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Mamãe enquanto dermatologista.
Das afrontas à minha masculinidade. Aproveitei dois dias de folga para visitar mamãe, a vida na roça, o mato, os cachorros, os macacos e a vontade de compor alguma música que chame Rock Rural. Antes de sair para o trabalho, mamãe, aquela que é cheia de suas gracinhas, né?, me chama de canto e diz: "Klein, já que você vai ficar em casa hoje, você devia cuidar da sua pele". (Fora de casa não precisa). Enfim: ela fica preocupada com a minha pele (que?) por conta das muitas viagens: diferentes condições de temperatura e pressão que estragam nossas carinhas bonitas, levemente rosadas e, por esta última condição, sem toda a dignidade que mereço depois de tantos anos prestando serviços (que?) ao mundo.
Ela me mostra dois frasquinhos. O primeiro ela explica: "isso aqui ajuda a limpar a sua pele. é bom porque tem grãozinhos de areia". E eu não sei por que é que graozinhos de areia me deixariam de cara limpa. Pensei então que mamãe quisesse que eu fosse à praia, Santos, Guarujá, qualquer coisa a uma hora daqui, e esfregasse muito mesmo a minha cara na areia. Com todo a merda e mijo dos cachorros leprosos e desgraçados da agonia da vida urbana no litoral. Depois, orgulhoso do visual à milanesa eu poderia levantar e dizer com orgulho "de cara limpa!".
O segundo frasco ela pega, mostra, fala isso, aquilo e eu não assimilo absolutamente nada porque porque já estou rindo internamente. "Do que você ta rindo?". Eu? De nada! Mamãe, você tem sempre razão quando a gente sai de casa e você usa isto para ocasionalmente bancar a velha jogada no asilo e eu efetivamente me sinto assim naquela típica relação de culpa implicita entre filhos e suas mães. Aí ela resolve sintetizar os dois frascos de orientação com a típica poesia materna:
"Sabe, filho, a pele da gente é como uma flor: se a gente adubar e cuidar direitinho, ela cresce bonita*"
Minhas suspeitas estão confirmadas: mamãe quer mesmo que eu esfregue minha cara em areia e merda.
* - Lila, ela deve ter lido isto na flâmula. Aquela que você me deu de presente!
Escrito por Klein às
12h49
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E eu ando com essa sensação de que o mundo é infinito de possibilidades. Mas no fundo todas as coisas tem uma mesma raiz, o que faz o infinito não ser tão infinito assim. Como pedais de guitarra: de todas as cores, todos os materiais, todas as marcas e todas as promessas de um som único. Mas, no fundo, os tipos de efeitos são só alguns. Cada um com alguma peculiaridade, mas o efeito é o mesmo, e no fundo um ta copiando o outro descaradamente. Tem overdrive e tem distorcion, eu escolhi overdrive pra mim. Aí pode ser o TS9, pode ser o OD-1 ou qualquer um destes nomes canastrões para coisas muito parecidas. Enfim, a maioria de vocês não toca guitarra e não entende muito bem a diferença, to ficando um daqueles caras chatos que falam de coisas que só eles entendem com pessoas que não estão interessadas por aquilo. Todos os dias eu ensaio mentalmente maneiras de explicar para meu pai que automação industrial não é algo de meu interesse. Mas é o meu velho, etc. Eu não sou o seu velho, então não vou fazer isso com você aí. Só o caso é que eu não sei mais se existe tanta coisa nova no mundo. Ou pelo menos não a sensação de novidade. Aquela que os executivos chamam de quebrar um paradigma. Mas eles não sabem que é isto que estão dizendo quando falam sobre quebrar paradigmas: para eles pintar a planilha de vermelho ao invés de azul já é quebrar um paradigma, mas vermelho é tão velho e conhecido quanto o azul. Enfim, vocês já entenderam o que eu estou querendo dizer com este post.
Escrito por Klein às
21h37
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Acho realmente engraçado quando alguém fala que Deus o salvou de fazer alguma burrada. Tipo "foi Deus quem me fez não puxar aquele gatilho", "foi Deus quem me ajudou a encontrar o dinheiro" ou "foi Deus quem não me deixou abrir a Playboy da Hortência". Porque eu fico pensando em onde caralhos teria ido parar, então, aquele tal de livre arbítrio.
Escrito por Klein às
21h25
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