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NY - a minha viagem muito louca de verão pt.2
Comparar é inevitável, claro. A Mary foi quem disse a coisa que eu repito para todo mundo sobre esse tema, mas, no caso, o assunto era Buenos Aires. Comentei com ela como o Maradona era mesmo um ídolo por lá e, em outras proporções, existiam outros heróis nacionais sendo exaltados. (Eu comprei um imã de geladeira lá: Fangio, una vita, una legenda). Mas o Maradona é o cara na Argentina (depois do Homer Simpson, claro). E ela respondeu que, se no Brasil, você tiver um poster do Pelé na parede do seu quarto, alguém vai dizer que você é cafona. A gente tem uma vergonha engraçada das nossas coisas porque a gente sempre acha que tudo o que a gente faz é pior.
Aí a gente fica resmungando que gringo pensa da gente que o Brasil tem 4 quarteirões. No primeiro tem a floresta amazônica, no segundo tem o pão de açucar, no terceiro tem os traficantes (sem contar os que supostamente moram no morro do Pão de Açucar) e, no quarto, você tem um conjunto habitacional onde só moram mulatas de bunda grande. Uma das avenidas destes 4 quarteirões seria, evidentemente, a Sapucaí.
Mas a minha conclusão é de que a gente tem mais prestígio do que se pensa. E a gente sequer sabe das coisas bacanas que a gente deixou por aí. Eu não sabia que o prédio da ONU tinha dedo do Niemeyer. Muito menos que tinha um painel do Portinari lá dentro. A japinha que guiou a visita pediu pra gente ajudar a falar o nome dele quando chegasse a hora certa. Aí, na hora de ir embora, eu tava sentado num banco arrumando minha mochila quando um senhor perguntou de onde eu era. Falamos amenidades sobre o Brasil e ele disse "I think mr. da Silva has been doing a great job"
E eu fiz q.
Não, eu estava nos EUA, então eu fiz w.
Ele explicou de quem tava falando e expliquei que não tinha entendido porque ninguém aqui chama ele de senhor da Silva, mas de Lula. E falei que concordava com ele, porque eu concordo mesmo, e que ele era uma figura polêmica porque tinha uma orientação um pouco mais social e muita gente não gostava disso. Eu tive que sair dos EUA pra poder falar para alguém essa opinião: todos os dias eu trabalho com pessoas que odeiam o Lula. Falam que ele é um mau presidente porque fala errado ou porque tem um dedo a menos. Outro dia eu cortei o dedo e não consegui tomar nenhuma decisão boa para o meu dia, imagina então se eu perdesse o dedo todo, né? E que o Lula é culpado pela crise: eu trabalho com gente que ganha quase R$ 10.000,00 de salário, com carteira de trabalho assinada, e está reclamando de crise. Perguntaram pro Morrissey como ele ia resolver a crise, lá no Carnegie Hall, e ele disse que não acredita na crise. Morrissey deve ser brasileiro. E eu não sei onde a gente coloca o mr. da Silva nessa história: na amazônia, no morro, no pão de açucar ou dormindo no meio das mulatas.
No Madame Tussaud Museum, o museu dos bonecos de cêra, tem uma estátua do Ayrton Senna e outra do Pelé. Pra gente eles são, respectivamente, nome de rodovia e garoto propaganda do Viagra. Não que a gente não se orgulhe deles, mas é um orgulho tímido. Não é inflamado como o orgulho do argentino ou do americano dos seus heróis. Eles colocam toda a máquina da propaganda deles para manter isso funcionando. E esse orgulho tem tanta importância, se você parar para pensar... movimenta dinheiro, inclusive. Mas enfim, meu ponto é: na terra em que o basquete e a fórmula Indy são populares porque eles são ruins demais para jogar futebol ou correr na F1, tem dos nossos lá. É uma forma de reconhecer e de se curvar.
Ah, não da pra não comentar: tem o Ayrton Senna... mas não parece nem um pouco com ele. Acho que é o Ayrton Senna depois da Tamburelo, só pode ser isso.
Escrito por Klein às
13h35
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Vamos combinar o seguinte então: a partir de agora eu não converso mais com as pessoas sobre assuntos polêmicos. Falo se elas se comprometerem a serem amordaçadas. As pessoas se irritam, tudo vira pessoal, é um saco. Não falo mais de futebol, que eu já falava pouco antes. Não falo mais sobre política, religião, visão política, ideologia, certo e errado. Não falo mais de Big Brother, nem ano que vem eu falo mais disso. Não falo mais sobre banda ruim. De repente eu até paro de falar sobre meninas de biquini, acho que até isso deixou de ser uma unanimidade nesse mundo. A partir de agora, eu só falo sobre coisas exatas. Meu assunto prefirido agora são os números. Você me chama para tomar cerveja e eu vou falar sobre raiz quadrada. Não vou discutir nem qual a cerveja que se deve tomar para falar sobre raiz quadrada. O que se sabe de novo sobre os números ímpares? Descobriram algum novo? Não se sabe nada, não é uma discussão. Tudo o que a gente conversa que não são números podem abalar relações interpessoais.
(E nem tenta me enganar querendo falar sobre estatística: estatística não é número, é dado coletado. 106,83% da população mundial aprecia meninas de biquini. Eu acredito numa pesquisa dessas porque acredito que algumas pessoas fazem mitose, meiose, sei lá, para virarem duas ou três porque, tudo o que elas gostam de meninas de biquini, não cabe em uma pessoa só. Mas você aí é capaz de falar que não acredita num número tipo 106,83% numa pesquisa. A minha resposta vai ser bem, 106,83% é um número que existe, vem logo depois do 106,82%).
Escrito por Klein às
21h05
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