|
Paulo Coelho? Eu nunca li. A culpa disto é das pessoas que já leram e tentaram me explicar uma vez ou outra do que se tratava. Aí eu sempre fiquei com esta impressão de que nada mais era que um Senhor dos Anéis para adultos, ou seja, sem anões, gnomos, duendes, estas porras. Então, na minha cabeça, seria bem Paulo Coelho uma história sobre um cara de estatura comum, sem orelhas pontudas, sem poderes mágicos e sem carregar uma espada fornecida por alguém com poderes mágicos que conta sobre as 900 páginas de distância que caminhou por florestas para queimar um anel e fechar um olho. Assim, só não me pareceu algo que eu poderia gostar de ler. Mas eu fico bolado quando saem estas notícias que falam sobre o quanto ele é aclamado pelo mundo inteiro. E aí falarem que ele vendeu 100 milhões de livros e é o autor vivo mais traduzido, então eu fico preocupado de que eu estou andando na contramão do mundo. Sem ironia: algum motivo tem para isto acontecer. Dentre as possibilidades, existe a de que ele seja mesmo um bom escritor e a gente repudie o cara só porque ele é brasileiro. Também tem, é claro, a possibilidade de que narrar uma caminhada de 900 páginas de distância seja um assunto realmente interessante (com ou sem anões, gnomos e sadomasoquistas em geral). O meu blog nunca vendeu 100 milhões de cópias. Tem 50 acessos por dia só. E nunca foi traduzido para outros idiomas. Já foi copiado uma ou duas vezes por algum destes 50 por dia que acharam que a minha vida era mais interessante que a deles. Não reclamando dos meus 50 acessos: adoro vocês e um dia quero ter feito sexo com todas as meninas que entram aqui. Além do mais, eu não sou um escritor, nunca me propus a ser. Talvez por isto eu nunca tenha escrito sobre andar na floresta para queimar o anel. Também nunca fumei maconha com o Raul Seixas, isto precisa ser dito.
Escrito por Klein às
22h48
[
]
[ envie
esta mensagem ]
Aí a grande questão virou esta de que, toda vez que visito minha mãe, sinto uma pontada de depressão antes de ir embora. Cadê aquela valentia adolescente toda, hein Klein? Que fico sem vontade de sair da roça mesmo, contrariado de tudo, achando que a vida era aquilo lá mesmo: acordar, tomar café com leite, ficar na internet e ligar a guitarra de vez em quando para fazer pose de astro do rock dentro do meu quarto. O que a dra Fátima iria pensar? (Dra Fátima? Aquela, a terapeuta, a de quem eu fugi criminosamente). Claro que eu sei o que ela iria pensar: eu paguei ela por 1 ano e meio para saber exatamente o que ela pensava e estaria pensando hoje. Eu sei o que a dra Fátima acha sobre a crise econômica americana mesmo todos estes anos depois. E sobre mim, seria algo como "por que sair de um útero de concreto com café com leite, sonhos de rock star e três cachorros para encarar o mundo real?". Ia só pensar mesmo, aquela filha da puta, porque ela só dizia "não vou nem falar o que pensei" e por a mão na frente da boca. Daquele jeito dela. Mas aí eu acabo saindo e melhoro quando chego aqui, no outro lugar, que é tipo um hotel podre no centro, mas que não é hotel e nem está no centro. Ou quando estou num lugar com a dignidade de se assumir hotel. Não sei qual é o problema: se é o poder da instituição mamãe sobre mim ou se é porque eu não tenho um outro lugar com cara de casa para querer ficar nele. Dra Fátima diria que é mamãe. Porque a casa (aquela lá) é uma extensão dos poderes de mamãe. Não do poder que ela tem, mas do poder que eu inventei que ela tem, é claro. Mas enfim, vou parar por aqui, isto tem mais sentido quando eu estou sentindo esta tal depressão. Não é o caso agora. Agora é só saudade do tal colchão ortopédico que tem lá no útero de concreto pra mim, sem uma depressão por causa disto.
Escrito por Klein às
00h37
[
]
[ envie
esta mensagem ]
[ ver mensagens anteriores ]
|