Dessas viagens pra onde tudo é realmente diferente - e olha que NY nem é TÃO diferente assim... porque é um lugar muito multicultural, muito mesmo, ainda mais do que eu imaginava - a gente fica meio cheio de dedos pras coisas do dia a dia. Eu tava ali escrevendo exatamente isto para a Annix, que bem me encheu de dicas antes de viajar. Uma das dicas dela foi "se você for comer em algum lugar onde você efetivamente se senta para isto, você não deve esquecer de dar gorjeta, eles levam isto a sério". Tipo, qualquer lugar que não seja McDonald's, Burguer King, Starbucks ou o podrão da esquina. Porque lá, estes são os podrões de esquina mesmo.
Então no meu primeiro dia... bem, no meu terceiro dia: eu bem fui ao Starbucks nos dois primeiros... nesse meu terceiro dia, então, eu sentei num daqueles restaurantes bem típicos, dos que a gente ve na televisão. Não sei explicar, mas vocês sabem: eles são bonitinhos e têm mesinhas com bancos de dois lugares de um lado e outros dois do outro, para que dois e dois se sentem um em frente ao outro. Iguais àqueles que tem nos Jardins e que pra pagar você precisa vender seus órgãos. E tem o balcão mesmo, que é onde as pessoas que estão sozinhas podem se sentar e, eventualmente, bater um papo com quem o atende. Você até pode sentar sozinho nos outros lugares, mas o balcão está lá. Não teve uma única vez que eu não sentei neste balcão. Simplesmente porque É A COISA MAIS LEGAL DO UNIVERSO. Algo que nós tínhamos que aprender com eles como se faz, não é como quando a gente senta num bar e um cara vestido com uma roupa feita de saco de batata e que tem um papagaio no ombro pergunta se você vai querer uma Jurubeba ou um Fogo Paulista.
Aí eu tomei meu café da manhã. Pedi um omelete. Ele vem com batatas*, vem com torradas e com manteiga. O café é tão merda quanto tudo o que é uma merda mas os americanos ignoram por não estar dentro da américa, e o leite muitas vezes é servido em uns copinhos descartáveis inexplicáveis, pequenas porções, em potinhos que você abre como se fosse a manteiga ou a geléia. E eu comi aquele negócio todo, menos as batatas, porque mal gosto tem limite (mas depois de mais um dia eu já estava comendo as batatas também), e ao final, de barriga cheia, eu só pensava na Annix. E na pergunta: mas COMO se entrega a gorjeta?
Pensei em chamar o carinha do balcão e simplesmente perguntar qual era a mecânica da coisa. Fiquei com vergonha e acho que ia ser a gorjeta mais brochante da vida do cara se eu fizesse isto. Como eu expliquei agora há pouco: existe um ritual para isto e ele deve ser seguido. É mais que dinheiro, é uma tradição. Então pedir pro cara me explicar o que fazer seria equivalente a contar uma piada e explicá-la depois. Mesmo que as pessoas já tenham demonstrado entender a piada.
Minha técnica foi esperar um cara ao meu lado acabar o café da manhã dele. E aí só fiquei de olho na carteira dele, pra saber qual era o movimento. Esse brasileiro aí vem da favela, ele deve ter pensado. E a coisa é muito simples: ele simplesmente jogou um dólar no balcão e foi para o caixa pagar a conta. Simples assim. Pensei que algum trombadinha fosse aparecer do nada, ia sair do esgoto e correr pra dentro do restaurante ou então viria direto do ralo da pia mesmo, e ia pegar o dólar antes do garçom. Mas não apareceu porque o mais perto de um trombadinha que tinha naquele lugar era eu.
Fiz igual, joguei meu dólar ali em cima e fui pro caixa pagar. Não olhei pra trás pra ver o garçom pegá-lo. Também não vi se o tal trombadinha aparecia: de repente por eu ser brasileiro e estar acostumado, aí ele realmente viesse. Sendo o terceiro dia, acho que foi quando eu peguei o metrô e fui conhecer a Estátua o Pigmeu da Liberdade.
* - No fim de semana eu efetivamente gritei com a Gata porque ela quis defender que "em alguns países, é normal comer batatas no café da manhã". Não aceito esta afirmação: batatas e café da manhã são conceitos antagônicos. Não aceito a diversidade cultural em certos assuntos. Um deles é o assunto batatas. Mas peço desculpas, mais uma vez, agora publicamente, à Gata por ter gritado, é claro.
Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe
germânico. Blá blá blá. Todo mundo já
está de saco cheio deste papo de príncipe germânico,
vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog
desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas
na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão.
O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu
ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também
não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta
um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos
de chocolate para vender na vizinhança.
Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório
para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só
estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não
é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil
no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional
por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que
vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.
De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é
o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então
deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você
é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório
para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate
para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim,
se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos
da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!