Na verdade existe um outro motivo mais forte que Team Fortress 2 para me fazer escrever pouco por estes tempos. Que é essa coisa da vida completamente nova de boa. Não me lembro de ter estado tão satisfeito nos últimos 29 anos com o que eu estou fazendo. Não que eu esteja aqui afirmando que achei o que vou fazer para o resto da minha vida, devo deixar isto claro: a profissão é bastante sacrificante e a gente tem que optar por coisas que outros não optam. E isto é previsão de crise existencial para o longo prazo. Não para hoje. Porque hoje estou plenamente satisfeito, como afirmei poucas frases atrás.
Satisfação plena não combina muito com blog. Blog não funciona assim: o certo era eu achando alguma coisa ruim. Aí eu vinha aqui e falava que a vida era uma merda porque o ser humano é muito idiota. O meu tipo de afirmação preferida. Floreava com algum sarcasmo e um pouco de non-sense, vocês liam e, no fim do dia, iam para casa cozinhar dobradinha para seus recém adquiridos maridos. Só que os tempos são outros. Eu não acho mais a vida uma merda. E você já não cozinha dobradinha à noite para seu marido: hoje você deixa pão, presunto e queijo em cima da mesa da cozinha para que ele mesmo faça um misto quente e você tenha tempo de assistir novela usando bobes na cabeça. Só o ser humano que continua idiota: ainda tenho esta coisa de não ter muita fé na evolução de 95% da população.
Hoje em dia eu me preocupo com outras coisas. Tem muita coisa pra fazer, mas eu ando pouco mal humorado. To pensando na casa que eu vou montar no fim do ano, que vai ter uma parede laranja na sala, piso de madeira e um chuveiro com regulagem gradual de temperatura. To pensando em estudar alemão para quando eu quiser entrar nas turnês internacionais do circo. Ao mesmo tempo que penso o que eu vou fazer se uma hora chegar à conclusão de que não quero mais trabalhar no circo. To sempre tentando antecipar passos. Estou me inscrevendo em academia porque meu "colesterol está ótimo, mas a glicemia, apesar de ainda estar dentro do limite aceitável, está alto para a (minha) idade" - lembrando que mamãe e titio são diabéticos, né? To pensando que eu gostaria de namorar, porque eu acho que preciso um pouco disto, alguém para coçar as minhas costas e reclamar das minhas frieiras, mas não tem ninguém rolando por aí. (Apesar de que namorar é depois que eu passar a pica em todo mundo e só tiver uma última na fila... as pessoas esperam que eu pelo menos finja que pense assim). Não sei se vocês entendem o que isso quer dizer, eu deixo bem explícito: pela primeira vez eu me sinto estável com relação a grana e emprego. O que eu sempre achei que tinha que conseguir antes de me preocupar com todas as outras coisas. E eu não sei escrever aqui com essa novidade toda na minha cabeça.
Mas, claro, o Team Fortress 2 também tem uma cota de participação muito significativa no rol das minhas preocupações atuais.
Adoro gente que tenta parecer legal dizendo alguma coisa e acaba sendo escrota. A língua portuguesa tem uma preposição especialmente criada para isto: o "mas". Se alguém ta dizendo alguma coisa legal, bonita, poética, politicamente correta ou algum preceito de vida estabelecido pelo Paulo Coelho com um "mas" na frase, é porque a pessoa ta falando merda. Tipo a crente louca: eu chego em casa e ela está com o carro dela parada em frente à minha garagem. Está dentro do carro. E com a janela aberta conversando com fulana e filha de fulana. Como eu ainda não coloquei grade com lanças de ferro no pára-choque do meu carro, como acho que todo paulistano deveria ter, tive que estacionar e entrar a pé. Aí eu paro para cumprimentar ela e ela diz:
- Essa daqui é a fulana. Ela puxa um carrinho aqui pela vizinhança catando papelão, MAS ela é super gente boa.
Por que eu tenho atualizado pouco e, quando atualizo, são essas coisinhas sem importância? Porque eu tenho dedicado todo meu tempo livre - que nem é tanto assim - a jogar Team Fortress 2.
Naquela linha do "depois reclama que a gente zoa". Porque nego da motivo mesmo. Fato verídico: to eu no bar do circo quebrando o galho de servir um pessoal. E aí tem esse senhor que era português. Em outras palavras: um ícone da piada pronta. E que devia ser meio surdo porque me fazia repetir tudo o que eu dizia. É isso, isso e aquilo, e o cara dizia um sonoro "QUE?" Dava vontade de dizer umas coisas como eu tava comendo sua mãe ontem e ela chupa meio mal só pra ver se ele dizia o "QUE?" dele de novo, mas eu não posso falar esse tipo de coisa para um cliente. Porque é indelicado. É indelicado comentar quando alguma mulher chupa mal. Enfim. Caso é que ele queria uma cerveja e eu conto pra vocês que no bar do Circo Garcia é possível servir duas cervejas. Uma clara e outra escura. Uma Sol e, outra, Xingu. E o português solta pra mim aquela do "que cerveja você tem?"
Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe
germânico. Blá blá blá. Todo mundo já
está de saco cheio deste papo de príncipe germânico,
vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog
desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas
na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão.
O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu
ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também
não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta
um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos
de chocolate para vender na vizinhança.
Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório
para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só
estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não
é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil
no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional
por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que
vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.
De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é
o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então
deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você
é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório
para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate
para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim,
se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos
da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!