Deixa eu explicar isto para vocês porque já faz duas semanas que estou nessas e eu fico escondendo isto de vocês. Que agora eu faço exercícios físicos. E você aí, que me conhece pessoalmente ou me le há algum tempo me pergunta: até quando vai durar esta farsa?. Não sei ao certo, mas eu decidi tentar. Se você perguntar para o médico, ele vai dizer aquilo de que a minha glicemia ainda está dentro do normal mas é alta para a minha idade. Isto por sua vez preocupa aqueles que lembram o histórico de diabete na família e ninguém aqui quer amputar uma perna como o tio teve que fazer ano passado. Aí eu fui à academia num certo dia definido como o primeiro fazer uma tal de avaliação física. O que fundamentalmente consistiu em afirmar que eu estou podre, mas ao invés de simplesmente explicar como eu mesmo sempre fiz, o avaliador físico usa como argumento um medidor de gordura e uma fita métrica. Você é podre em 40cm e 32kg do seu corpo, este tipo de afirmação científica. No final da avaliação física ele vem com uma ficha para preencher e me pergunta qual o objetivo do meu treinamento. Tinham umas opções como saúde, bem estar, condicionamento físico, etc. Respondi que era para ficar gato e pegar mulher, mas não tinha esta opção na ficha. Têm coisas que medidores de gordura e fitas métricas não sabem responder, como tudo o que segue na linha do mas de onde diabos vêm os bebês?
Não sei é se eu vou chegar naquele estágio em que a gente faz amigos na academia. Onde eu faço é na academia para funcionários do circo, então é diferente de uma academia normal. Eu não preciso saber falar três frases sobre creatina para iniciar uma conversa. A dificuldade é que eu não ando com aquela facilidade toda para fazer novos amigos, mas vamos deixar este assunto para algum momento mais crise existencial.
To eu ali no meu hotel preferido de todo este país: o Crente Louca´s Inn. Lavando a louça das minhas terríveis experiências culinárias, vida de solteiro morando sozinho, panelas, pratos e garfos imundos das porcarias que eu como habitualmente como ossos de animais não identificáveis , restos de pêlos e um pouco de pixe. E eu noto que em cima da pia tem mais um vazinho de planta. O que eu sempre notei, mas não assimilei. Uma coisa como fórmula de báscara: você até sabe que tem, mas não quer realmente incorporar aquilo para a sua vida. Não é aquela coisa que você está na praia metendo com a Salma Hayek e você canta ao pé do ouvido dela "então, broto, x1 é igual a menos B mais ou menos raiz de...". Só que desta vez acho que resolvi assimilar a planta porque ela parecia estar bem morta, muito morta mesmo. Os ossos, pêlos e pixe no meu prato tinham mais vida que aquela planta. E eu entendi então que a sra. Crente Louca passa neste lugar quase tão pouco quanto eu, mas faz questão de ir substituindo as plantas à medida em que elas morrem. Um genocídio vegetal, chamem o Ibama, cancelem a pizza de calabresa, etc. Então resolvi que vou tomar uma postura ativa com relação a isto e tentar cuidar deste pingo de vida e esperança que sempre aparece na cozinha. Peguei a planta e joguei uma água nela. Lembrei também daquele papo de que conversar com a planta ajuda no desenvolvimento. Tipo mulher, que não para de falar, não é machismo: é simplesmente um fato que as mulheres tem um apelo mais verbal que os homens. Assim como as plantas. Aí eu peguei a planta e expliquei nestes termos: "minha filha, tão querendo te foder! todas que ocuparam este posto antes foram mortas, mas vou ver se quebro teu galho". Botei a plantinha no parapeito da janelinha da cozinha pra ver se ela toma um pouco mais de luz.
Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe
germânico. Blá blá blá. Todo mundo já
está de saco cheio deste papo de príncipe germânico,
vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog
desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas
na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão.
O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu
ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também
não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta
um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos
de chocolate para vender na vizinhança.
Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório
para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só
estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não
é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil
no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional
por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que
vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.
De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é
o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então
deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você
é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório
para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate
para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim,
se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos
da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!