A Corina é a cachorra que mora na casa da frente. Não gosto de pensar nela como a cachorra do vizinho, gosto de pensar que ela mora na casa da frente, porque já conseguiu se firmar na enquanto personagem independente na minha vida. Pra valer ela mora na garagem da casa. Que não tem portão. Então mora meio que na rua. E ela adora fazer uma festa quando eu chego ou saio de casa. Leia-se: latir louca e enfurecidamente. Exatamente da mesma maneira que EU gosto de celebrar chegada e partida das pessoas.
Se eu estou saindo de casa, ela late e corre atrás do meu carro. E pra divertir a vida dela eu sempre tento interagir com ela, acho que isso sim é política de boa vizinhança. Como por exemplo frear o carro bruscamente e abrir a porta do carro pra ver ela latir mais ainda e fugir assustada. Outro dia eu fiz uma avaliação física da Corina. O resultado foi 30. Trinta quilômetros por hora, é o limite da Corina. Em outra ocasião eu saí andando bem devagarinho e abaixei o vidro. Pus a cabeça para fora e fiquei rosnando para ela. Depois percebi que tinham outros vizinhos na rua que testemunharam tudo. É sério, eu fiz isso. Como eu disse acima, é a mesma maneira que eu uso para celebrar chegadas e partidas.
"... Mark Chapman decidiu que tiros verbais não eram suficientes e descontou seu ódio pelo mundo em um astro pop que, na verdade, até lhe deu alguma atenção.
TUDO MUDA
Se houve um único acontecimento capaz de ressucitar a mitologia em torno dos Beatles, foi o assassinato de Lennon. Esse repentino ponto final tornou inevitável a reavaliação de seu lugar na história, e, em consequência, a do legado dos Beatles. Também tornou fácil para os muitos defensores de John transformarem Paul em vilão e puxarem um coro de vaias e apupos engrossado por todos os demagogos de plantão
(...)
De qualquer maneira, McCartney tinha a esperança de construir uma carreira e ex-Beatle que se igualasse, se não em impacto pelo menos em qualidade, ao que fizeram como banda, a combinação da separação dos Wings com a morte prematura de Lennon, no começo dos anos 80, o relegou a anos de publicidade negativa e comparações injustas...
(...)
A imensa contribuição de John para os revolucionários culturais continuou crescendo no pós-vida privilegiado de que agora desfrutava. O homem que ficou sem ter o que dizer por três anos depois da separação dos Beatles - e desapareceu numa depressão alcoolizada que durou mais tempo que o interlúdio punk - se transformou, no imaginário popular, no gênio torturado que se propôs a ser por tanto tempo".
Estes são, provavelmente, os parágrafos mais legal do livro. Ou os que eu mais gostei e precisava ler. Porque eu sempre achei isso mesmo: que John Lennon tinha seu mérito, mas que existe alguma coisa muito canastrona na sua fama e que ele não merece tudo isso que se diz dele. Assim como eu acho que as pessoas reconhecem a importância de Paul McCartney, mas não reconhecem TODA a importância dele, que evidentemente é quem realmente teve as melhores idéias e mais trapalhou pelas épocas em que os Beatles estavam tentando se reinventar e revolucionar a música. Lennon aparece mais como esse cara extremamente encostado, com idéias inacabadas e com uma preguiça extrema de existir (mas com uma pretensão, quase assumida, de ser visto como um Bob Dylan*). Eu jamais tinha me tocado do quanto o assassinato podia ter sido a causa disto tudo e da importância que isso tinha na martirização do cara. Coisa que a gente não pensa se não viveu a época.
Isso me da esperanças de que um dia alguém também explique para o mundo que Renato Russo não foi um grande poeta de uma geração, só um ícone de qualquer coisa que ele nem mesmo chegou a dizer. De brinde, o resto do livro conta como e porque o disco foi revolucionário. Desmontando os mitos e apresentando fatos e contexto. Outra parte que eu adoro é quando ele fala qualquer coisa que seja sobre o Pink Floyd. Não só porque eu gosto dos caras, mas porque gosto das histórias deles. Bom, acho que eu gosto de qualquer história sobre qualquer banda, na verdade.
* - Existe um pedaço do livro em que uma declaração do Lennon afirma algo sobre como a arte fica chata quando se põe muita pretensão nela. Quando as pessoas começam a querer encontrar muitos significados ocultos nas coisas e o quanto ele na verdade achava isso um saco. Aparece meio como um momento do tipo "putz, deixei escapar o que eu acho de verdade". Ou então algo de quem critica o que quer fazer mas considera que não consegue, enfim!
Outro dia eu tava lá de bobeira... trabalhando... e de bobeira... e chegaram as meninas da limpeza, pra quem eu sempre faço um tipo de festinha (arranjo água, café, comida, etc) e bato papo quando estou de bom humor. Não que eu precise estar de bom humor para achar que elas mereçam ser bem tratadas: eu preciso estar de bom humor para tratar qualquer pessoa bem. De mau humor para mim todos são ratos. Porque eu odeio ratos. Na verdade eu tenho MEDO de ratos, PAVOR de ratos, eu VIRO UMA MENINA CHORANDO PORQUE SEU IRMÃO MAIS NOVO DECAPTOU SUA HELLO KITTY perto de ratos. Então eu não vejo as pessoas como ratos, apenas odeio elas silenciosamente. Também não é isso, bem, foda-se, o caso é que eu estava conversa com ela e nem lembro sobre o que era, eu sei que eu disse pra ela, com estas palavras: "bem, se eu continuar desse jeito, Deus vai me mandar tomar no cu".
Nossa, ela ficou puta da cara (não com estas palavras). Disse que Deus não é bem esse tipo de gente. Que ele ama as pessoas e bla bla bla. Perguntei se ela já tinha lido a Bíblia e ela me enrolou. É sempre assim: esse povo que tem muita fé nunca estudou muito a própria fé. Não que eu o tenha feito, mas a minha relação com Deus não é exatamente de amor, é de amor e ódio porque eu às vezes eu acredito Nele, mas duvido e; nas outras vezes, eu duvido mas acredito. O caso é que ela respondeu aquele sim que claramente era para não fazer feio. E aí eu expliquei: "pois é, você bem sabe então que ele realmente castiga muito as pessoas: olha quanta gente ele matou ao longo da bíblia porque ele achou que não estavam sendo legais com ele!"
Ela não disse mais muita coisa. Foi terminar o serviço dela. Naquele dia não teve muita água, café, comida ou etc.
Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe
germânico. Blá blá blá. Todo mundo já
está de saco cheio deste papo de príncipe germânico,
vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog
desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas
na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão.
O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu
ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também
não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta
um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos
de chocolate para vender na vizinhança.
Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório
para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só
estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não
é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil
no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional
por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que
vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.
De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é
o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então
deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você
é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório
para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate
para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim,
se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos
da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!