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 Tá que eu também não posso falar muito não porque o nordeste para mim sempre foi um mistério. E alguém vai poder falar de mim como a gente fala de quem acha que a capital do Brasil é Buenos Aires. Mas eu não consigo mesmo distinguir os estados do nordeste. Eu simplesmente não uso o nordeste. É como a fórmula de báscara: a gente sabe, ela é óbvia por muitos anos da nossa vida e não é difícil de entender. Mas quem lembra a fórmula de báscara com 29 anos é um anormal. Ou professor de matemática. (Nem venham com querer deixar um comentário com a fórmula de báscara dizendo "eu sei, tá?", porque com Google a gente sabe tudo nesta vida). Aí eu olho para o mapa do Brasil, foco no nordeste e vejo aquele monte de Estados pequenos amontoados, uns em cima dos outros, meio querendo ser um só, e não consigo saber qual está em baixo, qual está em cima e qual está do lado. Para mim é tão fácil quanto abrir uma panela de dobradinha e procurar uma lógica naquilo. Alguém deve achar a lógica, mas certamente que não fui eu. Quando precisa associar com as capitais então, aí vish, porque eu confundo tudo mesmo. Às vezes troco nome de capital por nome de Estado e vice-e-versa. Tento compensar esse tipo de coisa quando viajo pensando "estou indo para Fortaleza, que é a capital do Ceará", deste jeito bem didático. Bem retardado. Para ver se eu aprendo. Mas se você der um mapa para mim, não vou saber apontar Ceará ou Fortaleza. Então o assunto "Estados e capitais do Nordeste pode formar a trilogia das coisas que quando me explicam eu entendo, mas eu deixo de entender cinco minutos depois. Os outros dois vértices da trilogia são a questão da palestina e as regras do truco. Eu simplesmente não assimilo estas informações.
Mas enfim: pensei tudo isto porque estes dias fui com uma menina para Cuiabá e ela me pergunta se Cuiabá é quente. Respondi que nunca tinha ido, mas que não tinha como não ser um lugar quente. Mas onde é Cuiabá? e é no Mato Grosso. Mas ONDE É O MATO GROSSO? Talvez no meio das pernas da Claudia Ohana, aparentemente musa das minhas noites no mês de Outubro, mas preferi responder que era como ir pra Brasília, só que mais pro lado. Uma definição bem escrota da minha parte, mas não achei outra maneira de explicar. E veja, não estamos falando dos Estados do nordeste, amontoadinhos e amarradinhos com um rio São Francisco. Estamos falando de um Estado realmente gigante, são menos divisas e menos capitais para decorar. Algo que nos salvou na 5a série (assim como a fórmula de báscara).
Eu nunca confundi a Bahia. Bahia é fácil porque é grande, que nem Mato Grosso. Piauí também não porque eu penso sempre que Piauí é o Estado que parece um estômago visto de costas. Roraima e Rondônia são difíceis porque é muito Estado que começa com R perto um do outro, mas eu sei as capitais deles pelo menos. Eu tenho todo o direito de não saber onde fica o Tocantins porque, na minha 5a série, Tocantins não existia, mas mesmo assim eu sei quem é Tocantins na noite. E o Acre é o mais fácil: ele fica no Rio de Janeiro, é um cenário dentro do Projac.
Escrito por Klein às
12h05
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Comprei um shampoo para homem. For men, como ele se diz. Aí na saída do supermercado tinha lá uma revista que também era qualquer coisa for men com uma matéria de capa no estilo "fique saradão em um mês" com um cara todo bombadão, mas eu sempre achei que pegava mal comprar revista com homem bombadão. Notem que nem as mulheres compram revistas com homens bombadões na capa, a estética é a mulher gostosa. Eu na verdade comprei o for men porque eu li numa revista que isto existia e eu nem imaginava mesmo. Que cabelo fazia esta distinção entre ser homem ou mulher. Pensei que fosse tudo proteína mesmo. A revista era uma Playboy, que é uma revista que tem mulher pelada na capa, caso você aí nunca tenha ouvido falar. Aliás, uma tremenda enganação porque você compra pensando que vai ter mulher pelada. E até tem. Mas ela ta escondida ali no meio de um monte de shampoo for men. Veja meu peitinho e compre um shampoozinho, qualquer coisa assim. Uma revista que fala de homem e põe umas mulheres ali no meio pra enganar a gente. Enganar no nível que me fez comprar tal shampoo for men. Aí hoje eu lavei meu cabelo com ele mas eu não me senti mais masculino com esta revolução higiênica. Na verdade eu não sei bem onde eu quero chegar com tudo isto que eu to dizendo, talvez pra dizer que ser homem está ficando cada vez mais difícil porque é uma coisa cada vez menos definida, os manuais estão desatualizados. O ingresso da mulher no mercado de trabalho. Ou na capa da revista. Sei lá.
Escrito por Klein às
16h53
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Nunca é muito simpático conversar com as pessoas assim, pelado. Mas eu conversava com as duas mesmo assim. A Claudia Ohana e uma amiga dela, que acho que era minha amiga também, não tenho certeza. Muito mais do que o fato de todos estarem pelados, o que me intrigava mesmo era o lugar que estávamos: o ginásio esportivo daquela escola que eu estudei até colegial (ou o ensino sei lá o que, nunca decoro o nome novo destas porras). A amiga e eu é que conversávamos, a Claudia Ohana era meramente uma coadjuvante, o que é coerente com os meus conhecimentos sobre Cláudia Ohana. Aí a amiga falava "ah, porque essa coisa aí da Playboy, né? Você vai querer ter a revista?". E eu respondia que eu não, hoje em dia não é mais o tipo de coisa que me estimula. Porque hoje em dia, é muito mais importante para mim sair para jantar com a Claudia Ohana. Não sei se contando aqui parece, mas na ocasião isto soou para todos uma coisa não só madura, mas muito elegante também. O que não me impediu de pensar "mas é claro que vou procurar as fotos na internet para ver". Não sei porque, mas mesmo tendo a Claudia Ohana pelada ali na minha frente, eu queria vê-la pelada na revista. Enfim: o caso é que este foi o diálogo e, logo depois de dar a tal resposta elegante para ela, eu dei AQUELA analisada na Claudia Ohana e ela me pareceu uma delícia. Delícia mesmo e tal, como eu jamais acho, achei ou acharei que ela é. E aconteceu o inevitável desagradável: eu tive uma ereção. Agora olhando para a cena, eu acho que as regras do ginásio esportivo da escola funcionava como uma praia de nudismo: é permitido andar peladão, mas não é permitido assimilar o fato. Então eu fiquei com muita vergonha de ter uma ereção (porque, claro, isto jogou fora toda a maturidade e elegância previamente demonstrados - aparentemente esta era a questão central da coisa) e fui para o chuveiro, pensando que uma ducha fria me ajudaria a voltar para o estado molinho, enrugadinho e pouco colaborador com a perpetuação da raça humana. Depois do banho, acordei.
Escrito por Klein às
23h50
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Papai contou que votou no Kassab. O que provou para mim que ele é mais sem noção do que eu imaginava. Mesmo eu imaginando muito mesmo, desde quando ele peidou e arrotou em alto e bom som na frente do meu atual cunhado na primeiríssima visita que este fez à nossa casa, com intenção de levar sua ainda nem namorada para o cinema ou qualquer outra coisa que o ajudasse a algum dia chegar ao motel, não importa o que exatamente. Ele deve ter conseguido, porque hoje eu tenho uma sobrinha.
Escrito por Klein às
23h47
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