Aí eu tava naquele lugar além da Bacia do Prata, nesta loja em que artigos de embelezamento e afins é extremamente barato. Com aquela sensação de gringo com dinheiro valorizado na mão, praticando pilhagem e pagando com espelhinhos, a mais valia, o capitalismo, este tipo de porcaria. E como eu não tenho mais um desodorante, simplesmente decido praticar a metrossexualidade de comprar um desodorante indicado por quem está do lado de lá da metrossexualidade. Vejam que enquanto homem, sem noção, um ogro na intimidade, tenho que admitir que certas figuras entendem mais de moda, beleza, cabelos, cor de olhos, cheiros e tamanhos de unha do que eu. Eu simplesmente sigo estes conselhos. Como em: Gata, sai comigo para me comprar umas roupinhas de pegar mulher? Confio mais no bom gosto alheio do que no meu mal gosto. Mas voltando ao desodorante: sigo o conselho de comprar aquele desodorante com marca de tênis. E de casaquinho indie. Arrisquei. Mas eu sempre achei que indie fosse gosto musical, não um estilo de cheirar. Não é do tipo que eu vou ao Milo e fico pedindo para cheirar as pessoas, não é a melhor maneira de praticar a sedução em ambientes públicos. Não que eu saiba praticar a sedução em ambientes públicos. O que dirá no Milo, que não é um lugar que te excita. Não é um puteiro, não é uma casa de swing, não é uma borracharia com muitos posteres: é um lugar onde as pessoas dançam com elas mesmas, eventualmente fazem par com alguma bebida colorida, e sofrem internamente de amor ouvindo alguma música que eu nunca ouvi antes. Para mim o indie é o novo gótico, só que ao invés de ir ao cemitério, vai ao Milo. Ou a algum outro lugar que esteja na moda, eu não entendo disso, apenas faço minha visita trimestral ao Milo. Ah, e os indies não ouvem Sisters of Mercy, o que é um ponto contra. Perdi o foco, retomando: comprei o tal desodorante e ele tem um aroma agradável e o tubo tem menos pressão que o que eu usava antes, o que é muito bom: não deixa coceira no suvaco (sic) se você soltar o spray muito de perto. Mas vou falar que, oh, ele não aguenta. E me deixa fedido. Aí todo aquele preconceito contra o povo do além do Bacia do Prata: povinho fedido, desgraçado e mal educado. Eu fico fedendo e com vontade de tomar chá com leite. Té con leche, pro inferno, cucaracha! Porque você e seus cosméticos sob baixa pressão me deixam fedido.
É que a gente sente que está fedendo, mas não sabe se as outras pessoas sentem que você está fedendo. E não é uma coisa do tipo que você pode perguntar para a pessoa se você está fedendo. Tampouco se pode contar para alguém quando este alguém está fedendo. O fedor é um tabu na sociedade, hoje em dia é mais feio contar para alguém que está fedendo do que sair do armário. Na dúvida eu vou voltar para o meu desodorante de acima da Bacia do Prata. Para cheirar bem e pegar as gatinhas.
Ok, tudo isto é preconceituoso demais. Eu nunca disse que eu era um cara legal. Diga-se de passagem, o desodorante não foi desenvolvido na linha abaixo da Bacia do Prata. Nós sabemos que lá só existem 3 coisas: alfajores, cortes de cabelo de gosto duvidoso e a moda de usar meia na praia em Florianópolis.
Em compensação eu comprei uma parada de engraxar sapatos que é fodona. Meu sapato brilha. O globo giratório está para a Disco Music como este produto está para os sapatos sociais pretos. Da para ver o meu rosto, praticamente. Mas numa versão negão. Me deixa com vontades de fazer um black power, o primeiro black power loiro da história, e quando alguém disser que está ridículo eu digo: "mas olha como fica legal no reflexo dos meus sapatos".
Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe
germânico. Blá blá blá. Todo mundo já
está de saco cheio deste papo de príncipe germânico,
vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog
desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas
na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão.
O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu
ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também
não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta
um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos
de chocolate para vender na vizinhança.
Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório
para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só
estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não
é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil
no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional
por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que
vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.
De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é
o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então
deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você
é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório
para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate
para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim,
se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos
da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!