Olha, eu tenho vergonha de vir aqui admitir isto publicamente. Mas acho importante tratar do assunto para que caia o tabu. Digo isto porque, depois que admiti que passei pelo problema, mais pessoas admitiram o mesmo para mim. Talvez se todos tivessem a postura de explicitar publicamente o fato, haveria menos preconceito e poderíamos tratar isto como uma questão normal. Bom, sem rodeios: estes dias, meu celular caiu na privada. Eu tinha acabado de consertá-lo, um dia antes mesmo, e aí, tchibum. Você aí pode estar rindo de mim e me olhando com aquele pensamento de que eu sou um imbecil, que não colaboro para o desenvolvimento da humanidade e pensando que sou o tipo de ser que deveria estar no fim da cadeia alimentar. Para você eu digo que já pensaram assim dos gays. Hoje em dia eles são considerados um nicho de consumidores importantíssimos economicamente e têm até a própria parada do orgulho. Talvez algum dia as pessoas se unam para fazer uma parada só de gente que deixou o celular cair na privada. Assim, com orgulho, né?
Como aconteceu eu não sei direito dizer: levantei do troninho ainda com as calças arriadas e aí que ele fez o seu duplo carpado. Também não vou dar detalhes sobre o resgate. Só digo que se aparecerem escamas na minha mão daqui uma semana, conto aqui no blog.
O fato de eu ter acabado de tirar ele do conserto só aumenta a raiva. É um V3 e estava com aquele visor da frente todo rachado. Ele bem podia ter deixado para fazer isto ainda quebrado, mas esperou até o dia seguinte. Talvez uma coisa no estilo quando estiver com meu maiozinho novo, eu pulo na piscina. Fiquei tão puto da cara que a minha vontade era de dar a descarga, só que na hora eu só conseguia pensar naquele filme da nossa infância, o Alligator. Que pra quem não conhece, era a história de uma família nova iorquina que ganhava um filhotinho de jacaré de presente e, quando enjoaram dele, jogaram o bichinho na privada e deram a descarga. Aí o jacarezinho passa a infância e adolescência dele comendo cocô dos humanos - eventualmente algum celular que caiu na privada também - até que ele se tornou muito muito grande, muito muito forte e resolveu sair do esgoto e passear pela cidade porque estava muito muito puto. Aí ele saia por aí tocando o terror e comendo seres humanos. Que tinham mais valor nutritivo que só os seus cocôs. Uma história muito coerente: se minha mãe tivesse me jogado na privada e dado a descarga, eu também acharia que sou o tipo de pessoa que deveria se alimentar de seres humanos.
Mas enfim: o ponto todo disso aí é que eu não quis dar a descarga no meu celular pensando no Alligator. Sei lá se meu celular não ia comer cocô até ficar muito grande e tocar o terror por aí. O japonês que inventou as histórias com robôs gigantes provavelmente foi um cara que deu a descarga no celular dele e pensou nisso tudo aí, mas com o final feliz, já que os robôs gigantes protegem a gente (de caras como o Alligator). Se bem que quando os robôs gigantes foram inventados, os telefones celulares ainda não existiam, então ele deve ter dado a descarga em alguma outra coisa que fosse tecnologia de ponta no seu tempo. Tipo, sei lá: um daqueles chaveiros que tinham um monte de botões: quando você apertava o primeiro, fazia um barulho de metralhadora, o segundo, o barulho de uma bomba caindo, etc.
O pior mesmo é que com a morte do celular, eu perco todos os números de telefone dos meus amigos. Porque é claro que eu não tenho tudo anotado em outro lugar. Como uma pessoa normal: eu deixo meu celular cair na privada, mas eu sou uma pessoa normal.
Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe
germânico. Blá blá blá. Todo mundo já
está de saco cheio deste papo de príncipe germânico,
vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog
desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas
na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão.
O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu
ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também
não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta
um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos
de chocolate para vender na vizinhança.
Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório
para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só
estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não
é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil
no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional
por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que
vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.
De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é
o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então
deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você
é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório
para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate
para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim,
se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos
da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!