Fui conhecer o Rio Negro. E o Rio Negro é NEGRO MESMO como conta uma amiga que escreveu em um cartão postal para o seu marido. "Lógico que ele é negro mesmo, por que você acha que ele tem esse nome", foi a resposta. Mas na verdade ele ta mais pra um marrom escuro, feio, peludo e cheio de espinhas, do que propriamente preto. Não é como nadar em pixe, ta mais pra como nadar em chá mate. Mas a instituição chá mate é até simpática e um Rio Negro não merece uma associação simpática - por mais lindo que o rio seja. Então prefiro dizer que o Rio Negro é feito de chá de boldo. Chá de boldo, você conhece: é aquele que a sua mãe substituiu pelo Steinheger que ela tomava todos os dias. Fundamentalmente o chá de boldo é feito de lodo, de galhos mortos, de ossos humanos, de carrinhos Hot Wheels enferrujados e de agonia da vida moderna. As pessoas tomam chá de boldo para ajudar o estômago quando a digestão está complicada. Como em: hoje jantei três pneus de trator com pimenta. Acho que a pimenta me fez mal: vou tomar um chá de boldo! O Rio Negro parece com isto, mas não estou querendo, com isto, dizer que ele é feio. Muito pelo contrário: ele é realmente lindo.

Aí estamos com um grupinho estilo turistaiada. No caminho conheci uma socióloga que contou para mim sobre sua extensa vida acadêmica, sobre os dias de férias que estava passando em Manaus e sobre a falta que lhe fazia passar mais tempo com a família, por conta de seus inúmeros compromissos profissionais. Já eu prefiri contar para ela sobre o quanto eu como no café da manhã dos hotéis para economizar dinheiro no almoço. Chegando ao Rio Negro fiz a minha expressiva cara de sachê de chá de boldo e pulei no Rio. Junto de toda a turistaiada que estava lá. A água é uma delícia, do tipo que da vontade de fazer um aquário dela para poder dormir à noite. Fui o primeiro da turistaiada a sair da água:

- Vai sair, amigo?

- Vou sim... to com medo do sol!

- Ah, mas é bom pegar uma cor de vez em quando! Volta aí!

- É bom pegar uma cor quando a cor que você pega nestas ocasiôes não é ROSA.


Fiquei do lado de fora só olhando as pessoas nadando. Fazendo anotações mentais sobre as meninas de biquini e fingindo que no lugar de homens e das feias tinha mais Rio Negro. Ou mais meninas de biquini. Enfim. Aí ouço o filho da socióloga chamando sua mamãe de canto dizendo que queria fazer xixi. Em pleno Rio Negro. A mãe não deixou. Penso que esta idéia veio da tentativa de fazer seu "encontro das águas" particular. Rá rá rá, que engraçado!


Escrito por Klein às 11h42 [ ] [ envie esta mensagem ]



Aí eu tava num vôo indo para algum lugar de dormir. Não sei qual, acho que Recife. Era uma destas tournês pelo Norte e Nordeste do país. Um destes lugares onde as as aeromoças chegam com seus sorrisos e carrinhos, cheios de mimos para os passageiros, e ao perguntarem o que aceitam para beber e eles respondem REFRIGERANTE. Assim, super específico. Como em: onde você mora? / no planeta Terra, logo ali na Via Lactea. E as meninas, tadinhas, fazem aquela cara de merda e perguntam QUAL refrigerante. Porque elas têm todos os refrigerantes possíveis ali: a Coca-Cola, o Guaraná, um chá verde esquisito com gás e acho que se alguém pedir algo que não tem, elas fabricam o refrigerante. Tem ripa-de-concreto-cola? / Espera um minutinho que eu vou ali preparar e já trago para o senhor. Então, assim, uma resposta específica não seria mal, mas esta resposta específica parece que não existe para aquele pessoal. E a mim só restou ficar ali olhando as meninas servirem os outros passageiros e fazer a minha cara de quem está assistindo a uma manada de cachorrinhos fofinhos serem jogados na máquina de lavar roupa - sem amaciante.

De repente um monte de passageiros se levanta e vai para o outro lado da aeronave. Primeiro achei que uma mulher devia estar parindo. Não, só um parto não atrairia tanta atenção: teria que ser uma mulher parindo uma cabra para valer tanto a pena. Depois achei que era um motim para derrubar o avião: todo mundo ia para o mesmo lado e ele se desequilibraria. Como naquela teoria de que se todos os chineses do mundo dessem um pulinho, a Terra sairia de sua órbita e o sistema solar estaria completamente fodido. Primeiro o comércio mundial de tecidos, depois a órbita do planeta Terra: os chineses seriam considerados culpados por absolutamente tudo de pior que já aconteceu neste mundo.

Depois de alguns minutos constatei que o avião não caiu. Voltei à hipótese da cabra, mas eu não ouvi nenhuma cabra gritando também. Então decidi que era hora de sucumbir à curiosidade: levantei e me uni à galerinha do outro lado do avião. E o caso é que sobrevoávamos os tais lençóis maranhenses. E aquela porra toda é linda mesmo. É como lá em casa, em Carapicuíba. Como quando a gente ta olhando pra Cohab. Igualzinho. Só que do contrário. E eu quis tirar fotos mas não dava porque ano passado o ladrão levou a minha máquina fotográfica embora. E eu nem sou mais o entusiasta da fotografia, perdi o hábito. Se fosse, estaria faltando salário agora pra comprar uma. Eu tirei uma foto tosca da vista do quarto onde fiquei, que também é A CARA da Cohab, mas eu não tenho o cabo de transferir fotos e porcarias do celular pro computador. E ele nem tem bluetooth: só tem Excel, Portal, Internet e Bloco de Notas. Fundamentalmente o que importa de verdade num computador.


Quando cheguei ao hotel, quis usar o note e precisei improvisar algo como mouse pad porque a mesa não estava funcionando. Tentei com um Velho Testamento que tinha ali, mas o mouse continuou não funcionando sobre o Velho Testamento. Tive que apelar para um caderno que eu tinha. Acho que Deus não gosta de tecnologia, não apóia o uso de mouses ópticos. Deus é um cara mais vintage: só se fosse mouse de bolinha.


Escrito por Klein às 10h02 [ ] [ envie esta mensagem ]




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Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe germânico. Blá blá blá. Todo mundo já está de saco cheio deste papo de príncipe germânico, vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão. O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos de chocolate para vender na vizinhança.

Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.

De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim, se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!

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