Lima

 

Vou pular a piadinha do "outro dia eu desci no Peru". Eu já fiz ela umas 500 vezes desde então. O que chama mais a atenção em Lima é a quantidade de casas sem telhado. Assim, muitas mesmo: do aeroporto à cidade é tudo assim. Não só o teto: muitas delas não tem pintura, são só os tijolos. Mas o que me chamou a atenção mesmo é a falta de telhado nas casas*: você só ve umas pontas de aço para cima, bem coisa que está por acabar. "Vai ver que é porque não chove aqui", alguém ironizou. Aí outra pessoa tentou me explicar que lá tem algum imposto que só se paga caso a casa esteja completamente construída e que as pessoas não terminam as construções para economizar uma grana. Não sei se isto é verdade: acabei de fazer uma pesquisa breve e não achei nada. Mas breve mesmo, fiz duas buscas no Google e vi que estava longe de descobrir qualquer coisa. Desisti rápido, não me interessa muito: descobrir o motivo não irá resolver o problema das casas sem telhado de Lima.

Eu queria ter tirado fotos, mas fui impedido. Primeiro que eu não tenho uma máquina fotográfica. Segundo que, se tivesse, eu não poderia entrar com ela no país. Eu não pude entrar com meu notebook: me avisaram antes, por sorte, e eu deixei ele dormindo no guarda-volume do aeroporto. Veja que se um dia você for a Lima, você poderá levar estes ítens de sobrevivência básica, mas eu não: aconteceu que alguns colegas de profissão lá dos EUA estavam indo para o Peru com suas malas forradas de notebooks e outros cacarecos eletrônicos para vender. Livre de impostos, notem. Sabem como são os americanos e sua supremacia imperialista, achando que é de Sony Vaio que os incas precisam. Quando o que eles precisam mesmo é recolher ICMS e coisas do gênero. Para ou desenvolver a sua própria informática, que deve ter ficado estagnada na tecnologia do relógio de sol ou algo do gênero. Talvez a informática seja o setor com potencial para ser expandido a ponto de gerar empregos para peruanos, afinal de contas, a construção civil não vai bem: o túnel que liga Macchu Picchu a São Tomé das Letras é uma lenda e jamais será construído. E telhados para as casas não é algo que parece estar nos planos.

Lima tem algo melancólico. Existe o bairro de Miraflores que é lindo, chique e com tudo caro. Jantei em um restaurante mais ou menos chique (bebendo champagne, vejam vocês) com uma mesa em um deck num morro alto. Vista para o Pacífico: vi o sol se por no mar. Fora Miraflores, você tem a nítida sensação de que está numa grande favela. O povo peruano nos recebeu bem, muito bem mesmo, com uma alegria efusiva e passinhos toscos de samba para exercitar o intercâmbio cultural. Daquele jeito baba ovo que brasileiro gosta de receber estrangeiro também. Essa efusividade em cima da pobreza da cidade é que é melancólica.


* - Agradecimentos especiais à Ashen Lady, que achou uma foto disto para mim.



Escrito por Klein às 20h44 [ ] [ envie esta mensagem ]



Mallu Magalhães


Foi entre 2004 e 2005. Eu estava louco e depressivo. Foi por esta época que eu decidi que iria largar tudo e viver de música. Notem que em 2004 eu já tinha idade suficiente para ser responsável, maduro e discernir o mundo dos gnomos do mundo em que eu vivo, mas mesmo assim eu decidi que ia largar tudo e viver mesmo sendo eu um péssimo guitarrista. A minha carreira de músico foi algo notável mesmo porque eu tinha um plano de sucesso em mente: entraria num conservatório, estudaria, seria bom e tudo isso. Na verdade nem todo o conservatório do mundo ia ajudar porque, de verdade, eu ia ao conservatório 2 vezes por semMallu e passava o resto do dia olhando para as paredes esperando que elas me explicassem caso eu estivesse fazendo algo de errado na minha vida. Vocês devem saber que paredes não falam. Nem quando elas percebem as coisas. No tempo em que eu estive no conservatório, devo ter feito 2 ou 3 shows, todos em quartas-feiras, com as pessoas do conservatório e para pessoas do conservatório. Ganhei cerca de zero reais. Eu estava louco e depressivo. Foi por aí que eu conheci a Mallu.

Enquanto eu estava com meus 24 ou quase 25 anos de idade, andando com as pessoas do conservatório que tinham entre 18 e 22 anos de idade, a Mallu estava lá quase infiltrada no meio da turma com seus 15 anos de idade. Existia uma aula no conservatório chamada prática de bandas em que nós montávamos estas bandas com as quais eu toquei 2 ou 3 quartas-feiras de loucura e depressão. A aula compreendia em ensaios todos os sábados e a Mallu (naquela época pretendendo ser guitarrista) tocava em uma destas bandas comigo. Depois dos ensaios as pessoas iam para o posto de gasolina beber cerveja e a Mallu acompanhava a gente. Não lembro se ela bebia cerveja, não quero pensar se eu estava de cúmplice de qualquer crime, o que eu sei é que ela se misturava bem entre o pessoal e era bem aceita. Lembrava muito os meus 15 anos de idade.

Nos meus 15 anos de idade eu não tinha tantos amigos na escola. Tinha os mais fiéis, os que duram até hoje. Em quantidade poucos. Fora da escola eu tinha amigos mais velhos, os que botaram um violão no meu colo pela primeira vez e me fizeram pegar o gosto pela coisa. Depois disto eu fiz aula, me interessei, fui atrás, etc. E virei um guitarrista muito melhor que qualquer um deles. No mais, eu era um adolescente bastante perdido e bastante desencaixado. Talvez eu e meus poucos amigos fôssemos adultos demais para andar com as outras pessoas. Nâo sei se eu era imaturo demais para andar com os de fora, que tinham lá os seus mais de 20 ou 22 anos na época. Eu sei que eles me aceitavam e gostavam de mim, e isto bem deve ter sido importante pra minha auto afirmação na época. Não que eu esteja dizendo que foi este o meu papel na vida de Mallu. Também não estou dizendo que fiquei amigo dela por causa disto: fiquei amigo dela porque ela é bacana. Sequer tinha pensado neste paralelo antes na minha vida: pensei nisto só agora...

- Porra, segunda eu tenho que levar meu carro pra consertar e depois resolver um problema de documentação no banco, eu dizia empunhando minha cerveja.

- É... e eu tenho prova de matemática na segunda... que saco...

Eram assim algumas das nossas conversas.

Eu não virei guitarrista profissional. A Mallu luta até hoje para ser profissional. Desistiu de ser guitarrista e passou a estudar canto. O lírico. Virou uma cantora muito melhor do que eu fui e sempre vou ser como guitarrista, se é que isto é comparação que se faça. Eu me resumi a deixar a loucura e a depressão passarem e arranjei um emprego bem merda para retomar a vida, a crise de identidade e o tédio de onde tinha parado.



Escrito por Klein às 21h05 [ ] [ envie esta mensagem ]




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Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe germânico. Blá blá blá. Todo mundo já está de saco cheio deste papo de príncipe germânico, vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão. O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos de chocolate para vender na vizinhança.

Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.

De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim, se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!

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