Na verdade, nem sei se estarei em São Paulo no dia das eleições


Karas, vamos enviar a barata gigante!


Eu gosto. Da Soninha. E dou o braço a torcer: da vontade de votar nela. Decidi que para o mês de setembro eu daria o braço a torcer para só duas coisas: uma delas é que eu tenho vontade de votar na Soninha e a outra é que o disco novo do Metallica é realmente bom. Dar o braço a torcer para duas coisas por mês é suficiente para me fazer parecer uma pessoa humilde, então espero que o Raikkonen se foda na corrida de amanhã porque não quero correr o risco de dizer que ele é tão bom quanto Hamilton, Massa ou Alonso. Mas enfim: a Soninha sabe que não vai ganhar a eleição. Todo candidato pequeno sabe disso e o discurso do "eu tenho chance sim" é um marketing necessário. Minha cabeça de formado na ESPM: tudo é estratégia de venda, tudo é conceito de produto e tudo é conceito transmitido na comunicação. Se você quer saber por que então estes caras se candidatam, eu digo que é para promover seus partidos e as ideologias destes (o que a gente sabe que não existe, porque todo mundo é mesmo meio igual por aqui). Afinal de contas, quem deixaria de promover o seu partido ou o que quer que você tenha para vender tendo à disposição um tal de horário gratuito em horário nobre em todos os canais de televisão? Você aí tem idéia de quanto custaria para interromper as peripécias da Donatela* para dizer "compre Batom"?

A meu ver a Soninha se destaca entre os outros candidatos pequenos porque ela parece efetivamente saber falar de tudo um pouquinho. Parece que ela estudou, o que não parece que outros pequenos fizeram. Ou então estes tempos dentro da câmara fizeram bem a ela. Quando a gente ve político que chegou lá porque era alguém na TV já fica meio puto porque sabe que a câmara VAI ser cheia de gente como Enéas Filho (que não é filho do falecido Enéas - deixem os mortos em paz!), Sérgio Mallandro, Léo Áquila (sob o genial bordão "Não sou macho, mas sou homem"), Kid Bengala (aqui em São Paulo mesmo, não em Itamaracá) e Salete Campari (tipo, QUEM?). Nesse sentido a Soninha me surpreende porque de apresentadora da MTV a gente espera aquela chatice de consciência jovem plantar árvores para salvar o meio ambiente e desligar a TV para ler um livro mas não sem antes assistir ao nosso intervalo comercial ou até uma coisa "vamos colocar bebedores de Coca-Cola em todas as escolas e tornar obrigatória a eleição anual de rainha do baile". A Soninha propõe muito pouco ou nada, ela só critica mesmo (que é o papel de candidato pequeno promovendo partido pequeno), mas ela tem críticas até consistentes e tenta sair um pouquinho do óbvio. Achei interessante quando ela quis trazer a pauta das dificuldades de se trabalhar dentro do legislativo municipal. Porque é uma coisa que ninguém fala mesmo, mas existe e é importantíssimo.

Não sei se chega a dar para votar nela. Não acho que ela pretende ser prefeita mesmo. Não agora, pelo menos. Acho que rolaria muita boa vontade mas falta de capacidade administrativa. Ela é muito idealista, é um fato. O que a meu ver que ela pode ser melhor em cargos legislativos que executivos. Mas, por outro lado, a gente vai votar em quem aqui em SP? A Marta fala demais e a prefeitura dela foi tosca, quem efetivamente viveu em São Paulo nestes tempos e tem um mínimo de discernimento sabe que ela fez muita coisa, mas que foi tudo de qualquer jeito. O Kassab, como se fosse pouco ser do PFL, caça o dono do puteiro quando avião cai (dono do puteiro este que, sem seu puteiro, resolveu que também VAI estar na câmara). E o Alckmim, bem, ele é Opus Dei, e é contra meus princípios votar em gente que manipula albinos.

X - X


Por fim, quero repetir aqui algo que disse lá pra Mary. Que ela comentou sobre a mania do Maluf de falar sobre si mesmo em terceira pessoa. Ele diz "O Paulo Maluf fez mais obras com menos dinheiro", etc. E ela comentou o momento do debate em que ele inovou, citando seus netos na platéia e passando a dizer "o vovô Paulo fez mais obras com menos dinheiro". Eu acho genial: quando ele se refere a si mesmo em terceira pessoa, ele está claramente separando a pessoa da figura pública. E a afirmação vira uma maneira de firmar Paulo Maluf enquanto mito. É uma frase para você ser capaz de repetir sem pensar: "Paulo Maluf fez mais obras com menos dinheiro". A partir do momento em que passa a ser o "vovô Paulo", ele põe uma característica mais humana no mito Paulo Maluf. Apela para o seu emocional porque todo mundo gosta do vovô. Talvez mais ainda se o vovô for o cara que, além de te levar para pescar no ribeirão aos domingos, fez a Águas Espraiadas, o túnel Airton Sena e pos a Rota nas ruas. Todo produto é muito melhor quando mexe com o seu emocional. Como eu disse lá também, ninguém quer cartão de crédito que taxa de juros mais baixas... a gente quer o cartão de crédito que te da tempo para ter "as coisas que o dinheiro não compra", por exemplo.


* - Mamãe tem assistido novela da 9. Talvez a sua mamãe aí sempre tenha assistido novela. Eu te conto que a minha mamãe NUNCA assistiu novela na vida sob a alegação de não ter tempo e de ter afazeres domésticos. Para mim é uma grande novidade. Aí quando eu vou visitá-la, ela faz comentários do tipo "ontem eu não vi a Donatela". Diz isto no meio de outros assuntos, como "estou investindo para ampliar meus negócios" e "seu pai está com este e aquele problema de saúde" e atribuindo a tudo exatamente a mesma importância.


Escrito por Klein às 17h38 [ ] [ envie esta mensagem ]




apresentando: mesa de parto.


Ainda sobre esta coisa de esportes e exercícios físicos. Que é muito engraçada quando a gente analisa friamente. Nada mais é que um bando de humanos disputando força, é claro. Não sou antropólogo e nem nada, mas acho que essa porra começou naquela época em que os humanos da idade da pedra desistiram de caçar alfaces e passaram a caçar vaquinhas, ovelhinhas, franguinhos e uns aos outros. Quem conseguia mais era o melhor macho, então pegava mais mulher. Na raiz de todos os problemas do mundo ta isso aí: pegação. Aí outro jeito de demonstrar força são os esportes, que nada mais é que demonstrações das habilidades de caçar coisas que não são alfaces. Ainda antes disto deve ter tido o problema daquele humano que descolou um mamute morto, pegou um cipó ou merda que o valha e inventou a primeira tanga do mundo, escondendo seu pau da luz do dia. Se ele não tivesse escondido seu pau, toda a disputa seria baseada em centímetros, e não em quantidade de animais mortos ou, alguns anos mais tarde, o maior número de bolas no fundo da rede. Vejam que mesmo hoje em dia, quando pega mal um país botar pra quebrar dentro de outro por causa de petróleo, independência étnica e estas coisas, a expressão da força ainda tenta se dar pelos esportes: União Soviética contra Estados Unidos, um clássico dos anos 80. Recentemente, China contra o planeta Terra, apesar desta coisa de se sobrepor pelos esportes andar meio fora de moda na minha opnião, mas a China é mesmo um país cafona e acho que eles dominam mais coisas com suas porcariazinhas estilo R$ 1,99. Tudo é sobre ter centímetros suficientes para praticar pegação mesmo, todo um lance de virilidade. Mas nem tudo acabou se tornando tão viril quanto deveria não e algumas coisas atestam contra a pegação. Porque você vai à academia de musculação e todo mundo ta lá super bonitão, mostrando braço grande suficiente para levantar um automóvel e as menininhas de top e calça de lycra enfiada no cu. Tudo bem que calça de lycra enfiada no cu não é mais aquela coisa que me deixa ligadão toda vez que eu vejo, eu já superei esta adolescência quando qualquer alusão que fosse a um buraco produzia uma ereção. Você leu sobre o buraco da camada de ozônio?, e, pronto, você tem uma ereção. Meus 15 anos já foram embora, já faz uns 14. Voltando à academia de musculação: todo mundo super excitante, mas aí você começa a fazer qualquer exercícios e todo mundo faz aquela cara. De quem está fazendo mais força do que devia. O cara põe um som com batida forte para empolgar a galera, mas a galera continua com a mesma cara de quem faz mais força do que devia. Vira um tipo de rave que todo mundo tem prisão de ventre, e não da pra rolar uma pegação no meio de um surto de prisão de ventre. Depois de mostrar ao mundo como exatamente é a sua cara numa prisão de ventre, vem o instrutor e diz que você vai fazer a rosca. E eu digo adeus à virilidade. Ele explica que eu vou ter que fazer a rosca no aparelho e me mostra em que aparelho. E é alguma coisa tipo uma mesa de parto: fazendo a rosca na mesa de parto com cara de prisão de ventre na rave. E chamando isto de ser viril. Não foi assim que me ensinaram na escola. Então, o lugar onde eu queria chegar, é a afirmação de que eu ainda não entendi o sentido da academia de musculação e dos outros esportes. Ainda assim, eu continuo fazendo.

No mais, eu também não entendo uma maratona. Um monte de gente correndo para chegar num lugar onde não vai ter cerveja, mulher pelada ou distribuição aleatória de dinheiro. Entendo menos ainda aquelas corridas em pistas dentro de estádios, porque além de não ter nada na chegada, muitas vezes a chegada é no mesmo lugar que você estava. Não entendi como um salto duplo carpado pode mudar o curso da humanidade e, por fim, eu repito a pergunta que a gostosona que me esnobou no dia do meu próprio aniversário uma amiga fez certa vez: qual é o processo e a experiência de vida que leva alguém a um dia resolver: "quando crescer, quero ser uma pessoa que salta com vara"?



Escrito por Klein às 20h28 [ ] [ envie esta mensagem ]




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Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe germânico. Blá blá blá. Todo mundo já está de saco cheio deste papo de príncipe germânico, vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão. O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos de chocolate para vender na vizinhança.

Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.

De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim, se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!

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