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Meu primeiro autógrafo
Quando eu era criança, lembro que gostei de ler A Droga da Obediência. Do Pedro Bandeira. Aí lembro que tinha até continuação este livro, acho que chamava Pântano de Sangue e depois tinha um Anjo sei lá do que, acho que da Morte. Sei que eu comprei estas continuações em algum evento tipo feira do livro na escola. Eu fui, não sei porque se eu não gostava muito de ler, na verdade. E feira do livro de escola é um evento muito primitivo. Não lembra em nada a feira do automóvel. Você não tinha gostosudas nos estandes para desequilibrar sua testosterona até você querer comprar um livro. Bem, livros são muito diferentes de carros: nunca soube de um homem com complexo de pau pequeno que tentasse compensar isto exibindo sua coleção de livros. Você pode achar que alguém que tem um Jaguar não precisa de centímetros genitais, mas ninguém pensa o mesmo de alguém que tem toda a coleção da Larousse. O que eu sei é que o Pedro Bandeira estava nesta feira e eu achei que seria uma idéia incrível se ele autografasse o meu livro. Não tinha idéia de como era um livro autografado e com dedicatória, achei que ia ter algo especial, falando de como cada leitor é tão especial e que eu tinha mudado a vida dele apenas por ter comprado o livro. Uma semana depois ele me ligaria para agradecer novamente, alegando que não expressou suficientemente o quanto sua vida passou a ser outra muito melhor porque eu tinha comprado os livros. Entreguei o livro na mão dele todo orgulhoso dessa importância toda que eu tinha. Eí ele escreveu Klein, um forte abraço, Pedro Bandeira. Quer dizer, ele podia pelo menos ter se levantado e dado o abraço. Estaria feliz até sem a parte do forte. Só me restou ler o meu abraço e ir embora desse jeito. A droga da obediência. Depois disto, o único autografo que peguei na vida foi do Bruce Dickinson para o encarte do meu Somewhere in Time. Ele também não me deu um abraço.
Escrito por Klein às
02h33
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Tem essa entrevista nas páginas amarelas da Veja desta semana com esse maluquinho que eu não lembro o nome. A revista não está aqui e não sei mais onde está. Não sei o nome dele, por isto vou me resumir a chamá-lo de este maluquinho mesmo. E ele fala sobre a crise de identidade do homem depois que os sutiãs queimadas mas as cuecas continuaram sujas e cheias de feadas. Porque depois de queimados os sutiãs, não sobrou ninguém para limpar as nossas cuecas e todo mundo descobriu que somos mesmo um bando de cagalhões. Mas enfim, o caso é que ele bate muito na tecla de que o homem precisa viver a fantasia de que é um aventureiro e até um super herói, e que precisa despirocar e perder a noção da realidade. Tão pertinente achar isto da gente, porque eu acho que é por aí mesmo. Quer dizer, super herói pode ter um sentido muito amplo mesmo, você pode ser o herói que venceu na vida, que quebrou o recorde dos 100m rasos, que conseguiu muito dinheiro na vida e pode comprar um carro com um capô comprido e inversamente proporcional ao tamanho do seu pau. (Ou, claro, você pode ser o tipo de herói que salvou Tóquio de um lagarto gigante que soltava raios pelos olhos, já vi muitas pessoas que trabalham dia e noite para ser este tipo de herói... acho que são conhecidos como cosplayers). As mulheres também adoram a figura do herói, claro. Até a do herói que é herói porque ta cheio da grana: você pode achar machista falar que mulher só gosta de dinheiro, eu tambám acho, mas que tem mulher que só gosta de dinheiro, isso tem. Não condeno, definitivamente. Porque eu adoro dinheiro. Eu gosto de dinheiro e de mulher. Mulheres que gostam só de dinheiro têm mais foco do que eu, portanto. Mas tem todo o sentido porque mulher quer se sentir protegida, e nada melhor que ser protegida pelo super herói. (Pode apostar que o cara que empalhou o lagarto gigante e está usando ele para decorar a sala do apartamento come mulher pra caralho). A parte de ser aventureiro é mais difícil pra uma mulher entender porque isto requer não ter os pés no chão. As mulheres não costumam ter os pés no chão quando o assunto é romance. Os homens não têm pé no chão no restante dos assuntos do mundo. Romance a gente simplesmente não entende o suficiente para poder inventar moda a respeito. Acho que eu nunca fui muito bem um super herói, fui mais o aventureiro. Uma vez eu me aventurei a virar astro do rock (rá rá rá - gosto de me defender disto alegando o uso de antidepressivos... o que não é muito heróico). Outra eu me aventurei a largar tudo o que fazia, tudo o que me dava segurança, para trabalhar na aviação e dormir cada dia em um lugar diferente. Teve uma que eu fui corretor de seguros, trabalhava de camisa e gravata das 9:00 às 18:00 e me aventurei a usar um bigode e um cavanhaque que não continham qualquer traço de dignidade: foi com certeza a época mais audaciosa, corajosa e arrojada da minha vida. Uma vez eu contei pra uma namorada que eu já tinha saltado de para-quedas. Ela respondeu que eu era muito corajoso. Fiquei orgulhoso de mim. Ela me deu um pé na bunda umas duas semanas mais tarde.
Na entrevista ele fala disso e explica que o homem procura apoio na hora de viajar na maionese. Concordo com isso também, eu achava lindo toda vez que uma namorada ou qquer menina com quem eu estivesse de conversa mole falasse algo como "dou o maior apoio à sua idéia de viajar para o espaço sideral em busca de novas formas de vida". Pensava que isso é que era mulher de verdade. Na alegria, na tristeza e nos níveis extremos de burrice. Mas assim, não bastasse menstruar uma vez por mês, ainda tem que apoiar esse tipo de coisa. Definitivamente estou feliz por ter nascido homem.
Escrito por Klein às
17h42
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