Vamos lá, a tese de hoje é a de que o maluco sou eu. Porque, não importa muito como isto aconteceu, mas alguém finalmente conseguiu me fazer enxergar a perspectiva do avesso. Olha que a Gata já me contou isto umas 500 vezes. E eu já concordei com ela. Mas, vocês sabem, que a gente tem o hábito de enxergar os próprios defeitos mas não de se incomodar de verdade com eles. "Oh, você tem razão, sou um escroto, preciso melhorar, mas vamos fazer isto depois que eu tiver entendido coisas realmente importantes como as causas da obcessão de adultos pelos brinquedos que vêm no McLanche Feliz". A gente efetivamente percebe, mas não sofre as coisas. Um dia acontece alguma coisa ou a gente simplesmente acorda idiota e passa a pensar pra valer nestas coisas. Geralmente é a hora que a gente pensa que fazer terapia seria legal.
Vou dar um exemplo não recente, mas que ilustra bem. Eu estava traçando saindo com a fulana. Era uma coisa bem casual a princípio. Ela era um tanto carente e eu percebia isto. E não gostava. O problema não era propriamente com a carência em si, mas em eu ser o cara que tinha que resolver isto. E toda aquela densidade psicologica que tinha que ser convertida em mensagens de SMS, MSN, Orkut, por terra, por ar, pelo mar. A Cris diz que o problema é que as mulheres assistem Sex & The City e acham que tem a capacidade de fazer sexo casual quando só conseguem pensar na perspectiva de ter alguém para xingar por esquecer a tampa da privada levantada. Então tem que ter algum clima de romance. Não pode ser uma amizade com foda: é um clima leve de romance. Não sou eu quem to dizendo isto, ok? Foi outra mulher que disse e eu nunca fui mulher para ter certeza de se é isso aí. Enfim: eu não precisava elaborar tudo isto, basta saber que ela era uma pessoa carente (e, oh, nenhum problema com isto: na verdade meio carente todos nós somos, não to chamando ela de aberração - a tese é de que o maluco sou eu) e que existia um mini clima de romance. E que eu não gostava disto porque eu me sentia cobrado... ou culpado... to antecipando o final do texto...
Aí um dia ligo pra ela de tarde dizendo que queria ver ela. Entenda-se: trepar*. E ela responde que à noite tem uma festa, mas que eu poderia ir junto. E eu digo que não, que em festa de gente que eu nunca vi na vida eu não tava a fim de ir. Ela respondeu que então não iria à festa porque prefiria me ver. Fiquei puto da cara. Como assim ela muda a vida dela por minha causa se eu não tenho nada com ela. QUAL É O PRÓXIMO PASSO? LARGAR TUDO PRA VIVER COMIGO NUMA COMUNIDADE HIPPIE, NÃO TRABALHAR E SE ALIMENTAR DE AMOR? Eu não pensei isto não, mas devo ter me sentido como quem pensou.
No caso desta história aí foi a Gata, precursora na tarefa de me dizer que o maluco sou eu, que disse algo como Klein, para de viadagem, se ela quer deixar de ir a uma festa pra ver você, o problema é dela, então sai logo com ela. E a gente saiu mesmo e ela não foi na festa. Que aposto que nem tinha gente pelada, então ela saiu no lucro. Mas a questão é que, antes disto, eu fiquei super indignado de ver alguém se desdobrar um mínimo que seja por minha causa. Me ofende imaginar que eu tenha que ter qualquer influência sobre a vida de alguém com quem eu esteja saindo. Mas, ei, não é isto o que se espera de quando duas pessoas saem? É o que eu diria para qualquer pessoa que estivesse me explicando isto aí. Em casa de ferreiro o espeto é de pau, bla bla bla. Mas por estes dias aconteceu algo mais ou menos nesta linha aí e, outra vez, fiquei meio surtado.
Parece que eu sou desse jeito. Não compro a prestação: junto dinheiro e pago a vista. Porque não gosto de pensar no compromisso de pagar prestações. Quando passei do celular pré para o pós, odiei ser "fidelizado" por 1 ano, achei um abuso. Acho que ando tratando meus relacionamentos assim, como um plano de fidelização mal quisto. Com o adicional de que eu não me importo com a Vivo, mas efetivamente me importo com as meninas com quem eu saio. Até com as malucas: porque o fato de eu estar aceitando de que o maluco sou eu não faz de algumas-muitas delas menos malucas. Eu também tenho esta outra coisa, a de querer que as pessoas pensem que eu sou um cara legal, ainda que meio canalha de vez em quando.
Mas, ei, eu não namorei umas meninas aí uns anos atrás? Teve até quem dissesse que fui sim um bom namorado...
* - em minha defesa gostaria de dizer que também não é uma questão em que eu enxergo as mulheres com quem eu saio como máquinas que podem me satisfazer e que suas idéias, pensamentos e vontades são um defeito de software. Eu não saio com pessoas com quem não consigo sentir algum tipo de atração mínima e não me refiro apenas atração física. Eu tenho que me sentir minimamente à vontade, o que quer dizer que tenho que achar esta pessoa bacana e instigante em alguma coisa que seja. Resumindo: já passei da idade de sair com qualquer piranha e desejar que meu orgasmo a transforme em pizza, como diria aquela nossa conhecida piadinha entre hominhos.
Que saudade da dra. Fátima por estes dias. Vejam, eu até escrevi um texto enorme...
Olá, eu sou o Klein e fisicamente pareço um príncipe
germânico. Blá blá blá. Todo mundo já
está de saco cheio deste papo de príncipe germânico,
vamos ser honestos, mas é a piada besta que acompanha este blog
desde que eu o tenho e é sempre disto que todo mundo lembra. Mas
na verdade esse negócio de príncipe é papo pra bundão.
O único príncipe brasileiro respeitável foi, a meu
ver, o Ronnie Von. Que não parece muito germânico. E também
não se parece muito comigo. De qualquer forma, hoje ele apresenta
um programa para donas de casa que ocupam suas tardes fazendo pirulitos
de chocolate para vender na vizinhança.
Não está nos meus planos apresentar um programa de auditório
para donas de casa. Nem estou renegando uma eventual realeza: só
estou explicando que esta coisa de príncipe germânico não
é necessariamente boa, mas eu não ousaria fazer um perfil
no meu blog que não citasse esta piadinha besta tão tradicional
por aqui. Mas acho que ultimamente estou mais para o outro cabeludo que
vai aparecer na sua rua do que para príncipe germânico.
De qualquer forma, sejam bem vindos ao meu blog. Se você é
o tipo de pessoa que gosta de ler qualquer tralha por aí, então
deu certo porque eu escrevo textos no estilo qualquer tralha. Se você
é o tipo de pessoa que apresenta programas de auditório
para donas de casa ou o tipo de pessoa que vende pirulitos de chocolate
para os vizinhos, saiba que não é nada pessoal. Por fim,
se você for o Ronnie Von, o Eduardo Araújo ou um dos irmãos
da família Carlos, oh, quanta honra vocês por aqui!