Hoje em dia eu nem discuto mais preconceito com ninguém. Não sinto esta necessidade: parece que já expliquei demais para o mundo sobre o que eu acho disto, é repetitivo e o assunto parece encerrado. Hoje em dia é muito fácil e bonito falar que é errado ser preconceituoso. Também às vezes eu me pergunto se discutir ajuda ou atrapalha: ajuda a esclarecer às pessoas que nada disto deveria ser visto como algo anormal, o que quer que seja uma coisa anormal, mas atrapalha porque, quando a gente precisa discutir, precisa ressaltar onde estariam, subjuntivo, as diferenças: se ninguém falasse que ser negro, judeu, gay, muçulmano ou fã de Engenheiros do Hawaii, ninguém ouviria isto desde que nasceu, então ninguém cogitaria pensar que existe uma diferença. Papinho meu muito bonito na teoria, mas muito impossível na prática: o ser humano é naturalmente preconceituoso (acho que uma decorrência de ser naturalmente competitivo). Tem isto também: além de eu estar cansado e não saber qual o jeito certo de contribuir, eu também ando achando que é inútil falar disto. Aquela minha coisa de acreditar pouco na transformação das pessoas ainda que eu considere que conheça duas ou três histórias incríveis de pessoas que se transformaram para algo melhor e maior.
Preconceito com religião eu nunca pensei a respeito. Quem discute que alguém é desse ou daquele jeito porque é, sei lá, judeu, a meu ver é alguém que discute o mundo num nível torcida de futebol. Porque é uma questão meramente cultural. Com homossexualidade eu até entendo de onde surge aquele papo do "um homem foi feito para estar com uma mulher e vice-e-versa". Um cara desses também é um torcedor de futebol, com a diferença de que ele tenta fundamentar o troço com uma desculpa biológica. Eu tenho a ciência a meu favor, acho que é isto que eles pensam, mas, de verdade, é uma questão cultural disfarçada: não tem nada de científico achar que o homem foi feito com qualquer objetivo, é algo meramente criacionista porque aí Deus teria criado a gente com um propósito (de ser heterossexual, ter uma família e pagar dízimo, sei lá). Não tem nada daquela coisa da ameba, que virou macaco e virou um homem, que é um tipo de obra do acaso com o parâmetro da perpetuação da espécie. Homossexualidade pra mim é isto: outro acaso e acaso não tem juízo de valor.
Problemas com negros são os mais misteriosos: porque é algo que existe, ta aí e a gente convive sendo inevitável você saber que aquela pessoa ali tem esta ou aquela cor de pele. A gente convive com negros e brancos e sabemos que ambos fazem as mesmas coisas (pro bem e pro mal), ou seja, qual é o problema? Claro que eu sei que existe aquela coisa da cultura escravocrata e bla bla bla, mas nunca pareceu argumento. Mas acho que neste caso eu nem sei explicar muito porque nunca pensei demais na questão do negro. Minha causa definitivamente não é. E eu não tenho amigos negros, não de convívio realmente próximo. Nunca trepei com uma negra. Morro de vontade, acho bonito, me da cócegas nas partes baixas, etc*. Mas nunca rolou. Ano passado quase rolou, a mulher tava dando muito mole pra mim e eu não queria. Talvez porque eu seja racista e não saiba**. Ou talvez porque eu não queria mesmo. Aí uma hora eu resolvi que queria, mas aí foi ela quem não quis mais: rolaram uns beijos, umas mãos e parou por aí. Todo um princípio de baixaria. Ela prometeu semana que vem, mas na dita "semana que vem" ela tinha voltado com um tal de ex marido. E desde então eu decidi que ex marido é uma raça causadora de toda a desgraça da face da terra. Desconsiderando que eu é que fui bundão e esnobe em primeiro lugar. Mas enfim: eu estava todo pretencioso tentando fazer um belo post sobre preconceito, aí comecei a falar de fornicagem (sic) e estraguei tudo.
* - Uma vez ouvi alguém dizer que era algo racista você dizer "morro de vontade de comer uma negra". Porque era como você dizer que é diferente só porque ela é negra. Eu discordo deste argumento: primeiro que se é algo que me deixa de pau duro, é porque pra mim é algo diferente sim. Segundo que ser negra é uma característica física tanto quanto ter peitão, ter peitinho, ter bundona, ter bundinha... e ninguém reclama quando alguém explica se gosta mais de bundona ou de bundinha.
** - Na verdade, eu tinha os meus motivos para isto... ela trabalhava comigo e eu sou esse tipo de pessoa que nunca pegou uma colega de trabalho, nunca pegou alguém porque era o cara que tocava violão, etc...
Por que estou postando sobre isto? Porque foi o que eu fiquei pensando depois do post do Thales sobre a Naná.
E não estou dizendo que não tenho meus preconceitos. Eu tenho muitos. Eu analiso e julgo pessoas em menos de 5 minutos, o que é muito feio. O que eu digo é que não sou dado a estes preconceitos clássicos mesmo.
Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe
germânico. Blá blá blá. Todo mundo já
está de saco cheio deste papo de príncipe germânico,
vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog
desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas
na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão.
O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu
ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também
não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta
um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos
de chocolate para vender na vizinhança.
Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório
para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só
estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não
é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil
no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional
por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que
vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.
De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é
o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então
deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você
é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório
para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate
para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim,
se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos
da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!