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Aí hoje, depois de tanto ralhar que jamais compraria um Dell, por achar um o preço um pouco abusivo, liguei para a Dell e montei um computador. A vendedora Daniela era uma simpatia só: ela tinha a combinação exata de extroversão, timbre de voz e sotaque gaúcho. Quis pedir o telefone dela, mas aí pensei em quão idiota seria pedir o telefone dela sendo que fui eu quem liguei.
- Você está me parecendo um pouco incerto de sua compra ainda... você é bem indeciso, né?
Me zoou. Não quero mais seu telefone. Biscate! Mas continuei apaixonado por ela. Mudei de assunto, falamos sobre o tempo em Porto Alegre e fechei a compra de um Dell que vem com gravador de DVD e webcam, mas não vem com o telefone dela.
Aí, como não tenho mais o que fazer e no e-mail do orçamento tinha o nome inteiro dela, procurei no Orkut. Tem muitos homônimos, mas só um do Rio Grande do Sul. Acabou que ela é a maior gata. Tem uns peitões também e uma barriguinha de baixo coeficiente de atrito. Aí pensei se ela gostaria de ver o meu firewire, se eu podia ver a entrada USB dela, estas coisas... mas ela é casada. Casada no nível que deixa fotos de casamento no álbum.
Escrito por Klein às
14h57
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To super obcecado com a compra do notebook. Vejam que eu ainda não consegui decidir. E como não estou trabalhando e nem estou saindo com ninguém, não tenho outra coisa para me distrair. Passo horas e mais horas pesquisando características e preços na internet, fazendo contas. Aí eu fui ao Carrefour, queria ver se tinha notebook lá. Tem notebook sim: por que é que um lugar onde vende cebola, carne moída e milho enlatado não teria notebook? Mas eu não fiquei feliz com nenhum, queria voltar pra casa, mas não sem antes pegar um pacote de Cheetos. E cadê o pacote de Cheetos, hein? Não tinha o tradicional 66g, só tinham os de 70 quilos e de 10 toneladas. Será que as pessoas perderam o bom senso em matéria de Cheetos? Então saí andando por todo o mercado atrás do tradicional 66g, mas não tinha mesmo. Tinha só uma moça com a barriga de fora. Barriga gostosa. Eu levaria a barriga gostosa dela no lugar do Cheetos. Quis fazer isto antes que ela engravidasse: por qualquer motivo pensei na hora que ela podia engravidar e botar tudo a perder. Barriga de grávida não é bem uma coisa que me causa admiração, muita gente me condena por isto, mas não devia. Porque o público alvo da barriga de grávida é o bebê, não eu. Ele é quem tem que achar grande, espaçosa, etc, eu não tenho planos de morar dentro de uma barriga, não me interessa. Bem, recentemente eu preferi alugar o quarto da crente louca, então vocês podem ver que barriga de grávida realmente não está no meu universo de opções. Peguei um Fandangos, nenhum notebook e fui embora pra casa. Melhor assim.
Escrito por Klein às
13h53
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Confesso que achei esta história encantadora. Só como história, claro, porque ta na cara que esta Giovana não é nada além da próxima Mari Moon. Ao invés de falar de moda, vai falar sobre brincar de esconde-esconde, só tem esta diferença. Mas a gente se enche de raiva quando ve a entrevista dela. Essas risadinhas de canto de boca, ta adorando o bafafá, completando com o papinho adolescente estilo não me arrependo de nada. (Não sei por que é que algumas pessoas acham tão bonito dizer que não se arrependem de nada... só não se arrepende de nada quem nunca errou ou quem é muito burro pra perceber que fez uma cagada e que não deveria repeti-la). Mas assim, gente aparecida, sabe? Achando graça de tudo, muito precursora de movimento, a rebeldia contra esse mundinho mesquinho e entediante. Tudo bem, aos 16 anos a gente acha graça de tudo mesmo. Eu, por exemplo, achava graça quando uma menina sentava num brigadeiro. Acho que faz parte desta coisa de ter 16 anos achar graça de fugir de casa ou de ver alguém sentar num brigadeiro. Mas acho que ela acha graça demais da conta: estes sorrisinhos que ela esboça, desculpa, muito Mari Moon. Ela podia ser a próxima capa da Playboy, mas tem apenas 16 anos, então é só a próxima Mari Moon mesmo. Daqui dois anos as pessoas não devem mais lembrar disto. Pela mãe dela, a gente ve que é falta de levar umas porrada.
Mas nem é a Giovana que me chama a atenção nesta história. O que realmente me preocupa é a outra menina, a tal da Ana Livia. A Ana Livia, ao contrário, não apareceu na TV pra fazer furdúncio no Fantástico. Ta escondida na casa dela. Talvez de castigo, levando porrada: trancada no quarto e, uma vez por dia, os pais passam uma pizza por de baixo da porta. Como eu acho que adolescente deve ser tratado (enquanto não votam o projeto de lei que autoriza métodos educacionais baseados em choque elétrico, é claro). Eu fico imaginando é por que é que a outra foi junto. Já está na cara que o objetivo dela não era aparecer no Fantástico. E, na minha cabeça, ela sim deve ser uma menina perturbada. Que deve ter fugido efetivamente para viver o seu amor lésbico. E foi a Giovana quem deve ter sugerido este tipo de dúvida e confusão a Ana Livia - nunca diretamente, é claro, tudo feito com todo o charme que deve caber à situação. A Ana Livia deve ter só ido atrás, porque ainda não tem muita certeza de quem é ou o que quer. Enquanto a Giovana só queria ser modernete-nova-Mari-Moon. Da pra imaginar ela apresentando um programa tema opinião jovem na MTV. A Ana Livia eu imagino tratando síndrome do pânico mesmo. Com sorte vai se tornar uma grande pintora ou escritora. Eventualmente, alguém vai colocar um brigadeiro na cadeira dela antes disso tudo.
Ah, eu sei, estou sendo cruel. São só adolescentes. Bla bla blá.
Escrito por Klein às
13h59
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Mamãe? Absolutamente surda. Como eu imaginava que seria. Há 5 ou 6 anos atrás eu disse que não suportava este lugar e que sairia o quanto antes daqui. A princípio uma coisa mais quanto do que antes, como vocês podem perceber. Aí eu comecei a trabalhar no Circo Garcia, este ano ainda, e disse que sairia logo de casa, em uns dois ou três meses. Depois eu avisei que já tinha terminado o treinamento e que estava procurando um lugar para morar. Aí depois eu avisei que tinha descolado um quarto. Mais depois ainda, falei que tinha fechado um acordo com a dona do quarto. E aí veio o depois de todos os depois, o mais específico da série: segunda-feira começo a levar minhas coisas para lá. Tudo muito lento e gradual. E, então, cinco minutos atrás:
- Meu filho, vem cá: você vai fazer alguma coisa amanhã?
Tal qual ela perguntou como se fosse mais um dia qualquer, eu respondi que sim, na parte de tarde, como se fosse fazer uma coisa qualquer. Ela simplesmente não assimila a informação.
Sei que eu devia estar animado com isto. Mas eu não estou. Quer dizer, eu estou, mas acho que estou mais ansioso do que animado. Estas próximas semanas vão ser estilo soco no estômago: tudo o que eu planejei e trabalhei um bom tempo para rolar vai acontecer meio junto e acho que to com o cu na mão. Se é que esta expressão faz sentido: como assim você está segurando um buraco com a mão? Tal qual eu começo a me mudar da roça pro meu cafofo temporário, minha carteira de habilitação para fazer magias no circo deve chegar. Se não chegar nesta semana, chega muito muito muito logo.
Escrito por Klein às
19h58
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