O incrível roteiro turístico nada preconceituoso do Lixomania episódio de hoje: Macapá
Macapá? É longe pra caralho. E qualquer disposição em contrário será revogada. Então, como é longe pra caralho, não é muita gente que chegou lá para morar. Por exemplo: você anda pelas ruas e tem a sensação de que não existem avenidas em Macapá. Fundamentalmente porque não tem quórum para caracterizar uma avenida. Tudo tem uma cara das cidades menores do interior paulista. Também não vi prédios em Macapá: o mais alto que eu vi tinha uns 5 andares.
Não conheço bem a história de Macapá. Para as pessoas terem chegado ali no fim de mundo, deve ter sido em algum episódio bem equivocado. Consigo até visualizar o William Bonner anunciando no jornal nacional: "um grupo de escoteiros se perdeu durante um passeio na serra da Cantareira. Bombeiros e voluntários do exército tentam localizá-los desde a noite de quinta-feira e os parentes estão preocupados." Uma semana mais tarde: "a aeronáutica localizou um acampamento clandestino no meio da amazônia. Os ocupantes se alimentam de marshmallows assados e fixaram uma placa onde se le: 'aqui será fundada uma cidade onde todos sabem dar vários tipos de nós.' Acreditam tratar-se do grupo de escoteiros que se perdeu na serra da Cantareira há uma semana." Da até para ver o orgulho da tradicional família macapense: "meu pai começou lobinho quando era bem criança. Se tornou escoteiro e ganhou a flor-de-lis quando fundou Macapá."
Uma coisa que impressiona um pouco é a boa auto-estima da cidade. Não importa quanto você diga que lá é o fim do mundo: eles acreditam piamente que lá é o MEIO do mundo. Então você anda pela cidade e ve placas que dizem "divisa entre o hemisfério sul e o hemisfério norte". Ou como uma festa popular que eu vi por lá intitulada Arraial do Meio do Mundo. Se isto não é auto-estima, é então um novo dialeto do português onde a palavra "meio" significa "fim". O meio da picada, o meio dos tempos, etc.
O que eu acho mais legal de pensar a respeito de Macapá é que todas as cidades do mundo possuem um ritmo de crescimento. Isto é natural. Então, um dia, Macapá será tão grande quanto São Paulo. Eventualmente daqui uns 500 anos. Quando São Paulo for uma cidade em que os prédios terão, em média, 100 andares, com 30 apartamentos por andar e tivermos, em cada cama, 5 pessoas dormindo. Umas empilhadas nas outras.
Quando estávamos indo embora de Macapá, vimos uma galerinha encostada em um posto de gasolina. Isso alta madrugada, noite de sábado. Igualzinho São Paulo. Exceto por um detalhe: o posto e a loja de conveniência dele estavam fechados. Aí um amigo meu diz: "é a baladinha de Macapá". Naquele tom super irônico. Eu não disse nada. Porque, vocês sabem: não ando dado a fazer ironias sobre outras cidades. Não quero cair naquele clichê do paulistano que acha que é o centro do mundo.
Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe
germânico. Blá blá blá. Todo mundo já
está de saco cheio deste papo de príncipe germânico,
vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog
desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas
na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão.
O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu
ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também
não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta
um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos
de chocolate para vender na vizinhança.
Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório
para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só
estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não
é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil
no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional
por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que
vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.
De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é
o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então
deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você
é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório
para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate
para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim,
se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos
da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!