vejam a primeira cena e pensem nesta experiência: viver na pele a sensação de ser uma toupeira que foge de um homem ameaçador armado com um... IOIÔ
Ah, no meu tempo... não querendo bancar o idoso, mas enfim, no meu tempo... video-game era essa coisa aí. Atari era o grande lance, mas eu não tive Atari. (Também não tive autorama, são estas as minhas duas mágoas de infância). Mas tive Odissey, que eu não joguei muito porque nunca tive mais de duas fitas (sic). O que eu joguei MESMO foi o MSX, que era um computador, na verdade. Meu pai, engenheiro eletrônico nerd nos anos 80, não compraria um mero vídeo-game, tinha que ser um computador. Eu tive um TK antes dele também, em que os jogos eram gravados em fitas K7*. Aí o MSX e depois o meu primeiro PC, um XT com monitor CGA (tinham 4 cores, ninguém mais que eu conhecia tinha um monitor que não fosse o monocromático). E para conseguir jogos era algo tão difícil quanto conseguir discos de certas bandas de metal: você tinha que ter contatos pra conseguir fazer cópias. Dependia de ter amigos, não de uma conexão de banda larga. Não existia facilidade nenhuma: os coreanos e chineses não tinham descoberto o mercado de eletrônicos e nem o mercado consumidor da Santa Ifigênia. Ou então o mundo que ainda não tinha atravessado o Cabo das Tormentas e descoberto a Coréia e a China, defina você o que lhe parece mais acertado dizer.
Video game era pura abstração por conta das limitações tecnológicas e até pelo desenvolvimento do mercado (não existiam grandes empresas de games, imagino que eram 3 nerds que se juntavam, davam um nome à sua empresa - ou clã de elfos, se vocês prefirirem - e faziam uns jogos). Os jogos se resumiam a controlar um quadrado enfeitado com escadas (chamados de pixels) transitando no meio de outros quadrados (o cenário) dentro de um quadrado maior (a tela). Nossos pais - ou pelo menos os da geração dos meus - costumam se gabar de terem passado uma infância sem bonecos para comprar, usando sabugos de milho para brincar no lugar dos bonecos. Já a minha geração brincou com os primeiros sabugos de milho digitais.
* - No MSX eu tive alguns poucos jogos em K7, mas o que pegava ali eram os disquetes. Eu tinha um drive de 3.5 polegadas, o que ninguém mais tinha, era um grande avanço tecnológico - e uma grande dificuldade para trocar jogos com os poucos outro proprietários de MSX que eu conhecia. Hoje é mais fácil: um conhecido disponibilizou um arquivo compactado com emulador e 500 jogos de MSX para download.
Uma vez eu vi uma história que eu adorei. Quando fizeram o Donkey Kong, não conseguiam achar o que fazer com o Mario (é o primeiro jogo da história em que ele aparece... sim, aquilo é o Mario) depois que ele pulava e estava caindo no chão, porque era muito difícil desenhar cabelo no vídeo game. Aí colocaram nele um chapéu: quando ele estivesse caindo, era só levantar o chapéu um pouquinho para parecer que estava caindo junto. E é por isto que, até hoje, ele luta contra gorilas e tartarugas de chapéu, e não porque ele é simplesmente um encanador italiano - ??? - garbo e estiloso.
Como toda criança normal, meu sonho hoje é comprar um Nintendo Wii.
Bill Steer, guitarrista do Carcass, fazendo cosplay de Jerry Cantrell no show de SP, mês passado
Já vieram aqui citar isso e eu estava mesmo lembrando deste tipo de coisa. No fim dos anos 80 e começo dos anos 90 e o cenário é a famosa galeria do rock. Eu tinha qualquer coisa a partir de 12 anos de idade e eu tinha um certo medo de ir à galeria porque ouvia estas histórias de como as coisas aconteciam lá: você chegava lá com alguma camiseta de uma banda que você gostava, sei lá, o Metallica. Aí chegava uma gang do Metallica e te dizia algo como "você só pode usar esta camiseta se realmente gostar (?) do Metallica, então terá que responder a algumas perguntas". Aí nego queria saber em que disco estava qual música, qual a formação original da banda e o que o James Hetfield tinha jantado na noite anterior (a última pergunta era alguma pegadinha, do tipo, "o James Hetfield não jantou ontem, tava com caganeira"). Se você não soubesse responder às perguntas, rasgavam sua camiseta, te expulsavam da galeria, alguma coisa assim.
Eu nunca entendi e nunca gostei desse tipo de coisa. Claro que no meu caso tinha o adicional do medo envolvido. Eu figura franzina, branquela, e criada a mimos de mamãe só podia ter medo. Mas independentemente disto tem o questionamento do por que você precisa entender profundamente alguma coisa para se intitular alguém que gosta desta coisa? Eu gosto de vestir camisetas vermelhas mas eu não entendo muito sobre elas. Não sei como elas são feitas. Acho que alguém sacrifica uma ovelha para algum Deus que represente a revolução industrial inglesa para conseguir a lã e a tinta vermelha é feita de pau brasil trazido das índias (sic) por navegadores corajosos, não sei ao certo. Não sei e não me importo porque eu continuo usando camiseta vermelha. Se você quiser argumentar que camiseta vermelha pode porque ela não transmite uma idéia, tudo bem, eu dou outro exemplo: eu não proibiria um pedreiro de trablhar em uma obra na minha casa por usar um boné da Suvinil e não saber dizer o nome dos últimos 3 presidentes da Suvinil. Suvinil é true! Não, não é. Para mim camiseta vermelha, camiseta da Suvinil e camiseta de banda* são coisas equivalentes.
Quer dizer, era todo um jeito medieval que uma pessoa tinha de tratar o que a outra gostava. Claro que quanto mais a gente gosta de alguma coisa, mais tende a se informar sobre ela e tudo mais, mas isso não mede o quanto você gosta daquilo. Ninguém inventou um gosto-o-meter. "Eu gosto de novela do Manuel Carlos 7,2 graus na escala orgasmo". E ainda que existisse um jeito de medir o quanto uma pessoa gosta disto ou daquilo, o que realmente me incomodava** era pensar que tem gente que se ofende quando encontra alguém que gosta menos daquilo do que ele. Tipo, que diferença isso realmente faz pra sua vida? Por que isto desqualifica alguém?
Eu sempre achei que esse tipo de medievalismo fosse passar, que eu não veria esse tipo de coisa depois de velho. Na verdade eu vejo esse tipo de coisa com freqüência. Ainda tem gente fazendo pergunta sobre a banda na camiseta que você usa. Não importa qual a metáfora que você usa ou o tom de voz: você está perguntando o que o James Hetfield jantou ontem. O que só aumenta a minha vontade de morar numa cabana de madeira no alto de um morro onde eu passaria o dia montando guarda na porta com uma espingarda para espantar forasteiros. Poderia fazer isto ouvindo Metallica.
* - Eu tinha medo de ir à galeria e apanhar mas não sei por que isso: eu fui cabeludo e ouvi muito metal. Ainda ouço, diga-se de passagem. Mas nunca usei camiseta de banda, só fui cabeludo e aprendi a tocar guitarra mesmo. Pra não falar que eu não tive camiseta de banda, eu tive 3: uma do Metallica, uma do Dream Theater e uma do Megadeth. As duas últimas eu ganhei de presente e nunca saí de casa com elas. Elas existem até hoje e até hoje uso para dormir ou ficar em casa. A do Metallica era boa: capa do And Justice for All, tema que cai como uma luva pra socialismo adolescente. Mas enfim: eu era mais o tipo de metaleiro que usava camiseta branca, ou seja, eu não era metaleiro, eu era freak mesmo.
** - Quer dizer, este tipo de coisa voltou a ser uma questão para mim. Eu ando muito irritado com o jeito como pessoas tratam pessoas. Ando pensando em várias coisas sobre este tema. Isso é o que acontece, talvez, quando a gente começa a trabalhar com pessoas: potencializa e se incomoda mais com mesquinharias que todo mundo sempre fez.
Este foi o post mais adolescente dos últimos 2 anos, eu acho... foi feito ao som de Anthrax (The Greater of Two Evils) e gostaria de anunciar que comecei a compor o meu disco solo de metal pesado.
Camelo-o-Vision: descobri que através de um pirulito a barba parece mais higiênica
Bom, o Marcelo Camelo deve ter o que?, mais ou menos a minha idade, por volta de uns 30 anos. E a Mallu tem 16 anos pelo o que eu li por aí. Não tenho absolutamente nada contra nenhum dos dois como músicos, acho ambos competentes no que fazem ainda que nenhum dos dois estejam fazendo qualquer coisa que não goste. Também não vou questionar o conceito de pedofilia. Só a dinâmica do relacionamento mesmo. Porque eu penso na cena: "Ei, Mallu, vamos tomar um chopp, usar umas drogas e fazer quebrar um quarto de motel depois de uma orgia com putas, anões, cosplayers e 3 contadores?" e a mocinha responde "não da Camelo... quantas vezes eu tenho que te dizer que não? 2a feira eu tenho prova de matemática!". Não é o meu tipo de relacionamento.
Eu acho besta a implicância geral com a Mallu Magalhães, na verdade. Não vejo ninguém reclamando da música dela, só da figura pública dela. Do hype. E isso me remete àquele nível irracional e sem argumentos que as pessoas gostam de discutir assuntos, aquele que eu falava com você outro dia que anda me tirando do sério. Me lembra dos metaleiros da galeria do rock no fim dos anos 80 e começo dos 90 que eu achava que se extinguiria com o tempo, mas ao que tudo indica tudo continua no mesmo nível de babaquice. Ou sou eu que ando com raiva dos seres humanos mesmo. To quase tentando de novo escrever sobre o assunto.
Eu uso o Colgate Plax. Odeio Listerine. Listerine deixa a boca da gente ardendo, o que é puro marketing. Como a sensação de refrescância das pastas de dente: fazem a gente achar que a boca está limpa só porque ela está fresca, mas isso não é uma verdade porque chorume na geladeira continua sendo chorume. O Listerine faz isso: deixa a boca da gente ardendo muito, muito mesmo. Pra dar para a gente a impressão de que os germes estão morrendo. Mas isso é a coisa mais estúpida da gente pensar: se é a sua boca que está doendo, então é a sua boca que está morrendo. Não o germe.
Também não sei se a morte dos germes começa pela dor de suas bocas. Nunca conversei com um germe em seu leito de morte.
Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe
germânico. Blá blá blá. Todo mundo já
está de saco cheio deste papo de príncipe germânico,
vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog
desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas
na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão.
O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu
ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também
não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta
um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos
de chocolate para vender na vizinhança.
Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório
para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só
estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não
é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil
no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional
por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que
vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.
De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é
o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então
deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você
é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório
para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate
para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim,
se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos
da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!