Eu vi o comercial* na TV e fiquei uns 10 minutos rindo. Provavelmente uma das coisas mais escrotas que eu já vi em termos de brinquedo. Ou o segundo lugar: o cachorro da Barbie que caga (e depois pode comer a própria merda) é o meu favorito de todos os tempos. Mas não deixa de ser hilário. Porque fazer carrinhos para meninas brincarem me remete muito àquela discussão de "ah, o que tem de errado se meu filho prefere a boneca da irmazinha aos seus carrinhos" ou "que problema tem se minha filha joga bola ao invés de brincar de mamãe". Porque os tempos são outros: mulheres são pilotos de Fórmula Truck e homens compram cremes caríssimos de cupuaçu porque ouviram falar que faz bem para a pele. A gente não precisa mais pensar nas pessoas como dois polos opostos e o arco-iris tem um monte de cores entre as suas duas bordas. Blá blá blá. E ainda que não estivéssemos falando de dissociar hábitos e gostos da sexualidade das pessoas, poderíamos estar falando de justiça: já não é de hoje que meninos brincam de boneca se você considerar que os bonecos Falcon, pais dos G.I. Joes, foram assumidamente uma tentativa dos fabricantes de brinquedos de criar o que seria uma boneca para meninos. Se meninos podem brincar de boneca, meninas podem brincar de carrinho.
Então chega um cara muito criativo da indústria de brinquedos e se diz muito politicamente correto e contra a visão opressora do machismo. E vamos deixar as meninas brincarem de carrinho. E aí eu penso que elas tem que brincar de carrinho mesmo e curtir uma experiência ao volante. Bem, a gente pode fazer isto: as meninas podem dirigir seus carrinhos por um looping, super radical. Desde que seu destino final seja o shopping center. Já consigo imaginar o círculo vicioso: mães saem de casa, pegam a avenida principal, viram à direita depois da farmácia, passam pelo looping e chegam ao shopping, onde comprarão a pista Polly Wheels para suas filhas. Filhas estas que um dia serão mães e sairão de casa, pegarão a avenida principal...
(Outra coisa que me perturbou é que eu já tinha ouvido falar das bonecas Polly, mas sempre achei que fossem um genérico de Barbie. Não é. Não são geneticamente compatíveis, não da para brincar das duas ao mesmo tempo. Só se você estiver brincando de Barbie na Ilha da Fantasia. Ou então brincando de versão lésbica de Histórias Que Nossas Babás Não Contavam).
* - desculpem, não achei o comercial propriamente. Nem me esforcei muito para procurar, verdade seja dita...
Na verdade acho que pouca coisa foi realmente genial em termos de letras no rock nacional. Do meu ponto de vista. Aquela coisa que consegue ser genial, criativa e sem parecer pedante. Nessas a gente já joga Renato Russo no lixo porque ele soa pedante. Assim EU SOU UM POETA. Uma coisa estilo sou uma pessoa intensa e aquela sofrimento todo com metáforas indecifráveis me dão um desespero que me enche de vontade de virar do avesso e mostrar ao mundo o meu intestino fedido. Pra mim só dois erraram muito pouco em termos de letras: Cazuza e Los Hermanos. São coisas rebuscadas na medida certa, às vezes pedantes mas, com metáforas e temas tão bem sacados, que a gente (ou pelo menos eu) não se importa. (Nem gosto muito de ouvir Cazuza, mas acho o cara bom!) Alguns outros tiveram os seus momentos de genialidade, mas também erraram mais do que acertaram. Raul Seixas tem os seus momentos de genialidade, mas também tem os seus momentos de não tomo banho e vivo chapado, que é outra coisa muito mala de se fazer. (Alguém que eu conheço lembra de cenas do enterro do Raul Seixas e me contou que tinha um monte de gente jogando tijolinhos e cigarrinhos de maconha lá dentro). Particularmente eu acho foda quem consegue ser genial sendo simples. Eu adoro algumas letras do Roberto Carlos e daquela merda toda de Jovem Guarda, eu realmente vejo beleza naquilo, de tão simples que são as coisas que foram escritas praquelas músicas. Mas entendo quem não acha. O Roberto e Erasmo em especial foram muito cara de pau no começo da carreira deles. "Todo mundo olhou me condenando / Só porque eu estava amando" e "Quanto tempo longe de você, quero tanto lhe falar / A distância não vai impedir, meu amor de lhe encontrar" são dois exemplos da maior cara de pau possível: criar rimas com tempos verbais iguais no fim das frases. Ouvi falar que isso chama rima pobre. Mas de resto, são coisas tão simples e prosaicas que fica divertido. Eu amo coisas prosaicas e acho que Detalhes é uma música do caralho justamente porque tem estas imagens quase chucras do tipo "duvido que ele tenha (...) os erros do meu português ruim". Não acho fácil bolar uma imagem destas! Mas enfim: dou toda razão pra quem diz que isto é uma merda. Apesar de achar que não exista alguém que não goste: todo mundo gosta de coisa brega. Quem diz que não, é porque se tranca no banheiro para ouvir escondido do mundo. Com um dedo enfiado no cu. Ultraje a Rigor pra mim é genial e, quando alguém diz pra mim que não é, eu penso naquela coisa Chaves de que "só os inteligentes podem ver". Não que eu me ache inteligente pra caralho, o que eu acho, na verdade, é que ninguém dedica 2 minutos que sejam pra pensar no que uma música deles está falando. Tipo Nada a Declarar, que marcou um tipo de volta da banda à mídia há uns vários anos atrás. Nego queria ouvir ela no rádio só porque alguém falava "cú" (sic) no refrão. Ninguém prestou atenção que a letra toda sacaneava, justamente, quem gostava de uma música só porque ela falava "cú" (sic). E é especialmente bacana isto considerando que ela foi lançada mais ou menos na época do auge do "pagode de superfície", tipo É o Tchan e outras dancing-cú-bands. Lembro de uma entrevista do Roger em que ele dizia de algum disco da banda que recebeu uma crítica por não ter letras tão engraçadas quanto as dos álbuns anteriores. Ele se defendeu dizendo que nunca foi a idéia dele ser engraçado, só bem humorado talvez. Mas acho que só os inteligentes podem ver isto.
Eu pensei nisto tudo porque eu sempre penso que eu devia fazer e gravar umas musiquinhas. Sem pretensão demais, só pra me divertir mesmo. Aí quando tento escrever algo, acho que tudo o que eu escrevi é uma merda. Depois tento me incentivar pensando "mas tem tanta coisa pior e que nego ainda faz se levando a sério".
Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe
germânico. Blá blá blá. Todo mundo já
está de saco cheio deste papo de príncipe germânico,
vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog
desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas
na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão.
O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu
ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também
não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta
um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos
de chocolate para vender na vizinhança.
Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório
para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só
estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não
é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil
no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional
por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que
vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.
De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é
o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então
deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você
é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório
para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate
para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim,
se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos
da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!