que seja só respondendo com uma risadinha sacana. Afinal, como disse o Peréio há uns 20 minutos atrás na televisão, o importante não é ter pau grande, e sim saber fazer cara de quem tem. Nisso eu sempre acreditei.



Escrito por Klein às 00h32 [ ] [ envie esta mensagem ]



Lima

 

Vou pular a piadinha do "outro dia eu desci no Peru". Eu já fiz ela umas 500 vezes desde então. O que chama mais a atenção em Lima é a quantidade de casas sem telhado. Assim, muitas mesmo: do aeroporto à cidade é tudo assim. Não só o teto: muitas delas não tem pintura, são só os tijolos. Mas o que me chamou a atenção mesmo é a falta de telhado nas casas*: você só ve umas pontas de aço para cima, bem coisa que está por acabar. "Vai ver que é porque não chove aqui", alguém ironizou. Aí outra pessoa tentou me explicar que lá tem algum imposto que só se paga caso a casa esteja completamente construída e que as pessoas não terminam as construções para economizar uma grana. Não sei se isto é verdade: acabei de fazer uma pesquisa breve e não achei nada. Mas breve mesmo, fiz duas buscas no Google e vi que estava longe de descobrir qualquer coisa. Desisti rápido, não me interessa muito: descobrir o motivo não irá resolver o problema das casas sem telhado de Lima.

Eu queria ter tirado fotos, mas fui impedido. Primeiro que eu não tenho uma máquina fotográfica. Segundo que, se tivesse, eu não poderia entrar com ela no país. Eu não pude entrar com meu notebook: me avisaram antes, por sorte, e eu deixei ele dormindo no guarda-volume do aeroporto. Veja que se um dia você for a Lima, você poderá levar estes ítens de sobrevivência básica, mas eu não: aconteceu que alguns colegas de profissão lá dos EUA estavam indo para o Peru com suas malas forradas de notebooks e outros cacarecos eletrônicos para vender. Livre de impostos, notem. Sabem como são os americanos e sua supremacia imperialista, achando que é de Sony Vaio que os incas precisam. Quando o que eles precisam mesmo é recolher ICMS e coisas do gênero. Para ou desenvolver a sua própria informática, que deve ter ficado estagnada na tecnologia do relógio de sol ou algo do gênero. Talvez a informática seja o setor com potencial para ser expandido a ponto de gerar empregos para peruanos, afinal de contas, a construção civil não vai bem: o túnel que liga Macchu Picchu a São Tomé das Letras é uma lenda e jamais será construído. E telhados para as casas não é algo que parece estar nos planos.

Lima tem algo melancólico. Existe o bairro de Miraflores que é lindo, chique e com tudo caro. Jantei em um restaurante mais ou menos chique (bebendo champagne, vejam vocês) com uma mesa em um deck num morro alto. Vista para o Pacífico: vi o sol se por no mar. Fora Miraflores, você tem a nítida sensação de que está numa grande favela. O povo peruano nos recebeu bem, muito bem mesmo, com uma alegria efusiva e passinhos toscos de samba para exercitar o intercâmbio cultural. Daquele jeito baba ovo que brasileiro gosta de receber estrangeiro também. Essa efusividade em cima da pobreza da cidade é que é melancólica.


* - Agradecimentos especiais à Ashen Lady, que achou uma foto disto para mim.



Escrito por Klein às 20h44 [ ] [ envie esta mensagem ]




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Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe germânico. Blá blá blá. Todo mundo já está de saco cheio deste papo de príncipe germânico, vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão. O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos de chocolate para vender na vizinhança.

Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.

De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim, se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!

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